O Livro e a Iluminura Judaica em Exposição na Biblioteca Nacional

expo_iluminuraA Biblioteca Nacional apresenta no Museu do Livro, no piso 3, a exposição O Livro e a Iluminura Judaica em Portugal no Final da Idade Média, comissariada por Luís Urbano Afonso e Adelaide Miranda.

Esta exposição divide-se em cinco núcleos temáticos e pretende destacar a relevância cultural e artística dos judeus portugueses no final da Idade Média, com particular relevo para o códice iluminado hebraico.

O primeiro núcleo é dedicado ao livro e à iluminura sefardita (ibérica) e remete para a produção peninsular entre os séculos XIII e XV. A partir de dois códices existentes na BNP, salienta-se o largo espectro cronológico e estilístico abarcado pela produção da iluminura judaica peninsular. O conjunto de obras deste núcleo revela ainda a extensão do diálogo estilístico que os iluminadores sefarditas estabeleceram com a sociedade em que se integravam, adotando e adaptando soluções plásticas inspiradas na arte gótica, na arte tardo-gótica e na arte islâmica e mudéjar peninsular.

O segundo núcleo é dedicado à Escola de Lisboa de iluminura, ativa no último quartel do século XV, cujos valor artístico e relevância histórica têm passado despercebidos. Através do recurso a fac-símiles e imagens digitalizadas, mostram-se as idiossincrasias e as principais caraterísticas plásticas desta escola de iluminura, cujas obras demonstram o elevado grau de acomodação cultural dos judeus portugueses, nomeadamente os judeus de Lisboa, e o apreço que tinham pelo livro religioso de aparato, à semelhança das elites cristãs da mesma época.

biblia_lxO terceiro núcleo identifica sinais da interação cultural – científica, teológica, artística – entre judeus e cristãos em Portugal no final da Idade Média, sobretudo entre a iluminura judaico-portuguesa e a iluminura cristã tardo-medievais. A pertença a um mesmo horizonte cultural e artístico e o consumo do livro de aparato explicam as afinidades existentes entre os livros cristãos e os livros judaicos. Importa destacar, no entanto, que entre 1470 e 1490 o foco mais rico de produção de iluminura feita em Portugal foi a Escola de Lisboa de iluminura judaica. À época, os manuscritos iluminados cristãos de maior valor artístico – sobretudo Livros de Horas – eram importados da Flandres e do Norte de França.

O quarto núcleo desta exposição é dedicado ao livro impresso. O primeiro incunábulo português é um Pentateuco hebraico impresso em Faro em 1487, na oficina de Samuel Gacon, que antecede em dois anos a publicação, em Chaves, do primeiro incunábulo em língua portuguesa. Além da precocidade, é de destacar a proliferação de edições impressas judaicas, entre 1487 e 1495, distribuídas por Faro, Leiria e Lisboa, que testemunham a apetência do mercado português para o consumo do livro hebraico, sobretudo o de natureza religiosa. É precisamente esta grande apetência, muito mais acentuada que a existente entre a comunidade cristã, que explica a elevada produção de livros judaicos no último terço do século XV, manuscritos e impressos.

Finalmente, o último núcleo da exposição é dedicado à controvérsia religiosa judaico-cristã em Portugal, na qual emergem ódios e incompreensões mútuas, resultantes da radicalização religiosa.

A exposição tem entrada livre e pode ser vista até 15 de maio, de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 19h30 e ao sábado das 9h30 às 17h30.

Texto de Susana Sena Lopes

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