Nova Rodada De Concertos Dos Ujos Encetada Em Lisboa

Reportagem de Madalena Travisco (Texto) e Joice Fernandes (Fotos)

Nesta segunda ronda de concertos nos coliseus e já depois de terem passado pela invicta, a dupla António Zambujo e Miguel Araújo voltou a apresentar-se no Coliseu dos Recreios em Lisboa a 27 de setembro numa proeza que ainda não acabou… Este foi tão só o vigésimo terceiro concerto e os Ujos ainda regressam à mesma sala nos dias 28 e 30 de setembro e nos dois primeiros dias de outubro.

Uma maratona para dois amigos, duas vozes, várias guitarras, um contrabaixo e um piano. Num cenário de andaimes com luzes suspensas e escadotes, os gemidos das cordas de Miguel Araújo anunciaram um “Foi Deus” que lhes deu as vozes com que cantaram e contaram muitas estórias, “(…) a correr contra a corrente assim de trás prá frente a voltar à fonte”, como diz a “Recantiga” de Miguel na voz do António.

Os Ujos dividiram e partilharam canções dos próprios e temas de outros compositores que os inspiraram ao longo da vida. As modinhas alentejanas do Zambas e a música tradicional de Águas Santas da Maia, ou na falta desta, um “American tune” de Simon & Garfunkel.

A inspiração nacional contempla músicas tradicionais de todo o país (e arredores). A propósito de uma senhora que veio de Toronto assistir ao concerto, António Zambujo recordou há lá uma comunidade muito grande dos Açores e foi o mote para “Chamateia”, uma canção popular açoriana.

Dois fados de Max – “De quem eu gosto” e “A Rosinha dos Limões” tiveram lugar no alinhamento desta noite antes do ritmado “E tu gostavas de mim” que Miguel escreveu para a Ana Moura que, por sua vez, leva o Boavista campeão a todo o mundo.

O Miguel, disse o António, é uma enciclopédia das novelas brasileiras e dessa inspiração trouxeram “Rancho Fundo”, “Luar do Sertão”, “Fascinação”, “De Volta Pró Aconchego” (num falsete estonteante de Miguel) e “Romaria”:

É de sonho e de pó
o destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
sobre o meu cavalo (…).

De volta à música portuguesa, houve novos arranjos para “A Tua Frieza Gela” e “Readers Digest” antes da “Balada Astral” e “Flagrante”. A primeira ameaça do fim do concerto veio antes de “Os maridos das outras” com que acenaram e se despediram: “Muito obrigado. Boa noite a todos. Até à próxima”.

Ninguém demoveu e ao som dos aplausos juntou-se o ruído de sapateados descoordenados. Regressaram sorridentes. Juntaram-se ao piano e prometeram dois slows: O refrão de “Say you, say me” de Lionel Richie e um “Bohemian Rhapsody” dos Queen, muito cantado também pela plateia. Não foi a primeira vez que as vozes do público entoaram as canções dos ujos com todo o respeito.

Nas modinhas alentejanas foi moda.  Veio o “Anda Comigo Ver os Aviões” e “Lambreta” antes do pedido do segundo encore. Regressariam para um “Dona Laura”, “Valsa do vai não vás” e a bela “Gotinha d’água”.

(…)Alguma gota há-de haver/ para molhar a garganta
Quero cantar como a rôla/ Quero cantar como a rôla/ como a rôla ninguém canta.

Pois que os ujos cantam melhor.

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