O Desfile De Um Sonho Com Corteo Do Cirque Du Soleil

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Pode um cortejo de funeral ser uma experiência divertida? Todos aqueles que passaram ontem, pela Altice Arena, para a assistir à primeira apresentação de Corteo do Cirque du Soleil vão dizer, com toda a convicção, que sim. Alegre, capaz de fazer rir, mas também de proporcionar uma viagem, em modo de sonho, de uma beleza extraordinária.
A primeira impressão, quando se entra no recinto é de grande proximidade com o palco. Neste espetáculo, a Arena é dividida ao meio, com o palco a atravessar o recinto no sentido longitudinal. O público está frente a frente, com os artistas no meio. A orquestra encontra-se distribuída  pelos quatro cantos do palco e não deixa de ser surpreendente a capacidade de sincronização, entre músicos  – que não se vêm – e acrobatas em suspensão.
As cenas passam-se mesmo à frente de quem assiste. Uns mais em baixo (plateia), outros mais em cima (balcões) tem uma visão global do que acontece em palco e desta vez, é mesmo ali que se centra toda a acção.
O enredo é revelado logo nos primeiros minutos. Há um palhaço – Mauro -, que imagina o seu próprio funeral. Mas não estamos numa cerimónia de despedida tal como a conhecemos. Corteo, que quer dizer cortejo em italiano, é uma alegre procissão, um desfile festivo, quase carnavalesco, imaginado por um palhaço. O espetáculo reúne a paixão de um ator com a graciosidade e o poder de um acrobata que mergulha o público num mundo de divertimento, comédia e espontaneidade, situado num misterioso espaço entre o paraíso e a terra.
De todos os espetáculos do Cirque du Soleil que já passaram por Lisboa, Corteo não será o que traz números mais desafiantes, ou atuações com um nível técnico mais arrojado. Mas compensa em beleza visual e em capacidade de gerar empatia com o público. São apresentadas coreografias relativamente simples (sempre num patamar de técnica supreendente, com etiqueta Cirque du Soleil) mas que geram emoções e uma ligação forte entre o público e os personagens que atuam. A elegância dos movimentos e a destreza da sua execução, é patente nos atos que nos prendem a respiração. Há segurança naquilo que é apresentado, mesmo quando vemos um homem a subir uma escada sem apoio, ou admiramos os músculos contraídos e firmes da bailarina que faz pole dance em suspensão.
A música, tocada ao vivo, tem um toque europeu. Há momentos com ritmo flamenco, um toque de romance italiano, mas também música feita partir de taças de cristal, a propagar vibrações carregadas de boas energias. Escuta-se, mas também se sente.
Os momentos cómicos, que intercalam as acrobacias, são peças chave deste enredo. Há uma cena hilariante em que Vitório, o gigante, tenta jogar golfe com uma bola/ cabeça humana; assiste-se a uma desconstrução de “Romeu e Julieta”; e há um número de trampolins que combina duas camas e artistas com roupa de dormir.
Um dos momentos mais especiais deste espetáculo, é quando uma das personagens, Valentina, saltita sobre o público – com a ajuda de balões gigantes cheios de hélio. As pessoas são mesmo encorajadas a guia-la nesta viagem. Com as mãos, dão um pequeno impulso nos seus pés, na direção pretendida.

Os Bastidores

Visitámos os bastidores, no dia da estreia em Lisboa. Maxwell Batista, o assessor de imprensa de Corteo, deu-nos uma ideia muito concreta da forma como tudo funciona. As inúmeras possibilidades de entrada de artistas em palco, as zonas de treinos subjacentes ao palco principal, que fazem parte das rotinas diárias dos artistas. Pudemos ainda assistir à azáfama das pessoas responsáveis pela manutenção do guarda roupa e da capacidade que esta equipa tem de substituir qualquer peça, desde vestuário a calçado.
Espreitámos ainda a caixa mágica de maquilhagem, de onde provém os materiais utilizados por cada um. Soubemos que esta é uma componente importante da formação de cada artista. Além de aulas de canto e dança, todas as pessoas que integram a equipa do Cirque du Soleil aprendem a fazer a sua própria pintura facial, que pode demorar entre quarenta minutos a hora e meia. Neste espetáculo, a caracterização é relativamente simples, uma vez que é realçado o lado humano. Ainda assim, cada artista tem a sua própria caixa de maquilhagem, composta por referencias específicas. Em Corteo, só o palhaço branco necessita de mais tempo nos preparativos. São mais de 30 passos até ficar pronto.
Corteo arrancou ontem em Lisboa e estará na Altice Arena, até dia 12 de janeiro. Esta produção criada por Daniele Finzi Pasca, estreou em Montreal, em formato tenda, em abril de 2005 e desde então já foi visto por mais de nove milhões de pessoas, em 19 países, de quatro continentes. A equipa é constituída por 52 artistas e cerca de 60 técnicos que fazem o espetáculo acontecer.

Devido à elevada procura de bilhetes por parte do público, Corteo do Cirque du Soleil, irá contar com uma sessão extra, no dia 10 de Janeiro, às 17h30, passando agora a existir 14 sessões deste espetáculo. Os bilhetes para a nova sessão já se encontram à venda nos pontos de venda oficiais.

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