NOS Alive – Encontro De Gerações No Primeiro Dia

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Snow Patrol

No primeiro dia de NOS Alive 2018 ouviu-se música para todas as idades. Dos temas que aqueciam as pistas de dança, nos anos oitenta, pela voz de Bryan Ferry às que aquecem agora o coração das adolescentes, por Khalid. Da disrupção que foi, nos anos noventa, o som industrial dos Nine Inch Nails à sonoridade inovadora e rebelde de Jain. Sentir o amor cantado na melancolia das canções bonitas dos Snow Patrol ou na corrosão do rock de Wolf Alice. A noite estendeu-se com o longo concerto dos Arctic Monkeys, que vieram mostrar os seus novos trilhos sonoros.

Com a lotação completamente esgotada, e apesar de ser dia de semana, o recinto cedo se compôs de caras sorridentes, coloridas por adereços dos patrocinadores do evento. Miguel Araújo abriu o palco principal e não foi difícil encontrar quem o acompanhasse na letra de “Marido das Outras”. Miguel Araújo, que se tem destacado como compositor, letrista e cantor, trouxe a este palco a música portuguesa, num cartão de boas vindas a tantos estrangeiros que circulam neste festival.

Do outro lado do recinto, Jain foi uma das grandes surpresas do dia. A cantora, mas também performer, trouxe um som multicultural a este palco que conquistou logo à abertura. A cantora francesa, de 26 anos, já viveu em diferentes pontos do globo e sintetiza essas suas experiências na musica que faz. Encontrámos desde um toque oriental na forma como dança, à força do ritmo quente da linha do Equador. Sozinha em palco, apenas com um balcão alto, a partir de onde fez sair a combinação de sons que a acompanharam, a cantora deu um espetáculo incrível sozinha. “Heads Up”, “Alright” e “Makeba” fizeram parte deste alinhamento.

Regressamos ao lado do rio. Os cabelos grisalhos dominam a plateia que, atenta, segue um dos ídolos da sua juventude. O senhor Bryan Ferry (e quase fazemos uma vénia ao pronunciar o nome) trouxe um alinhamento feito essencialmente de músicas dos Roxy Music. Com uma apresentação impecável, o cantor mantém a pose sedutora. Sobe o braço, com o dedo indicador no ar, semicerra os olhos e dá um toque na anca ao ritmo da música. “Slave to love… oh ooh oohh”. Aos 72 anos de idade, não mostra sinais de interesse na reforma.

Aos comandos de Wolf Alice está a cantora e compositora de 25 anos Ellie Rowsell. Uma figura aparentemente frágil que cresce em fúria ao som da guitarra, muito em cumplicidade com o baixista Theo Ellis. A banda londrina veio apresentar o segundo registo de estúdio Visions of a Life. Poses animalescas em palco, com um som vibrante a acompanhar.

O corrupio entre palcos faz-nos parar no Clubbing. D’Alva tem o público na mão, aos saltos, frente ao palco, com uma combinação músicas de hiphop que todos conhecem e cantam. Combina Drake com Blaya, mas o propósito é mesmo o de por todos aos pulos a dançar.

A banda liderada por Trent Reznor era uma das mais esperadas da noite. O regresso dos Nine Inch Nails trouxe não só novos trabalhos como os êxitos que os consagraram. Houve espaço ainda para “I’m Afraid of Americans” uma cover de David Bowie e despediram-se com “Hurt”.

Da música industrial passámos para um ambiente de festa com os Friendly Fires. Depois do sucesso dos dois primeiros discos, a banda inglesa começou já a trabalhar num novo álbum. No NOS Alive deu-nos a conhecer um dos novos temas, “Can’t Wait Forever”. Ed Macfarlane canta, toca e dança por todo o palco, numa espécie de transe com o qual contagia todos. 

Snow Patrol, uma das bandas de referencia do rock internacional, regressaram ao palco, onde atuaram há sete anos. Trouxeram novos temas, do recém editado Wildness. Abriram com um doce “Chocolate” e saltaram logo para “Called Out in the Dark”. Os agradecimentos à resposta do público foram chegando na língua portuguesa, com uns “Obrigado”. Depois de “Crack the Shutters” apresentaram um dos novos “Don’t Give In” que era já do conhecimento da maioria dos presentes. Mas o primeiro grande coro de vozes da noite, entrou com o melancólico “Run”. “Lisboa, estamos felizes de estar aqui” foi um dos agradecimentos que nos deixaram. O ciclo de êxitos fechou com “Shut Your Eyes”, “Chasing Cars” e “Just Say Yes”. Em jeito de despedida, deixaram o recado “para o ano voltamos a ver-nos”. O regresso já está marcado para o dia 16 de fevereiro.

No palco Sagres, foi ensurdecedora a receção a Khalid. O artista revelação tem apenas 20 anos e uma coleção de prémios capaz de fazer sombra a muitos músicos veteranos. Com fortes raízes no R&B,  Khalid faz a festa com uma boa combinação de pop, à qual não faltaram umas coloridas bailarinas. A tenda transbordou de gente para acolher toda a euforia por este cantor. “Saved”, “Young Dumb & Broke” e “Silence” (um tema que partilha Marshmello) foram das mais aplaudidas pelo público. 

Em fogo também chegou ao lado, ao palco Clubbing, com a atuação dos Paus que trouxeram convidados especiais: os amigos Holly Hood. Uma combinação digna de fazer abanar a tenda!

Arctic Monkeys, a banda de Sheffield liderada por Alex Turner regressou com Tranquility Base Hotel & Casino. Um novo trabalho, que vincou outro rumo na carreira da banda. A criatividade estendeu-se a novas sonoridades, mais profundas e contemplativas. Com uma imagem mais cuidada, a banda descolou-se do figurino rock e limpou também o som que os caracterizava. 

O público acabou por ir desmobilizando. Muitos possivelmente só presos pela vontade de ouvir, lá mais para o fim, as eternas “Do I Wanna Know?” ou “I Bet You Look Good on the Dance Floor”. Fecharam com “R U Mine?” Uma pergunta que deixou algumas reticências.

No segundo dia de NOS Alive, o cartaz pede nova ronda entre palcos. Há uma alteração de última hora: o cancelamento dos The Kooks, por motivo de doença do vocalista, que vão ser substituídos pelos Blossoms. Confirmados estão The National, Queens of the Stone Age, Two Door Cinema Club, Portugal.The Men,  Tag N Boné Man e Future Islands, entre outros.
Os bilhetes já se encontram esgotados.

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