O Monstro Em Noite De Halloween

Reportagem de Rosa Margarida (Texto) e Paulo Soares (Fotos)

Ornatos Violeta
Ornatos Violeta

O Porto ganhou definitivamente uma nova sala de espetáculos, especulações à parte, e os Ornatos Violeta foram a melhor fita vermelha inaugural de que há memória, a abrir com chave de ouro uma arena que já foi palácio. O Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota encheu-se de cor, de calor, de música, de gente para acolher Um Monstro” que ainda “Precisa de Amigos”.

Quase duas horas de um espetáculo inesquecível, o primeiro em nome próprio, depois dos Ornatos terem pisado alguns palcos dos maiores festivais nacionais. A banda, composta por Manuel Cruz, Nuno Prata, Peixe, Kinörm e Elísio Donas, atuou no centro da arena, para um concerto num formato 360º e o público, mais de 8 mil pessoas, à volta do quinteto. Pronto, desde o primeiro minuto das 22h00, a acolher o Monstro que, ao longo de 20 anos, foi «entrando em nós».

Tal como “O Amor Entrou em Nós Sem Mentir”, do primeiro tema que fez mergulhar a sala no “Como Afundar”, do “Tanque” onde os “homens são muito mais felizes”, a passar pela música “Há-de Encarnar”. E, por esta altura, já a t-shirt vermelha do Manuel tinha sumido. “Um Pára de olhar para Mim”, como se fosse possível «dar-te alguém melhor», seguido do tema “Para nunca mais Mentir”. Eis, que cinco projeções de vídeo (uma para cada um dos membros da banda) surgem na cúpula da arena, para um “Ouvi Dizer”, cantado a uma só voz, numa das primeiras intensas manifestações do público, quando de joelhos, Manuel Cruz recita o último verso, do intemporal poema imortalizado na voz de Vítor Espadinha, «para nos lembrar que o amor é uma doença / quando nele julgamos ver a cura».

Seguem-se temas como “Nuvem”, “Notícias do Mundo”, “O.M.EM”, “Chaga” a lembrar que «não vai haver um novo amor / tão capaz e tão maior…” como aquele que os Ornatos trouxeram para a ribalta há 20 anos e voltam a oferecer a antigas e novas gerações.

Entre o “Devagar” e “Deixa Morrer”, um mar de telemóveis a iluminar o novo espaço portuense, com uma banda feliz “p´ra ca**lho!” por estar ali, com “Pára-me agora” entoado até à exaustão, num “Dia Mau” do “Capitão Romance”: os temas a sucederem-se vertiginosamente e a sala ao rubro com as letras na ponta da língua.

Os Ornatos abandonam o palco, mas haveriam de voltar, duas vezes, para temas como “Tempo de Nascer”, “Dama do Sinal”, “Punk Moda Funk” e “Raquel”.

Que bela noite! Marcada por cada palavra, repetidamente entoada, nos versos sublimes dos Ornatos, pudéssemos nós «pagar de outra forma».

Lembrar que no dia 22 de novembro, precisamente 20 anos depois do lançamento de “O Monstro Precisa de Amigos” será lançada uma edição especial do álbum, com CD com grafismo renovado, um vinil colorido e uma cassete.

Os Ornatos voltaram a atuar no dia 1 de novembro, no Porto, estando agendado ainda um concerto para o Campo Pequeno, em Lisboa, no dia 6 de Dezembro. E depois? Depois, «a vida é feita para nós».

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