NOS Alive – Do punk eletrónico dos The Prodigy ao transe de graves de James Blake

The Prodigy
The Prodigy

O punk eletrónico dos The Prodigy encerrou o palco principal na segunda noite de NOS Alive. Pelo Festival passaram também os Mumford & Sons, Sheppard, Future Islands, Capicua, Batida, Bleachers e James Blake entre outro nomes, numa noite em que a afluência foi menor e circular no recinto voltou a ser um prazer.

Nomes nacionais a marcar presença nos palcos e a atrair as atenções não deixa de ser de assinalar, atendendo à quantidade de estrangeiros que marcam presença neste festival.

The Blasted Mechanism subiram ao Palco NOS com os seus fatos e instrumentos originais a mostrar um novo trabalho, Egotronic, mais eletrónico do que tribal. Do palco Heineken, a primeira conquista do final da tarde: Bear’s Dean. A empatia com esta banda britânica de folk foi tão grande, que quando o concerto terminou, os músicos desceram ao pé dos fãs para receber abraços e tirar fotografias.

Ainda neste palco, segue-se a voz grave e potente de Cold Speaks a pedir um copo na mão para acompanhar, enquanto se aprecia este bom momento, no final de tarde quente. São muito os que fazem deste festival uma espécie de carnaval. E numa altura em que os tapetes estão repletos de gente a descansar é relativamente fácil identificar os personagens que circulam e impossível não dar algumas gargalhadas.

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De regresso ao palco NOS enfrentamos a fúria dos Marmozets que abrem com “Move Shake Hide”. “Let’s have a Great fuckind day!” repete a vocalista Becca Macintyre em tom de desafio. Um punk rock que põe a plateia a dançar freneticamente.

The Bleachers, uma das grandes e boas surpresas deste cartaz. Deram um grande concerto e merecem bilhete de regresso rapidamente. Começaram de forma algo humorística, com uma entrada ao som de “Tomorrow” do musical Annie, arrebataram os instrumentos em pose vitoriosa e abriram com “Like a River Runs”. Quando avançam para o segundo tema, o público já é deles. Esta banda americana de indie pop liderada por Jack Antonoff tem uma boa coleção de temas que entram facilmente no ouvido e pedem para ser cantados. A simpatia e a forma como o vocalista se dirige ao público é constante, mas mais evidente quando ele diz “Olá Lisboa, not Lisbon!”. “Shadow”, “Reckless Love” a culminar numa versão do tema “Go Your Own Way” celebrizado pelos Fleetwood Mac.

No Clubbing é Capicua quem brilha com a sua atitude a puxar pelo público com temas como “Vayorken” e “Barulho”. Os australianos Sheppard, no Palco NOS, animam os que atrasaram o jantar. Todos querem dançar ao som de “Geronimo”, mas vão ter de esperar, pois o tema ficou para o encerramento da atuação. A verdade é que os irmãos George, Amy e Emma Sheppard, se esforçaram por tornar esta passagem por Lisboa inesquecível.

Já os Mumford & Sons não fizeram esperar ninguém ao avançar com “I Will Wait” à segunda jogada. Coro gigante a acompanhar, uma das bandas mais simpáticas da noite. “Temos boas memórias deste festival, por isso tínhamos mesmo de voltar!” admite Marcus Mumford. O banjo, piano e guitarra acompanham “Bellow My Feet”, “Lover of The Night”, “Hopeless Wanderer” mas também temas do mais recente trabalho Wilder Mind como “Believe”.

Future Islands é outro dos nomes aguardados da noite. É grande a multidão que aqui se concentra no início do concerto. Em palco temos Samuel Herring, um cantor, mas acima de tudo um performer, que canta, oscilando o tom de voz do melodioso ao death metal, e dança frenética e surpreendentemente. A banda passou pelos temas do último álbum, Singles: “A Dream of You and Me”, “Sun in the Morning”, Before the Bridge”  e um muito esperado “Seasons”. Ninguém ficou indiferente a este concerto.

No Clubbing é Batida, o projeto de Pedro Coquenão que se faz ouvir. Rádio, televisão, dança e muito ritmo a contagiar o público neste espaço.

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Nova concentração de festivaleiros frente ao palco NOS para assistir à descarga brutal de som e luz dos The Prodigy. “Breathe” a arrancar sem deixar de fora “Voodoo People” e “Smack My Bitch Up”. É daqueles concertos que não se confundem. Se chegasse ali alguém de surpresa, mesmo na pouco plausível hipótese de não saber quem estava em palco, reconheceria de imediato os The Prodigy. E apesar da banda ter sido criada em 1990, os britânicos Liam Howlett, Keith Flint e Leeroy Thornhill não dão sinais dos estragos da passagem de tempo, atuando com grande vitalidade. Não há tempo para um bocejo aqui, e pela primeira vez neste festival, faz-se sentir a poeira no ar.

Do lado oposto do recinto, reina a calma com James Blake. Uma tranqulidade monocórdia, com o nível de graves a abalar a caixa toráxica, ao ponto de ser difícil respirar. “Limit to Your Love” foi reconhecido aos primeiros acordes e acompanhado em coro pelo público. Faz música com samples da repetição infinita da sua voz numa espiral hipnótica.

O NOS Alive avança hoje para o seu último dia com HMB, Counting Crows, The Jesus and The Mary Chain, Sam Smith, Chet Faker e Disclosure. Ainda há bilhetes à venda para este dia pelo valor de 55 euros.

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

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