NOS Primavera Sound 2017 – A Edição Com Maior Afluência De Sempre

Entre 8 e 10 de junho, perto de 90 mil pessoas passaram pelo Parque da Cidade do Porto para mais um NOS Primavera Sound. A sexta edição do festival arrancou ao final da tarde de quinta-feira – ainda a meio gás, apenas com dois palcos em funcionamento, mas sendo a quinta-feira mais concorrida de todas as edições – com o português Samuel Úria.

O músico trouxe ao festival Carga e Ombro, o mais recente disco, editado em 2016, e temas como “Lenço Enxuto”. Aos poucos, o NOS Primavera Sound começava a ganhar forma e as coroas de flores e as toalhas amarelas ao xadrez voltavam a trazer ao recinto a decoração que lhe é característica, todos os anos, durante três dias memoráveis.

No palco ao lado, a dream pop dos americanos Cigarettes After Sex, que já haviam estado em Portugal o ano passado no Vodafone Paredes de Coura, reuniu um grupo de festivaleiros. O concerto melancólico embalou o público ao som de canções como “Dreaming of You”, “Starry Eyes”, “Nothing’s Gonna Hurt You Baby” e “Sunsetz”, tema do novo disco lançado este mês.

No mesmo dia passaram pelo festival Rodrigo Leão, que voltou a partilhar o palco com o australiano Scott Matthew, o funk contagiante de Miguel, o hip-hop dos Run the Jewels, Arab Strap e o universo cósmico de Flying Lotus mas foi com os Justice, cabeças de cartaz, que se deu o ponto alto do primeiro dia do festival. A dupla francesa de música eletrónica encerrou a noite com o público completamente rendido à sua potência sonora.

A sexta-feira ficou marcada pela maior enchente de sempre no festival para o grande chamariz desta edição: o americano Bon Iver. Justin Vernon e a sua banda trouxeram ao festival uma das poucas atuações de apresentação de 22, A Million na Europa, num dos momentos mais intimistas e de grande comunhão com o público, talvez demasiado numeroso para o tipo de concerto.

Apostando em novas influências, mais eletrónicas e experimentais, o músico não deixou de revisitar “Holocene”, “Minnesota, WI” ou “Calgary” terminando com uma versão acústica do tão esperado “Skinny Love”. Foi um dos momentos mais memoráveis do festival mas, uma horas antes, Angel Olsen tinha, no mesmo palco, oferecido ao público um belíssimo concerto merecedor de um horário mais nobre.

A fragilidade das suas composições e as melodias folk, fazem de Angel Olsen uma das artistas mais distintas da sua geração. A americana trouxe ao Primavera My Woman, o brilhante disco editado o ano passado, repleto de temas pessoais e emoções genuínas, capazes de comunicar diretamente com cada um dos seus ouvintes. A história do segundo dia do festival fez-se também com o rock psicadélico de King Gizzard & The Lizard Wizard e a electrónica sonhadora de Nicolas Jaar.

O terceiro, e último dia, teve como cabeças de cartaz os britânicos Metronomy. Num concerto onde as probabilidades de se sair desiludido eram bastante altas, os Metronomy surpreenderam com uma energia inesgotável, transformando o Parque da Cidade numa autêntica pista de dança. Numa fusão entre a pop e a eletrónica e o som dos sintetizadores, a banda teve como ponto de partida o último disco “Summer 08”, tocando, sem pausas, uma lista infindável de êxitos como “Love Letters”, “Everything Goes My Way”, “The Look”, “Reservoir” e “The Bay”. O público rendeu-se e este foi um dos momentos mais festivos desta edição.

Antes, ao final da tarde, o palco foi do samba com o espetáculo da “mulher do fim do mundo”. A brasileira Elza Soares deu voz a questões sociais, raciais e políticas através de temas como “Mulher do Fim do Mundo”, “Coração do Mar” ou “Maria da Vila Matilde”.

A eletrónica de Aphex Twin fechou o festival que já tem data marcada para o próximo ano: o NOS Primavera Sound regressa em 2018 ao mesmo local nos dias 7, 8 e 9 de junho.

À sexta edição, o NOS Primavera Sound recebeu a maior enchente de sempre, com lotação esgotada no dia de Bon Iver. Apesar das naturais filas na zona da restauração e casas de banho, o festival mostrou-se à altura do desafio mantendo a segurança e o conforto. Seis anos depois da estreia no Porto, é seguro dizer-se que o NOS Primavera Sound tonou-se um festival de referência na Europa, atraindo cada vez mais estrangeiros e portugueses. O maior desafio será, a partir de agora, manter a popularidade sem perder a identidade que o torna tão especial.

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