Maria Bethânia, Prateada Rainha Senhora A Purificar O Subaé

Reportagem de Madalena Travisco (Texto) e Ana Filipa Correia

A luz do Coliseu acendeu-se depois de “Encantaria” e “Purificar o Subaé”. As luzes acesas encerraram o concerto “Claros Breus” de Maria Bethânia na noite de 14 de setembro no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Curtinho mas intenso, com cenário a recordar a noite das pequenas salas e cabarés e o misticismo das velas colocadas no chão do palco. Aplaudida veemente, fez vénia, agradeceu e sorriu.

“[Estou aqui] Pronta para cantar (…)” e um “Obrigada Senhores” intercalou os temas, muitos inéditos na sua voz, outros tão associados ao repertório Bethânia, como o “Sangrando” (“Quando eu soltar a minha voz (…)” ou o “Negue” já no encore, antes dos batuques do final.

“Boa Noite Lisboa, com licença [sentou-se]. “Enfim Sós” foi suspirado numa referência ao espetáculo que estreou no Rio de Janeiro em salas para 100 pessoas e ao facto de ter querido fazer um show para reviver a noite carioca.

“Claros Breus” trouxe, em dois atos, poemas e canções de muitos compositores, como o “Bela Bela”, “Maneiras”, “Sampa”, “Grito de Alerta”, “Do Lugar Onde Temos Razão”, “Olhos nos Olhos”, “Massemba (samba riscado)”, “Sonho Impossível” e “Se Todos Fossem Iguais a Você”.

Bethânia contou que aprendeu a cantar com Nossa Senhora, ainda em menina, com os anjos que nos rodeiam e educam e também com a noite. Depois do interlúdio instrumental que dividiu os atos e trocou a indumentária, explicou que a música é a língua materna de Deus dando o espaço merecido ao batuque e aos tambores como forma de expressão.

Claros Breus tem a direção musical de Letieres Leite e a banda é composta por Marcelo Galter, Pretinho da Serrinha, Jorge Helder, Luisinho do Jêjê e Carlinhos 7 cordas. A voz e a presença – enormes – pertencem à Prateada rainha senhora Maria Bethânia.

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