MED Anunciou Mais Confirmações E Novidades

Dhafer Youssef (Tunísia), Os Tubarões (Cabo Verde), Eneida Marta (Guiné-Bissau), Francisco el Hombre (Brasil), BaBa ZuLa (Turquia), Los de Abajo (México) e DJ Riot (Portugal) são alguns  dos últimos nomes anunciados para atuarem na 16ª edição do Festival MED.

Sem esquecer a identidade artística que construiu com a sua experiência e com a busca constante de sonoridades, o multipremiado alaudista tunisino Dhafer Youssef continua a transcender géneros. A sua fusão de jazz e música árabe promete um concerto memorável em Loulé.

Num momento em que se redescobre a memória musical de África, em que editoras internacionais investigam o enorme legado da música de Cabo Verde que inspira cada vez mais músicos das novas gerações, Os Tubarões não podiam deixar de se reencontrar com o presente. Até porque são um dos maiores emblemas musicais de Cabo Verde, autênticas lendas que espalharam por uma discografia algumas das mais importantes peças do cancioneiro de um país que continua a inspirar o mundo.

De regresso ao Festival MED passados dez anos, a guineense Eneida Marta traz as melodias da sua terra natal, mesclando o género local gumbé com o jazz. Construiu um som próprio que tem como referência nomes clássicos da música guineense, principalmente os cantores homens que foram sua inspiração. Talvez isso explique que a voz que realmente marca Eneida Marta seja a sua voz interior, a que a faz cantar a vida, o amor, em letras de poetas que, como ela explica, “deixam sempre algo para decifrar”.

Francisco el Hombre é mais um dos nomes brasileiros confirmados nesta edição do Festival MED. É um projeto visceral que expurga vivências, urgências e o que mais estiver entalado na garganta por meio de canções, que reúne na sua sonoridade rock, música brasileira, música mexicana. Através das letras das suas músicas, são uma voz ativa em questões como a violência doméstica, a igualdade de géneros, entre outras. Em 2017, foram nomeados para o Grammy Latino para a Melhor Canção de Língua Portuguesa.

BaBa ZuLa é uma das bandas que melhor dá continuidade à tradição do rock psicadélico de Istambul, que teve os seus anos dourados nos anos 60. Desde 1996, transportam para o palco atuações que são como rituais, onde se misturam dança, figurinos elaborados, poesia, teatro e artes plásticas. A formação põe, lado a lado, instrumentos de raiz tradicional, como o darbuka e o saz elétrico, com colheres de pau, brinquedos e eletrónica. Além do rock psicadélico, o dub, numa reinterpretação oriental, é outra componente do seu som. Prometem hipnotizar o público em Loulé.

Los de Abajo, cujo nome é inspirado no romance homónimo do escritor mexicano Mariano Azuela, forjou a sua identidade num espírito revolucionário, tocando em comícios de estudantes e trabalhadores, com artistas, soldados zapatistas, movimentos gays e de direitos das mulheres, e muitos outros grupos de pensadores livres fora do mainstream.

Depois do sucesso internacional com os Buraka Som Sistema, um pioneiro na cena zouk bass, Rui Pité – DJ Riot – mergulhou num projeto em nome próprio. O seu trabalho é uma viagem exploratória pelas sonoridades urbanas mais recentes, mas sempre com uma fundação muito forte baseada naquilo que juntamente com Branko, Kalaf, Conductor e Blaya, criou o Som de Lisboa com influências claras na diáspora. Do afro-house ao hip-hop, do kuduro ao drum’n’bass, desde que faça sentido, é certo que estará presente num espetáculo de Riot.

Os Gato Preto regressam na máxima força ao MED formados pela rapper, performer e letrista Gata Misteriosa – ela que cresceu nos arredores de Lisboa e tem ascendência moçambicana – e pelo produtor (beats e sintetizadores) ganês, há muito residente na Alemanha, Lee Bass – ele que também orgulhosamente congrega para a sua música a profunda tradição do highlife do Gana -, os Gato Preto nasceram em Dusseldorf, na Alemanha, em 2012, na sua música encontramos kuduro, baile funk e kwaito mas igualmente… punk e metal, rap e trap, afrobeat e afrohouse, para além de o duo fazer questão de homenagear explicitamente duas lendas maiores a quem a música atual tanto deve e que tantas vezes são esquecidas: George Clinton (o mentor dos Funkadelic e dos Parliament) e Lee “Scratch” Perry, o principal inventor do dub jamaicano.

Omiri é outra das presenças confirmadas é, acima de tudo, remix, a cultura do século XXI, ao misturar num só espetáculo práticas musicais já esquecidas, tornando-as permeáveis e acessíveis à cultura dos nossos dias, isto é, sincronizando formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana. Em Omiri a música e cultura portuguesa é rica e gosta de si própria.

O Paco Castelo ganha um novo conceito nesta edição e transforma-se num auditório dedicado exclusivamente à música portuguesa, com concertos mais “intimistas”.
Serão seis os nomes que irão pisar este palco, com sonoridades tão diversas como o Fado, Jazz, Música Tradicional Portuguesa, entre outras. Márcia, Ricardo Ribeiro, Júlio Pereira, Elisa Rodrigues, Ruben Monteiro, Luís Galrito Convida João Afonso e José Afonso.

O Palco Chafariz, no Largo D. Afonso III vai ter concertos dedicados à World Music, à semelhança do que já acontece com o Palco Matriz e o Palco Cerca.

O Teatro é outra das novidades desta edição. A Casa da Cultura de Loulé, responsável pela programação do Palco da Bica, levará também a este espaço, diariamente, uma peça de teatro que irá anteceder os concertos. Esta associação é uma das principais representantes desta arte cénica no Concelho de Loulé.

Já na área do Cinema, Rui Tendinha, curador do Cinema MED, pretende criar sessões contínuas de curtas-metragens entre os concertos, em que a ideia é que o cinema seja “algo orgânico”. Alguns dos realizadores vão estar em Loulé para apresentar o seu trabalho e haverá também uma conferência Talk MED dedicada à ligação entre estas duas expressões artísticas, música e cinema. Um dos momentos altos deste Cinema MED vai ser a estreia nacional do filme Gabriel e a Montanha, película brasileira que esteve no Festival de Cannes. Haverá ainda cinema feito por músicos, com destaque para a “curta” de Marcelo D2, prevendo-se a participação do músico nesta apresentação.

Também reforçada foi a importância das medidas ambientais implementadas no recinto.

Estes artistas juntam-se aos já anunciados Marcelo D2, Mellow Mood (Itália), Marinah (Espanha), o projeto multicultural e transnacional The Turbans (Bulgária/Israel/Irão/Grécia/Turquia/Reino Unido), Kel Assouf (Níger/Bélgica), Selma Uamusse (Moçambique/Portugal), Orkesta Mendoza (Estados Unidos/México), Anthony Joseph (Trindade e Tobago), Moonlight Benjamin (Haiti/França), Dino D’Santiago (Portugal/Cabo Verde) Tshegue (Congo/França), Gato Preto (Gana/Moçambique/Portugal) ou os portugueses Gisela João, Dead Combo, Diabo na Cruz, Cais do Sodré Funk Connection, Omiri, Camané e Mário Laginha, Márcia, Ricardo Ribeiro, Júlio Pereira, Ruben Monteiro e Luís Galrito com João Afonso.

O Festival MED decorre de 27 a 30 de junho, na zona histórica de Loulé. Os bilhetes já se encontram em pré-venda e custam 25 euros até dia 23 de junho, passando depois a custar 30 euros. O dia 30 de junho tem entrada livre.

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