Museu Arpad-Szenes – Vieira Da Silva Celebra 25 Anos Com Três Novas Exposições

O Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa, celebra, este ano, o vigésimo quinto aniversário de abertura ao público. E é no âmbito desta celebração que, a par das obras de Maria Helena Vieira da Silva, o museu apresenta três novas exposições, todas inauguradas a 21 de março. São elas A Metade Do Céu, Lusofolia – A Beleza Insensata e O Jardim-Bosque.

A grande exposição de celebração é A Metade Do Céu, com curadoria do artista plástico Pedro Cabrita Reis, que estará patente até ao dia 23 de junho.

A exposição reúne exclusivamente obras realizadas por mulheres artistas portuguesas, oriundas das mais diversas áreas do pensamento e da criatividade, e cujos trabalhos estão situados num arco temporal de produção situado entre meados do século XX e a atualidade. Serão apresentadas obras de 60 artistas, do Barroco de Josefa de Óbidos à contemporaneidade de criadoras como Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Lourdes Castro, Menez e Graça Morais, Ana Hatherly, Adriana Molder, Filipa César, Ana Jotta, Joana Vasconcelos, ngela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Graça Costa Cabral, Leonor Antunes, Sofia Areal e Clara Menéres.
O artista propõe uma exposição coletiva “inteira e declaradamente liberta de qualquer condicionalismo temático, desprovida de uma narrativa curatorial e que se quer, aliás, alheia ao artifício discursivo” e foi buscar o título da exposição a uma expressão atribuída ao líder chinês Mao Tsé-Tung, segundo o qual toda e qualquer mulher sustenta “A metade do céu”.
Pedro Cabrita Reis traz ao Museu Vieira da Silva “uma importante seleção de obras pelo seu caráter pluridisciplinar”, convocando o desenho e a pintura, a escultura e a instalação, a fotografia e o vídeo.
Esta exposição “perscruta o lado lunar de cada artista, dando a ver, sempre que possível, o que menos se espera dela – uma ou outra obra não tão frequentemente mostrada, talvez até desfasada, de algum modo inusitada”. É o caso de Menez, Ana Hatherly e Helena Almeida.
“A metade do céu traduz uma certa ânsia pelo estremecimento do desvio epifânico, dessa queda absolutamente primordial. Por certo, mesmo a mais ilustre e estudada artista é aqui apresentada para e na iminência de ser redescoberta, uma e outra vez, pelo olhar contemporâneo”.
Ana Isabel Miranda Rodrigues, Ana Pérez-Quiroga, Catarina Leitão, Fátima Mendonça, Graça Pereira Coutinho, Luísa Correia Pereira, Patrícia Garrido, Rita GT, Rosa Carvalho, Salomé Lamas, Sara & André, Sara Bichão, Sarah Affonso, Susanne Themlitz, Túlia Saldanha e Vanda Madureira são outras artistas que estarão representadas na exposição.

Também na mesma data foi inaugurada a exposição Lusofolia: A Beleza Insensata, com curadoria de António Saint Silvestre, patente na sala de exposições temporárias do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, até 12 de maio, organizada em parceria com o Centro de Arte Oliva, de S. João da Madeira, onde a coleção de Arte Bruta Treger/Saint Silvestre se encontra em depósito.
Nas palavras de António Saint Silvestre, “a Arte Bruta é a última descoberta artística do século XXI, a coqueluche das bienais, museus e feiras de arte internacionais, mas ainda não é popular em Portugal”. Os criadores de Arte Bruta portugueses, à exceção de Jaime Fernandes, ainda vivem numa “terra incógnita” e, por isso, Treger e Saint Silvestre decidiram reunir nesta exposição vários artistas “Brutos” do mundo lusófono, pondo em paralelo Portugal, Brasil e Angola, pela primeira vez apresentados em coletivo.
Nesta exposição são apresentadas obras dos portugueses Artur Moreira, Carlos Victor Martins, Jaime Fernandes, José Ribeiro, Manuel Bonifácio (que reside em Londres), os irmãos Manuel e Ana Carrondo, Rui Lourenço, Serafim Barbosa, Ti Guilhermina; dos brasileiros Albino Braz, Camilo Raimundo, Evaristo Rodrigues, Jesuys Crystiano, José Teófilo Resende e Marilena Pelosi, além de alguns desenhos de anónimos angolanos.
É a terceira vez que a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva acolhe a Arte Bruta da Coleção Treger / Saint Silvestre — do Centro de Arte Oliva, o único centro de arte que alberga uma coleção deste campo artístico na Península Ibérica.
Durante a exposição será exibido no Auditório do Museu um filme dedicado à Arte Bruta: Eternity has no door of Escape | Encounters with Outsider Art, do realizador Arthur Borgnis.
Será ainda lançado um catálogo sobre a exposição com textos de Stefanie Gil Franco e António Saint Silvestre.
A exposição estará em setembro de 2019, no Centro de Arte Oliva, em S. João da Madeira.

A exposição O Jardim Bosque, de Bárbara Assis Pacheco, também inaugurada dia 21 de março, na Casa-Atelier Vieira da Silva, vai estar patente até 23 de junho.
Há um jardim de uns amigos que lhe chamam “o bosque” e que ao longo dos anos tem vindo a ser criado por eles. Está sempre diferente, tem caminhos densos e zonas de clareiras, curvas e contracurvas que esticam o tempo de o percorrer e quase nos fazem perder. E apeteceu-me fazer qualquer coisa sobre isso. Este é o jardim-bosque como o vi há uma década. BAP, 2018

As exposições podem ser vistas de terça a domingo, entre as 10h00 e as 18h00. O preço do bilhete é de 5 euros, sendo gratuito para crianças até aos 12 anos e com descontos de 50% para estudantes, reformados, professores e Lisboa Card. As visitas guiadas são feitas de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e 17h00, com marcação prévia.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.