O fascínio pelo brilho dos azulejos em exposição na Gulbenkian

Reportagem de Tânia Fernandes

azul_gbk_04O Brilho das Cidades. A Rota do Azulejo é a exposição agora patente na Fundação Calouste Gulbenkian. Organizada por temas, com sequência cronológica, reúne obras que documentam o gosto e o interesse pela cerâmica ao longo dos tempos.

A cor é elemento explorado ao longo de toda exposição, e cada peça conta o encantamento por uma técnica que permite a criação de objetos com fins utilitários mas também estéticos. “O ser humano sente-se fascinado pelo brilho” referiu Alfonso Pleguezuelo, professor catedrático da Universidade de Sevilha e comissário desta exposição, durante a apresentação.

E esse fascínio pelas peças que brilham e cuja cor perdura no tempo aparece documentado, nesta exposição, desde os tempos do Antigo Egipto aos nossos dias. As primeiras peças apresentadas são três placas de revestimento da pirâmide de Saqqara, que cobriam as paredes dos aposentos funerários subterrâneos do rei Djoser (2700-2670 a.C.). São uma amostra dos grandes painéis que imitavam esteiras de junco exibidas habitualmente nas paredes das casas e dos palácios e que, neste caso, visavam também permitir que o rei continuasse a viver para toda a eternidade no seu ambiente natural.

No outro extremo da linha do tempo, e prova de que o azulejo continua a ser utilizado pelos artistas contemporâneos, figura o “Painel de Azulejos de Padrão Turquia”, elaborado em 2009 por Bulent Erkmen, um designer gráfico da Turquia, que ostenta uma matriz tipográfica e publicitária.

A viagem por estas quase duas centenas de peças oriundas do Irão, Síria, Egito, Tunísia, França, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Alemanha e Portugal é uma viagem aos hábitos e costumes de cada época. Alfonso Pleguezuelo refere a união de temas apesar da diferente proveniência geográfica das obras. “A Política afirmava espaços diferenciados, mas o que aqui podemos observar é uma união. Estes azulejos aqui expostos têm muito mais em comum do que seria esperado, o que revela que todos pintavam o que estava na moda. Há um espírito coletivo” reforça o curador.

Exemplos de ceramistas que aprenderam com grandes pintores e pintores que utilizaram a cerâmica como forma de testar as suas pinturas vão sendo apresentados nesta exposição, com trabalhos de valor singular. Esta viagem ao universo da cerâmica aborda questões como o mito da cerâmica dourada, as conquistas da geometria, a importância da heráldica, o peso da cultura figurativa clássica, o valor da mitologia cristã, a mimese ou a estilização da Natureza, o reflexo dos géneros da grande pintura europeia, a influência dos tecidos, a sedução que o Ocidente sempre sentiu pelo Oriente ou a representação da utopia e do quotidiano.

O Brilho das Cidades. A Rota do Azulejo junta peças de museus e coleções nacionais e internacionais de referência. É comissariada por João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Calouste Gulbenkian e por Alfonso Pleguezuelo, professor catedrático da Universidade de Sevilha.

No âmbito desta exposição está previsto um ciclo de conferências, no Auditório 3, às 18h00, de entrada livre:

4 novembro – Entre o Nilo e a Mesopotâmia. A alvorada do azulejo (4000-400 a.C.)
Annie Caubet, Conservadora Geral Honorária, Musée du Louvre, Paris

11 novembro – Azulejos Islâmicos
John Carswell, SOAS-School of Oriental and African Studies, Londres

18 novembro – Particularidades de um quadro de barro vidrado: o azulejo figurativo em Portugal
Ana Paula Rebelo Correia, FCSH-Universidade Nova de Lisboa / ESAD-FRESS

25 novembro – O Real Alcázar de Sevilha. Casa de Azulejos
Alfonso Pleguezuelo, Universidade de Sevilha

A exposição pode ser vista, na sala de exposições temporárias da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, até 26 de janeiro de 2014, de terça feira a domingo entre as 10h00 e as 18h00. O bilhete de acesso à exposição custa 6 euros. Há descontos para jovens, seniores e outros. A entrada é gratuita para crianças até aos 12 anos e aos domingos, para o público em geral.

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