O Evangelho Segundo Pilatos estreia no Teatro da Comuna

Evangelho segundo PilatosReportagem de Tânia Fernandes

Estreia hoje, no Teatro da Comuna O Evangelho Segundo Pilatos. A história que todos conhecemos e que marcou o início da nossa civilização, é aqui vista de um outro prisma: o de Pôncio Pilatos, considerado o carrasco de Jesus. Vão ser as suas impressões, reações e análises à sucessão de factos cronológicos a dar-nos conta de uma mudança que vai afetar toda a humanidade.

Juízos de valor á parte, não encontramos aqui lugar para culpados ou inocentes. Somente a aflição e sofrimento de um homem que se viu envolvido no culminar da passagem de Cristo na Terra e daí vê nascer uma força quase sobrenatural a unir os homens. “Pilatos é um homem romano, racional, frio, habituado a lidar com factos. A situação com que ele se depara é-lhe incompreensível e ele entra em negação. Ele percebe que há um homem a unir pelo amor, sem olhar a cor ou raça” descreve-nos Carlos Paulo, que veste o manto do protagonista. Para o ator, este é um texto que nos faz refletir sobre a forma como olhamos para o outro e a “caminhada que fazemos para nos conhecermos”. Faz ainda a ponte com a realidade atual e “a forma como nos estamos a dividir novamente: judeus, islamitas…”. Assinala a força que fez surgir a religião cristã, através do testemunho oral, referindo que “só os primeiros seguidores, mais tarde, é que puseram os dogmas por escrito”. Facto rebatido por Pilatos durante a peça “Ele não deixou nada escrito. Só ensinou analfabetos”. Até que o procurador romano se vê confrontado com a conversão ao cristianismo da sua própria esposa, Cláudia, por quem tem elevada estima.

Ainda que o tema possa parecer denso, a linguagem é simples. O texto é do romancista e dramaturgo francês Eric-Emmanuel Schmitt e vai-nos abrindo constantemente janelas para questões ligadas com o lado humano. Será que tudo tem mesmo de ter uma explicação?

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O Evangelho Segundo Pilatos tem direção de J.M. Rodrigues e interpretação de Carlos Paulo e Hugo Franco. Vai estar em cena no Teatro da Comuna até ao dia 23 de novembro, com sessões de quarta-feira a sábado às 21h30 e domingos às 16h00. Os bilhetes custam 10 euros. Às quartas e quintas-feiras têm preço único de 5 euros.

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