Metallica – Masters Do Terceiro Dia De NOS Alive

Reportagem de António Silva e Tânia Fernandes

Metallica
Metallica - Foto: Arlindo Camacho | NOS Alive 2022

Ao terceiro dia de NOS Alive 2022, o rock cresceu de tamanho em relação ao indie e o recinto vestiu-se de preto. Não se chorava a perda de um ente amigo. Celebrava-se o regresso que um dos maiores nomes do heavy metal: Metallica.

Grande maioria das pessoas que entraram o recinto, esta sexta-feira, envergava uma t-shirt dos Metallica. Formados em 1981, transportam toda a sabedoria de quem se profissionalizou, com sucesso no negócio da música. E tem conseguido manter-se no topo, apesar das grandes mudanças que esta indústria tem sofrido, nos anos mais recentes.
Conscientes de que o sucesso se constrói com base na relação próxima com o público, chamam-lhes família e tratam-nos com todo o carinho e atenção como quem cuida dos seus entes próximos.

Assim, a frente de palco recebeu, neste dia, alterações estruturais para receber aquelas pessoas que acompanham a digressão dos Metallica e estão dispostas a pagar mais pelo privilégio de assistir nas primeiras filas. Uma passadeira descia do palco principal e entrava na plateia, fazendo com que estes admiradores tenham podido assistir a um pequeno concerto 360, dentro do grande recinto do festival.

Depois, o talento, o carisma e aquela fórmula batida de músicas que entraram no ADN das pessoas e as acompanharam em momentos importantes da vida, fazem o resto. Tendências mais recentes, como a ligação a séries televisivas tem dado a conhecer os Metallica às gerações mais novas e consolidado a ligação com mais maduros. James Hetfield participou num episódio de Billions, a fazer de si próprio, com os protagonistas da série a irem assistir a um concerto de Metallica ou a recente inclusão na banda sonora de Stranger Things.

Lisboa foi o ultimo concerto da digressão europeia, onde já chegaram com muitas horas de prática. Um dos sucessos do concerto é a combinação de temas mais crus e com as guitarras a rasgar, com as baladas mainstream, que chegaram ao grande público e foram porta de entrada de muitos, em sonoridades mais pesadas. Assim, ainda com as luzes de palco apagadas, chega a intro dos AC/DC “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll)”. Como quem diz, “já aqui andamos há uns bons anos”. Depois ouve-se “The Ecstasy Of Gold”, de Ennio Morricone juntamente com o excerto do filme de Sergio Leone. A música é utilizada há anos, pelos Metallica como tema de abertura dos seus concertos.

“Whiplash” e “Creeping Death” são os primeiros temas que James Hetfield, Robert Trujillo,
Lars Ulrich e Kirk Hammett nos servem. Segue-se um doce logo de seguida, com “Enter Sandman”. Estes primeiros temas são tocados na plataforma mais baixa quase só para os fãs mais próximos e só com “Cyanide” é que sobem ao palco principal onde ficam visíveis para todo o público.

James Hetfield cumprimenta a família Metallica e promete oferecer um grande espetáculo. Um pouco por todo o recinto abrem-se clareiras de headbanging e o circo está a fogo com “Wherever I May Roam”, para acalmar de seguida com “Nothing Else Matters”. “Dirty Window” e “Sad but True” chegam antes da cover da canção tradicional irlandesa “Whiskey In a Jar”.

Em “For Whom the Bell Tolls” começam a aquecer com a pirotecnia. Há bolas de fogo a subir no palco e espreitam labaredas das torres laterais. No recinto, os braços estão esticados, com as mãos bem no ar e os refrões gritados com sentimento. A determinado momento, James Hetfield pergunta “Se estão a sentir”?. O público é heterogeneo, com grande mistura de tribos, mas a resposta é só uma: Todos estão a sentir e a vibrar com a música dos Metallica. “Seek and Destroy” chega antes do encore, com o vocalista a repetir, com o punho junto ao peito “You make us feel good”.

“One” e “Master of Puppets” em versão longa e bem explorada encerra um dos concertos mais espetaculares deste festival Alive.

