O Reinado Pearl Jam A Marcar O Último Dia Do NOS Alive 2018

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

No último dia de NOS Alive 2018, todos os caminhos do cartaz conduziam a Seattle. O regresso dos Pearl Jam ao festival fez com que os bilhetes deste dia tivessem esgotado em dezembro do ano anterior. The Last Internationale, Franz Ferdinand, Alice in Chains e Jack White ajudaram a fixar, ainda mais, este dia na memória.

Se nos anteriores dias o recinto estava esgotado, no sábado o estado passou a “à-pinha”. Viam-se famílias inteiras a circular no recinto, com um único propósito: ver a banda liderada por Eddie Vedder. O vocalista da banda, é um dos que quase ingressa a lista de wanna be da casa. A familiaridade com Portugal é conhecida, com reciprocidade de sentimentos. Os portugueses veneram-nos. Às 23h00 horas, quando todos os outros palcos se silenciaram, as atenções concentraram-se neste esperado regresso.

A simplicidade é um dos sucessos da banda. Concentram a aposta da música e dispensam grandes cenários. Começaram com “Low Light” para abraçar de seguida a multidão com o “Better Man”, um dos essenciais da carreira, proveniente de Vitology. As letras continuam todas na ponta da língua e são cantadas, bem alto, pelo público, em coro. Da longa carreira, em que já editaram 10 álbuns de estúdio são muitos os temas que passaram a preferidos. O alinhamento deste concerto acabou por passar por muitos destes momentos: “Daughter”, “Jeremy”, “Can’t Deny Me” ou “Even Flow” são exemplos. Sempre com a garrafa de bom vinho na mira, Eddie Vedder vai deixando recados entre agradecimentos.

Já em encore, deixou o desejo de que todos se unam, enquanto força do bem e pediu para o acompanharem em “Imagine”, uma versão do conhecido tema de John Lennon. Continuou com canções emprestadas, para “Confortably Numb”, dos Pink Floyd. Chegamos a acreditar que a despedida é feita com o “Alive”, o nome de batismo deste festival, mas os Pearl Jam continuam para um intenso “Rockin’ in the Free World”. O tema de Neil Young traz uma surpresa especial neste palco: a companhia de Jack White e a sua guitarra.

O dia contou ainda com outros importantes discípulos da linha de Seatlle: os Alice in Chains. “No Excuses”, “Would?” ,“Man in the Box” e “Rooster”, ente outras, foram uma espécie de aperitivo para o grande nome da noite.

Antes, a dupla nova-iorquina formada por Delila Paz e Edgey Pires  veio apresentar as novidades do próximo álbum de estúdio, Soul on Fire. Eram já muitos os que começavam a marcar lugar à frente quando entraram os The Last Internationale para começar a maratona de rock.

O palco Sagres abriu Churky, o projeto vencedor do EDP Live bands. Boa presença em palco e canções que cativam sobressaem desta estreia absoluta em grandes festivais. Depois, entraram os Marmozets com vontade de queimar tão cedo toda a energia do público. Rebecca Macintyre destila fúria e raiva em palco e pede companhia nesta dura missão.

O palco Clubbing neste último dia, esteve em ambiente de festa contínua. Se antigamente a animação se fazia no baile da paróquia, agora no lugar da banda estão djs que conduzem sintetizadores e vão misturando as músicas ao gosto do freguês. Foi um pouco isso o que fizeram os Bateu Matou. O projeto junta três bateristas portugueses: Quim Albergaria (PAUS), RIOT (Buraka Som Sistema) e Ivo Costa (Carminho, Sara Tavares). Seguiu-se Lao Ra, a artista colombiana e depois os Os Throes + The Shine incendiaram a tenda. Dêm-lhes um palco que eles conquistam público. Foi o que aconteceu, quem passava era contagiado e ficava a dançar em loucura total.

Os Franz Ferdinand deram outro dos concertos memoráveis do dia. É um renascimento de uma banda que esteve no auge há quase duas décadas e que tem agora um novo disco: Always Ascending. Foi com um grande sorriso e vontade de agarrar o público que Alex Kapranos dialogou com o público, incentivando a que se juntassem a eles na festa. “Estão comigo? Eu estou com vocês!”. Todos aceitaram o repto.

No Palco Sagres, os Real Estate trouxeram um rock vintage, que permitiu ao público descansar depois da intensidade dos Marmozetes. Na mesma linha, seguiu-se Clap Your Hands Say Yeah, o projeto musical do americano Alec Ounsworth.

Ainda antes da entrada de Pearl Jam, Mallu Magalhães espalhou doçura. Foram poucos os que se mantiveram até ao fim, mas quem ficou acompanhou-a em “Mais Ninguém”- Um refrão adequado à hora: Fazemos a festa/ Somos do mundo/ Sempre fomos bons de conversar.  Despediu-se com um doce: “Chocolate”

No Fado Café, a tarde começou com Marta Pereira da Costa, a primeira e única mulher guitarrista profissional de Fado. Mais tarde, Jorge Palma, voltou a lotar o espaço. Ambos artistas de grande nome, a atuar num dos mais pequenos palcos do recinto, limitando muito a possibilidade de mais pessoas os poderem ver.

Assim que Eddie Vedder poisou o microfone, a música voltou a fazer-se ouvir noutros espaços… The Gift receberam “avalanches” de pessoas que vinham do palco principal e arrancaram por isso com alguns dos seus temas mais conhecidos. Uma excelente oportunidade de mostrar a música portuguesa a tantos estrangeiros que vieram ao NOS Alive.

No palco Sagres, os decibéis soaram mais forte, com os At The Drive In a entrar. A literatura musical especializada classifica-os rock progressivo. Percebe-se que é muito à frente do que se costuma assistir neste tipo de festival. Cedric Bixler-Zavala é um furacão em palco. Mal entrou bateu com o microfone no chão e levantou todo pó acumulado nos dias anteriores. Correu desenfreado de um lado ao outro do palco, derrubou os pesados volumes de som em palco e trepou para cima de tudo o que conseguiu. O público? Delirou! A banda trazia na manga um novo registo de originais,  “in•ter a•li•a”, editado após um interregno de 6 anos.

No palco principal, entraram entretanto os MGMT, que fecharam aqui a noite. E no Sagres atuou Perfume Genius, nome artístico do cantor e compositor Mike Handreas.

Nesta edição de NOS Alive, o recinto recebeu 165 mil pessoas, de acordo com a organização, para assistir às 124 atuações que se dividiram pelos sete palcos do festival, Palco NOS, Palco Sagres, Palco NOS Clubbing, Palco EDP Fado Café, Palco Comédia, Palco Coreto by Arruada e Pórtico. Nesta edição, uma das grandes atrações encontrava-se no Palco Comédia, que recebeu a intervenção de Bordalo II, designada Des Nature. A 12.ª edição contou com 85 nacionalidades e 16 mil estrangeiros, que aproveitaram a oportunidade de virem ao NOS Alive para conhecerem pela primeira vez ou para revisitarem o País.

NOS Alive 2018

“O NOS Alive está garantido por mais cinco anos” garantiu Isaltino Morais, o Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, em conferência de imprensa de balanço desta edição. Garantidas estão também melhorias nos acessos ao festival.

O festival regressa ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2019. Os bilhetes já se encontram à venda nos pontos de venda oficiais. O bilhete diário custa 65 euros e o passe de três dias 149 euros.

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