Memórias Partilhadas traz Montemuro ao TNDMII

Memorias PartilhadasReportagem de Tânia Fernandes

Uma mala, um lápis e uma almofada. Três objetos que foram analisados livremente por três autores e que chegam agora ao palco pela mão de três atores. Memórias Partilhadas é a primeira estreia do ano do Teatro Nacional D.Maria II, já este sábado e vai explorar a arte de contar histórias, como nos explicou Steve Johnstone, o encenador. “Todos os objetos têm uma história e o que pretendemos mostrar aqui é que as pessoas podem contar histórias sobre qualquer coisa. Neste caso é a mala, o lápis e a almofada, mas poderia ser qualquer um dos objetos que se encontra no palco” explica-nos.

As histórias aqui contadas trazem sotaque e uma localização geográfica muito específica: a região da Serra de Montemuro, de onde é natural esta companhia de teatro. Retratos da vida quotidiana na aldeia sucedem-se, numa narrativa pouco previsível e dinâmica. “Eu não queria acreditar, quando cheguei pela primeira vez a Montemuro e vi as lavadeiras. É algo que em Inglaterra já não existe de todo, só em livros. Aqui, apesar de não ser uma situação comum, ainda existe. A tradição mantém-se” partilha Steve Johnstone, acrescentando que esta peça traz, para a cidade de Lisboa, o conceito de que “quanto mais local, mais universal”.

Memórias Partilhadas é uma espécie de comédia em três atos. Começa com o fantástico universo das malas femininas que escondem tesouros, revelam segredos e guardam memórias e continua para o lápis e a força que este contém. A quem pertence? Que histórias conta? Mais temido que uma espada, pode também ser o pilar de um grande circo. Por fim, a maldição da almofada de penas de cuco que desafia sonhos e amizades do ano de 1966.

O trabalho começou a ser preparado em junho, como nos contou o encenador e definiu-se que seria interpretado por três homens. No entanto há papéis femininos nestas histórias. Uma vez que estamos no reino do faz de conta, “eles” fazem de “elas” sem que o público perca, com isso, o fio à meada. A situação resulta em quadros verdadeiramente cómicos, que vêm também apelar à participação do público. “As pessoas que vêm assistir fazem parte deste espetáculo. Isto é como um jogo em que a audiência nos ajuda a contar a história e é através da sua reação que entramos em dimensões diferentes” refere Steve Johnstone.

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Com base nos textos de Therese Collins (Uma carteira vazia), Abel Neves (O Lápis) e Peter Cann (A Almofada de Penas de Cuco), Memórias Partilhadas é interpretada por Abel Duarte, Eduardo Correia e Paulo Duarte. A peça pode ser vista entre 3 de janeiro e 1 de fevereiro de 2015 na Sala Estúdio do Teatro Nacional D.Maria II às quartas-feiras às 19h15, de quinta-feira a sábado às 21h15 e aos domingos às 16h15. Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais e custam 12 euros (há descontos para jovens, séniores e desempregados entre outros).

 

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