Antes Anne Erin “Annie” Clark, mais conhecida pelo seu nome artístico St. Vincent deu um grande concerto no palco Heineken. O cenário montado fazia lembrar uma cidade, com recortes de prédios e nuvens ao fundo. Banda e coro distribuíram-se em posições diferentes, permitindo grande visibilidade a todos os elementos.

Annie Clark apresentou-se com um fatinho cor de rosa, de inspiração vintage e cabelos loiros pelo ombro, com as pontas enroladas. A cantora tocou guitarra, durante grande parte do concerto, e é interessante a dinâmica que cria em palco com o guitarrista Jason Faulkner. Pediu que todos levantassem os copos do que estavam a beber no ar, para brindar ao momento e, numa alusão aos últimos dois anos, ao facto de podermos estar todos de novo a assistir a um concerto.

Os Royal Blood regressaram ao NOS Alive, desta vez ao palco principal. A banda inglesa composta por Mike Kerr e Ben Thatcher passou pelo Passeio Marítimo de Algés para apresentar o seu mais recente trabalho Typhoons, editado em abril de 2021.

O palco principal, nesta sexta feira, abriu com uma estreia. Os ingleses Don Broco chegaram cheios de energia e com vontade de agitar as massas. Ao segundo tema, já procuravam organizar o público em círculos de moshpit. Rob Damiani, o vocalista demonstrou a sua felicidade por estar a atuar pela primeira vez em Portugal e neste festival. Mas admitiu também que ainda se estava a “beliscar” por atuar no mesmo palco que iria ser pisado, mais tarde, pelos Metallica.

Seguiu-se  AJ Tracey, o rapper, cantor, compositor e produtor musical britânico. Iniciou a sua da carreira em 2017, veio a Lisboa dar a conheceu o seu álbum homónimo de estreia.

Uma plateia maioritariamente de britânicos cantava e aplaudia entusiasmada a atuação dos Sea Girls, no Palco Heineken, ao início da tarde. A banda de indie rock, composta por Henry Camamile, Rory Young, Andrew Dawson e Oli Khan, estreou-se em terras lusas depois de ter sido muito aclamada pela crítica em 2019, e de ter dado nas vistas em festivais internacionais.

O terceiro dia do NOS Alive arrancou ao som dos norte americanos de Los Angeles, Alta Avenue, no palco Heineken.

O Clubbing que neste dia contou com vários nomes do hip hop começou por aquecer com HYPZ, um coletivo de músicos nacionais com afiliações a nomes de fortes do música nacional como Richie Campbell, PlutOnio, Nenny, Julinho KSD e Yuri Nr5. O grupo trouxe ao palco Clubbing um projeto no qual combinam um DJ set com live music. Assistiu-se, assim, a excertos de Hip Hop, Dancehall e Afro, numa viagem musical de apresentação.

Este sábado, último dia do festival, já não há bilhetes para venda. Para o último dia, o cartaz anuncia, para o palco principal Mother Mother (18h), Haim (19h20), Da Weasel (21h), Imagine Dragons (23h10), Two Door Cinema Club (1h20), para o palco Heineken Los Invaders (18h20), Hope Tala (20h), Phoebe Bridgers (21h50), Manel Cruz (23h30), Parcels (00h45), Caribou (2h30); no Clubbing Bessone & Fragoso (17h), Stckman (18h20), Mário Roque (19h40), Kokeshi (21h), Luís Leite (22h20) Diana Oliveira (23h40), DJ Vibe (01h), Temudo (02h30); no palco comédia Diana Nogueira e João Nuno Gonçalo (17h), João Pinto (17h35), Duarte Pita Negrão (18h50), Luana do Bem (20h20), Inês Ares Pereira e Raquel Tillo (22h30), Salvador Martinha (00h40); no coreto Evaya (17h45), Raquel Martins (19h20), King Kami (21h00), Russa (23h00), Cintia (00h20), Zengxrl (01h55); no edp fado café Marco Rodrigues (às 20h15 e às 22h30), Cassandra Cunha (às 17h15 e às 18h40), O Samba é 1 Só (00h40); no pórtico Safarah (às 15h00 e às 16h15), A-Gold (às 20h) e Endless Collective (às 17h30 e 18h45).

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