Miguel Araújo Aqueceu Para Sting Brilhar No Marés Vivas

Reportagem de César Castro

Na última noite do Marés Vivas, Seu Jorge, Miguel Araújo, Sting e Joe Sumner deram música aos festivaleiros, encerrando assim a 15ºedição do festival.

A abertura da última noite do Marés Vivas começou, ao contrário dos últimos dois dias, com toadas inglesas. Joe Sumner, filho do também inglês Sting, fez as honras da casa e abriu o palco principal do MEO Marés Vivas. Sumner apresentou-se a solo no mesmo dia que o pai, acompanhado da guitarra, de onde provinha uns melódicos e harmoniosos acordes que, no entanto, não foram suficientes para animar o público que, prostrado, assistia à agradável, mas repetitiva apresentação. As comparações de Sumner, que formou uma banda chamada Fiction Place, com o pai, Sting, foram inevitáveis. Só quando se ouviu o single “Jellybean”, o público parece ter despertado, mas foi sol de pouca dura. Ainda assim, destaca-se a boa disposição, a simpatia e a animação de Joe.

Com uma música de Ana Moura, “Fado Dançado”, Miguel Araújo continuou o caminho traçado por Sumner, com a diferença de que este não precisou de muitos acordes para cativar um mar de gente para o palco principal. Com mais 15 minutos de concerto do que o previsto, a pedido do próprio, Miguel reuniu um bom grupo de 25 mil pessoas para cantarem consigo célebres músicas como “Anda Comigo Ver os Aviões”, dos Azeitonas, “Dona Laura” ou os “Os Maridos das Outras”, ou seja, cantigas nada arrastadas, nem monótonas para soar o alarme festivo nos festivaleiros, jorrado com muitas palmas e jogos de luzes à mistura. Esta não foi a primeira vez que Miguel Araújo atuou no Marés, depois de ter estado em 2015 no festival.

Não muito mais tarde foi a vez de Sting subir ao palco, naquela que era a atuação mais esperada do dia. Com um repertório que permite que as pessoas soltem das suas gargantas as mais guturais vozes, Sting parece saber que as pessoas não gostam só de ficar a assistir, mas também de cantar e participar, como se de um coro afinadíssimo se tratasse a entoar os seus êxitos. “Englishman in New York” ou “Roxanne”, entre outros, foram alguns dos temas que levaram o público à loucura. Recorde-se que em novembro do ano passado, Sting lançou “57th & 9th”, o seu primeiro álbum pop-rock em 13 anos e que a sua última passagem por Portugal remonta a julho de 2015, altura em que atuou no Super Bock Super Rock, em Lisboa.

Seu Jorge agarrou o público de Sting que não desarmou até o brasileiro chegar, mas a missão de fazer com que esse mesmo público permanecesse na sua companhia ao som de alguns dos seus hits não foi fácil. Seu Jorge começou com “Burguesinha”, para animar o público, mas um hit não bastou para manter a audiência fiel à sua performance, que se prolongou por mais de uma hora e meia. Com altos e baixos, e com um Seu Jorge demasiado falador, “Amiga da Minha Mulher” e “É isso aí” revelaram-se os momentos mais intimistas do brasileiro.

Esta pode ter sido a ultima edição do MEO Marés Vivas na Praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia, onde o festival se realiza desde 2008. No próximo ano, o festival poderá ter outra localização, ainda não divulgada pela organização. Pela edição de 2017, estima-se que tenham passado 90 mil pessoas durante os três dias do evento para assistir a cabeças de cartaz como Bastille, Scorpions ou Sting.

Em conferência de imprensa, Jorge Silva da PEV Entertainment, promotora do evento, garantiu que o festival é o mais barato do circuito europeu e que, como tal, não se podem acomodar ao sucesso alcançado, pelo que as mudanças são, por vezes, inevitáveis.

Uma das novidades este ano foi o festival começar a uma sexta-feira e terminar a um domingo, ao invés do que aconteceu em anos anteriores. Uma aposta que, segundo a organização, foi muito bem conseguida.

O MEO Marés Vivas volta na terceira semana de julho de 2018, no fim de semana de 20 de julho, mas ainda não está definido se começa na quinta-feira ou sexta-feira. Também incerta é a nova localização, mas a organização e os responsáveis da autarquia vão tentar que seja próximo e junto à costa.

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