O melhor do Fado na Gala da Rádio SIM

gala_sim01Reportagem de Madalena Travisco e Joice Fernandes
Quando a tristeza me invade / Canto o fado
Se me atormenta a saudade / Canto o fado
Haja ciúme à vontade / Canto o fado
Por uma esperança perdida /  Não passe na vida / Por um mau bocado
Se acaso a sorte o esqueceu /  É fazer como eu / Deixe andar cante o fado

Foi com a audiência de pé, locutores e artistas em palco, todos entoando este “Canto o Fado”, que se encerrou a 5ª Grande Gala da Rádio SIM, no Coliseu dos Recreios, na noite 13 de novembro. A diretora da Radio SIM, Dina Isabel, não conseguiu conter os agradecimentos sinalizando que “num mesmo palco é muito difícil de encontrar um naipe de artistas e músicos como aqueles que tivémos esta noite. Muito obrigada!”

E foi verdade. Pisaram o palco do Coliseu de Recreios várias gerações de fadistas para homenagear a música que constitui nosso património (oral e imaterial) da Humanidade segundo a UNESCO. Entre os consagrados vivos, os jovens e os muito jovens que dão um fôlego incrível ao fado, houve de tudo. Nas três horas de homenagem à música portuguesa, para uma sala cheia de apreciadores do fado e, sobretudo, fiéis ouvintes da Rádio SIM, desfilaram os homens e as mulheres da estação, introduzindo os 16 fadistas para dupla atuação.

O palco, cheio de luzes azuis, como pontos de estrelas, abriu com a sonoridade das guitarras, e imagens projetadas das colinas, elétricos, paisagens de Lisboa e das guitarras, que acompanhavam a apresentação e a atuação de cada fadista. Kátia Guerreiro deu a voz às “asas” para depois saudar: “É para mim uma grande honra estar a abrir esta gala e a abraçar o fado que tanto merece!”. Maria Armanda, que deu nas vistas nos anos 60, entusiasmou a plateia puxando pelo refrão: “É marinheiro, e é marinheiro”. Vinda do Ribatejo, Teresa Tapadas, da nova geração, deu voz ao fado Malhoa, para se lhe seguir Zizi (Teresa Siqueira) que termina com a “Marcha do marceneiro”.

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José da Câmara foi o senhor que se lhes seguiu e quando terminou o Fado Pedincha, disse: “Até logo, se Deus quiser”. Iria voltar ao palco, mais nervoso na qualidade de locutor da estação, para apresentar o 9º artista da noite, António Pinto Basto, que abriu a segunda parte com um fado à capela.

Outro animador da rádio SIM, Mário Costa, arrancou “siiiiiiiiiims” à plateia quando perguntou: “O fado não é de Lisboa. O Fado é de quem o sente. Concordam?” E deu o palco ao Hélder Moutinho.

Artur Batalha, em estilo próprio, arrancou apupos dos fãs que com ele cantaram com alma o “promete jura”.

Carlos Lopes retomou o jogo do seu programa de rádio: “É ou não É” – “É verdade que os ouvintes da rádio SIM são os melhores ouvintes do mundo?” Siiiiiiiiiiiiiiiiiim, para apresentar a próxima convidada que é o fado em todo o esplendor: Joana Amendoeira. Cantou e encantou com a “Marcha do Centenário” à qual se seguiu o intervalo. Pausa descontraída, gente feliz a circular, transmissão em direto e a alegria da Marisa Gonçalves.

Margarida Bessa seguiu-se ao Pinto Basto e terminou dizendo que queria ter os braços tão compridos que pudessem abraçar todos os que vieram de tão longe a esta gala.

A história da letra do “Vendaval”, oferecida ao Tony de Matos pelo Joaquim Pimentel foi contada e depois cantada pelo jovem Rodrigo Costa Félix. Seguiu-se Pedro Moutinho. Maria Amélia Proença, com os seus 65 anos de carreira, levantou a plateia com a voz que lhe assiste e com o beijo que deu ao filho Carlos Manuel Proença, na viola. E ainda vieram o Rodrigo e o Ricardo Ribeiro, este último a finalizar o concerto com o “canto o fado”.

Noite cheia e acompanhada pela sonoridade das guitarras e dos excelentes executantes: Guilherme Banza e Luís Guerreiro (na guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (na viola) e Daniel Pinto (na viola baixo).

Os ouvintes da Rádio SIM anseiam já pela sexta grande gala!

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