Museu Calouste Gulbenkian Dedica Exposição A Manon De Boer

A partir de hoje, dia 31 de janeiro, a artista holandesa Manon de Boer, que tem marcado presença nas Bienais de Veneza, Berlim, São Paulo e na Documenta de Kassel, apresenta-se no Espaço Projeto do Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com quatro trabalhos poéticos e críticos sobre o processo criativo e a liberdade da experimentação. Ao mesmo tempo, a Coleção Moderna exibe um novo percurso expositivo, que envolveu a mudança de 80 obras, que tem como linha condutora os artistas em viagem, em que se destacam as recentes aquisições e doações.

O projeto Downtime/Tempo de Respiração da artista propõe um olhar sobre o tempo e o processo criativo, apresentando quatro filmes que abordam, de forma poética e crítica, o gesto e o momento da criação como um jogo permanente de construção e desconstrução. A exposição confirma o fascínio de Manon de Boer pelos momentos em que o tempo suspenso e a liberdade de imaginar e de agir permitem experimentar, explorar e criar, fazendo nascer qualquer coisa a partir de coisa nenhuma. A criação surge como um jogo de possibilidades, não submetido a um resultado ou à produção de valor, mas como um campo de liberdade e de potência. A exposição, com curadoria de Susana Gomes da Silva e Rita Fabiana, apresenta, pela primeira vez, a trilogia completa From Nothing to Something to Something Else, filmada entre 2018 e 2019 em Inglaterra, Portugal e Bélgica, com jovens entre os 16 e os 20 anos; e ainda o vídeo The Untroubled Mind, de 2016, que é já um ensaio sobre o jogo, a experimentação e a criatividade. Em The Untroubled Mind irrompe igualmente o tempo da infância, que na trilogia se prolonga até à adolescência, um tempo em que a tranquilidade e o desenvolvimento da sensibilidade, e como consequência da inspiração, estão mais presentes.

A Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian propõe um novo percurso expositivo, numa mudança que envolveu 80 obras, entre instalação, escultura, pintura, desenho e fotografia. Nesta renovação da coleção, destaca-se a apresentação de importantes doações feitas em 2019 de artistas portugueses, como Jorge Pinheiro, Maria Gabriel e David de Almeida, e novas aquisições, também feitas em 2019, com a montagem de peças de Rosa Carvalho, Ana Léon, Ana Jotta, Mónica de Miranda ou Eugénia Mussa.

Com destaque para a figura tutelar de Maria Helena Vieira da Silva, numa sala dedicada a um importante núcleo da sua obra gráfica (agora exposta pela primeira vez na Coleção Moderna), destaca-se um conjunto de 17 gravuras, desde o buril e a água-tinta até às séries de litografias e serigrafias.

Partidas e Chegadas – artistas em viagem percorre as galerias da exposição da Coleção Moderna onde encontramos histórias de viagens e viajantes, mas também relações fictícias entre olhar e paisagem, com destaque para as fotografias de Augusto Alves da Silva e António Júlio Duarte.

A condição de estar fisicamente e/ou metaforicamente “fora do lugar” e o confronto entre mobilidade e imobilidade são os pontos de partida para este percurso expositivo que abre com a obra de António Ole, Hidden Pages, Stolen Bodies, instalada no hall do museu, enunciando o tema da escravatura, associada à violência colonial e ao encontro das culturas europeias e africanas.

Apresentam-se também obras que João Cutileiro, Menez ou Lourdes Castro produziram, quer em Londres, quer em Paris quando bolseiros da Fundação Gulbenkian.

Na grande vitrina do piso inferior, é dado destaque aos catálogos da Vieira da Silva, bem como a catálogos de exposições individuais do KWY, nos anos 60, assim como de Manuel Cargaleiro e Fernando Lemos, num conjunto substancial de publicações pertencentes à Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

A exposição pode ser vista até dia 13 de abril de 2020, de quarta-feira a segunda-feira, entre as 10h00 e as 18h00. A entrada é livre.

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