NOS Primavera Sound 2015: A Edição Mais Concorrida de Sempre

nos10Reportagem de Sandra Mesquita (Texto e Fotos)

Mais uma vez o Parque da Cidade do Porto encheu-se para uma verdadeira festa de primavera, o NOS Primavera Sound viveu este fim de semana a sua edição mais concorrida de sempre, segundo a organização, com cerca de 77 mil pessoas, de mais de quarenta nacionalidades diferentes passarem pelo Parque durante os três dias de festival.

A quarta edição portuense do NOS Primavera Sound arrancou na passada quinta-feira, 4 de junho. Num dia ainda a meio gás, com apenas nove concertos, destacaram-se as atuações de Patti Smith, Mac Demarco e FKA Twigs.

Às 17h00, Bruno Pernadas deu as boas vindas aos primeiros festivaleiros a chegar ao Parque da Cidade, com belíssimos arranjos numa viagem pelas sonoridades jazz e folk. How can we be joyful in a world full of knowledge é o mais recente projeto do músico multi-instrumentista e conta com a participação de elementos de diversos grupos, entre eles os You Can’t Win, Charlie Brown que atuaram no Primavera Sound em 2014.

Às 20h00 surgia o primeiro conflito de horários com Mac DeMarco e Patti Smith a atuarem em simultâneo. O palco Pitchfork iria receber Patti Smith para uma interpretação em formato acústico e “spoken word”, naquele que seria o primeiro de dois concertos da norte-americana no festival. Decidimo-nos por Mac DeMarco, o que acabou por revelar-se uma escolha acertada. O canadiano faz jus à fama de “enfant terrible”, com uma atitude de puto provocador em palco. Entre temas como “Salad Days”, “Blue Boy” e “Cooking Up Something Good”, o músico protagonizou vários momentos de folia divertindo o público com a sua atitude e voz singular.

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Às 21h10, FKA Twigs estreava-se em Portugal, naquela que acabou por ser a grande revelação da noite. A britânica brindou o público com uma performance hipnotizante, diferente de tudo o que temos visto até agora. A sua ascendência multicultural (é filha de pai jamaicano e mãe metade egípcia metade espanhola) aliada às danças sensuais que dão corpo a uma voz sussurrante conferem a FKA Tiwgs uma essência única. Não é à toa que “camaleão” e “alienígena” são as palavras usadas para descrever este fenómeno que merecia um palco maior no Primavera Sound.

Em formato best off, os norte-americanos Interpol, aguardados por muitos fãs, ficaram-se por uma atuação razoável, suportada pelo vasto repertório da banda mas marcada pelas falhas vocais de Paul Banks.

A noite encerrou com a eletrónica contagiante dos The Juan Maclean e Caribou, numa grande festa para os que, em pleno dia da semana, ainda não tinham abandonado o recinto.

O segundo dia do festival, sábado, ficou marcado pela maior enchente de sempre no festival. As colinas do Parque da Cidade receberam milhares que aguardavam pelo grande nome do dia: Patti Smith. A cantora e poetisa interpretou o álbum Horses, editado em 1975, com a mesma energia de há quarenta anos atrás.

Patti Smith conseguiu uma ligação única com o público, de várias gerações, para um momento histórico do festival. Durante o concerto, houve ainda um aviso durante a mudança do disco para o lado B. No final do espetáculo, Patti Smith revisitou, como não podia deixar de ser, os temas “Because The Night” e “Power To people”.

Antony Hegarty foi o segundo grande nome a subir ao palco principal do festival apoiado por uma orquestra de quase 50 músicos. De túnica branca e voz melancólica, o músico foi responsável por uma das experiências mais marcantes do Festival, pelo espetáculo em si mas também pelo cenário: um palco ao ar livre iluminado pelo luar numa espécie de ritual. Temas como “I am a bird now”, “You are my sister”, e “Hope there’s someone” foram interpretados com o filme japonês de 1973 “Mr. O’s Book of the Dead”, de Chiaki Nagano, a servir de pano de fundo. Infelizmente, este espetáculo requeria silêncio absoluto por parte do público, o que acabou por não acontecer.

Antes, os escoceses Belle & Sebastian protagonizaram um dos concertos que mais cativou o público. Ao som de temas como “The Party Line” e “Nobody’s Empire” do novo álbum, e alguns mais antigos, a pop juvenil da banda levou os festivaleiros a dançarem como se tivessem novamente 16 anos. Despreocupados com a perfeição, os Belle & Sebastian conseguem comunicar com o público sem dificuldades envolvendo todos os presentes numa grande festa entre amigos. No final, a plateia “invadiu” o palco num espetáculo que não deixou ninguém indiferente. E a noite continuou com Ariel Pink, Jungle, e Run The Jewels.

O terceiro e último dia do festival contou com um convidado especial: o Sol, num dia que pareceu de verão. Os casacos deram lugar aos calções e aos vestidos, e o ambiente do festival estava, finalmente, completo.

nos_primaverasound_5O primeiro a subir ao palco foi o portuense Manel Cruz, ex-Ornato Violeta, que revisitou temas dos vários projetos que integrou perante um público bastante interessado, não fosse este um dos nomes mais importantes da música alternativa portuguesa.

Mais tarde, os californianos Foxygen deram um dos concertos mais alucinantes do festival onde não faltou a energia contagiante e uma loucura desmesurada. A dupla indie pop subiu ao palco na companhia de três bailarinas numa interpretação teatral e atitude rock and roll. À semelhança de FKA Twigs, o palco Super Bock Super Rock pareceu pequeno para um espetáculo tão bom.

Ao anoitecer, a guitarra e a voz inconfundível de Damien Rice foram suficientes para ocupar o palco principal do NOS Primavera Sound. A folk intimista e emotiva do irlandês deixou rendidos os vários espetadores que ouviam o concerto sentados na colina do Parque da Cidade. Durante o espetáculo foram ouvidos temas como “Delicate”, “The Box”, “Cannonball” ou “Wild and Free” mas foi “The Blower’s Daughter” o momento alto.

Em 2016, o festival regressa nos dias 9, 10 e 11 de junho.

 

 

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