O Encantador Ney Matogrosso Com Bloco Na Rua

A 5 de novembro, a primeira de duas noites no Coliseu dos Recreios em Lisboa, revelou uma plateia insaciável para escutar (e para ver) o Ney Matogrosso no Bloco na Rua – o espetáculo da nova turné.

A voz e o corpo, que não dão sinais de cansaço, deram o encanto de sempre a um alinhamento diversificado e muito mais roqueiro.

Com uma vestimenta dourada, tipo armadura, coladinha ao corpo, Ney Matogrosso desvendou a cabeça coberta aos primeiros acordes do tema que deu o nome à turné:

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Seguiram-se reinterpretações de temas tão diversos como “Jardins da Babilónia”, “O Beco”, “Álcool (bolero filosófico), “Já Sei”, “Pavão misterioso”, “Tua Cantiga”, “Maçã”, “Yolanda”, “Postal do Amor”, “Ponta do Lápis”, “Tem Gente Com Fome”, “Já Que Tem Que”, “Último Dia” e “Sangue Latino”, este último a tentar fechar o concerto depois do único tema inédito (“Inóminável”).

Exuberante e sensual, Ney Matogrosso cantou e bailou, cantou e fez pose, fez pose e sentou, sentou, fez pose e cantou, cantou, fez pose e abanou, recebeu os aplausos de braços abertos, mereceu todas as ovações e os olhos arregalados que o seguiam.

Foram precisos dois encores para a plateia desmobilizar. O primeiro trouxe “Como Dois e Dois”, “Coração Civil” e “Mulher Barriguda”. No segundo, para sossegar as expetativas, Ney Matogrosso avisou “Só tem uma, não tem mais não. Esta é uma surpresa que eu botei no show aqui”. E terminou em beleza, com o “Poema” do Cazuza, saciando as almas:

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo.

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