Marta Pereira da Costa despertou solidariedade na Boa Nova

Reportagem de Madalena Travisco e Joice Fernandes

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Marta Pereira da Costa ofereceu talento ao Centro Paroquial  do Estoril e à Casa dos Rapazes, ao lado de Pedro Pinhal na viola de fado e de Jorge Carreiro no contrabaixo, na noite de 8 de março no Auditório Senhora da Boa, percorrendo os grandes mestres da guitarra portuguesa – dos clássicos aos contemporâneos – e apresentando também composições suas.

Porque se tratou de um concerto solidário, além das receitas de bilheteira, houve um leilão alegremente dinamizado por Ricardo Carriço, padrinho da Casa dos Rapazes, que sublinhou a imensa generosidade da grande família do fado.

Assim ficou demonstrado: a primeira guitarrista profissional do fado encara a guitarra portuguesa como uma bandeira do nosso país que quer honrar, e teve como convidados  vozes que já se afirmaram no fado – Carlos Leitão, Ana Lains e Rodrigo Costa Felix – e o violinista Ricardo Mendes.

Carlos Leitão foi o primeiro convidado depois de uma viagem executada com perfeição pelos verdes anos (em rapsódia) e a canção de alcipe do mestre Carlos Paredes. Carlos Leitão, cujo timbre remete para outros tempos, desfilou dois fados, arrancando Bravooos com o “Deste-me um beijo e vivi” de António Marceneiro. Quase no final do concerto, numa desgarrada divertida com o Rodrigo Costa Felix, ficou claro para todos que: “O Carlinhos, ouvi dizer/vai-se casar, coitadinho/com a lindíssima mulher/que o traz pelo beicinho”. Noiva presente na sala  e aplausos redobrados.

Depois de um tema de José Nunes, as cordas de Marta também demonstraram que a guitarra portuguesa não perde identidade quando o tema é de um compositor latino-americano.

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A segunda convidada, Ana Lains, brilhou com o “Fado Tango Cansaço” e com um fado tradicional com letra da própria “Não Sou Nascida do Fado” que faz parte do álbum que editou há quatro anos. Alegre e solidária, sente que tem obrigação de contribuir em prol do bem dos outros. Jamais recusaria um convite destes…e ainda bem.

As composições “Minha alma” e “Terra”, da autoria de Marta, encheram o auditório antes de o convidado Ricardo Mendes enriquecer as composições com o som do violino. Aplausos gigantes encerraram a primeira parte.

Na segunda, o último convidado – o suspeito do costume, como Marta apresentou, Rodrigo Costa Felix exibiu a cumplicidade que os une. Nas palavras de Marta, é com ele que ela nasceu e cresceu como guitarrista nos palcos, mas além dos palcos, partilham tuuuudo (e o principal que são os filhos do casal). Depois do fado português, Rodrigo retribui com emoção: “A generosidade é aquilo que mais faz falta ao mundo. Se formos generosos uns com os outros, se formos solidários uns com os outros, todos os problemas desaparecem”. Sublinhando todo o envolvimento de Marta na preparação deste evento conclui: “Vê-la assim é uma emoção especial!”. Adaptou o final do Rosinha dos Limões para “(…)e depois casei com ela”.

Tempo ainda para as referências contemporâneas com temas de José Fontes Rocha e Mário Pacheco e os naturais agradecimentos à plateia pelo privilégio de tocar, respirar, viver da música e ter quem goste de ouvir. No repto de Rodrigo na desgarrada final, Carlos Leitão entoou: “(…)Tal como tu e a Martinha/ este será para vida!”.

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