Marés Vivas – Dia 3: As Poderosas Golden Keys Do Marés Vivas

Reportagem de Rosa Margarida e Paulo Soares (Fotos)

A edição 2022 do Meo Marés Vivas, no antigo Parque da Madalena, em Vila Nova de Gaia, foi um sucesso. Três dias e três noites de concertos e festa, com recinto completamente esgotado, espetáculos extraordinários, ambiente poderoso, grandes artistas nacionais e internacionais e festivaleiros à altura. Ingredientes mais do que suficientes para um festival tão único e especial como é o Marés.

Anitta, a Poderosa 

O som do tema “Onda Diferente”, com os bailarinos em poses sensuais, arranca as primeiras reacções de um público rendido ainda antes do espetáculo. Anitta entra em palco, determinada, sexy e poderosa, como só uma poderosa sabe ser. Entre a loucura e a histeria, os festivaleiros gritam a plenos pulmões:

Então então então sai, sai, sai da minha frente
Sai, sai, sai da minha frente
Hoje eu vou dar trabalho numa onda diferente

A tónica dominante haveria de repetir-se, tema após tema, do “Me Gusta”, do seu mais recente álbum Versions of Me, lançado este ano, passando pelo “Contatinho”, que a cantora brasileira gravou com Léo Santana, em 2020.

O casaco preto, com o qual Anitta tinha entrado em palco, desapareceu entretanto, revelando o swimsuit fio dental tigresse, e, a partir daí, o requebrar da cantora e das suas bailarinas, de costas para o público, foram também eles, momentos de histeria entre os festivaleiros.

Os temas “leves e coloridos”, numa mistura de pop, R&B, Samba, Funk e Reggaeton vão sendo desfiados, com os bailarinos e a cantora a esbanjar sensualidade, em coreografias sexys e sincronizadas, com o público do Marés a cantar, a gritar, a dançar e a saltar. Quietude é palavra proibida nos shows de Anitta.

No alinhamento, temas, entre o português e o espanhol, como “Some Que Ele Vem Atrás”, “Faking Love”, “Envolver”, “Gata” e “Sua Cara”, passando por uma versão da “Garota de Ipanema”, talvez a nota mais tranquila da noite, para fechar o espetáculo com o “Show das Poderosas”, tema que popularizou Anitta.

É verdade que os diálogos com o público do festival não foram muitos (mais ainda se comparados com a atuação anterior), mas Anitta sabe como conquistar os festivaleiros, assumindo a sua sensualidade, o seu poder e a sua força – tantas vezes alvo de preconceitos, mas que a cantora brasileira consegue (e bem) ignorar!

A pôr um ponto final à sua digressão na Europa, a cantora aproveitou para “fechar” também  a polémica, após ter mostrado a bandeira de Espanha, no concerto do Rock in Rio Lisboa. No Marés, a cantora fez questão de exibir a bandeira de Portugal e recorda as críticas de que foi alvo, ao afirmar «sempre soube que era esta bandeira, gente. Ainda não estou maluca. É a milionésima vez que eu venho aqui», colocando a bandeira na mesa do DJ.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao espetáculo, a cantora falou sobre endometriose, dos analgésicos que toma para preparar-se para a cirurgia, do extremo cansaço da digressão europeia, confessando que passou mal antes do show, mas «os médicos deram-me soro e a pica aumentou».

A cantora afirma estar muito feliz com a digressão e mais ainda por terminar num «festival que valoriza o português e os artistas que cantam em português».
Jessie J, from Britain With Love…And Power!

A cantora britânica é um “fenómeno”! Presença, sensualidade, poder e voz, numa atuação (com  extensos diálogos com o público) frenética, divertida e energizante. 

O outfit brilhante de Jessie J, aliado a uma postura sensual, poses provocantes, um menear de cabeça, com os longos cabelos ao vento e gestos poderosos, sem esquecer a excelente voz, resultam num espetáculo ímpar, que permanecerá, seguramente, na memória de muitos festivaleiros.

A inaugurar o concerto, os temas “Do It Like a Dude”, do álbum Who You Are, de 2011 e “Masterpiece”, de Sweet Talker (2014). Ainda os festivaleiros tentavam recuperar-se da poderosa atuação e já a cantora se envolvia num diálogo divertido: «Quem daqui já me viu atuar? Para quem nunca viu há regras importantes nos meus concertos. Regra número 1: se não souberem cantar, cantem baixinho, para que os meus vídeos nas redes não fiquem horríveis; Regra número 2: se não souberem a letra, não estabeleçam contacto visual comigo, senão o meu cérebro baralha-se a esqueço-me das letras e Regra número 3: esqueçam as duas primeiras e divirtam-se. Há apenas uma regra: Just be kind and nice to each other

«É verdade, não tapem os vossos rostos com os telemóveis. Vocês vieram cá para ver-me e eu vim aqui para vos ver. O mais importante é gravar os momentos no pensamento!»

A cantora, imprevisível e poderosa, seguiu com temas como “Burning Up”, “It’s My Party”, “Nobody’s Perfect” intercalados com momentos “deliciosos e únicos”, com Jessie J a conversar com fãs da primeira fila, a chamar uma adolescente ao palco e partilhar o palco com a Camila, de 14 anos, num dos seus temas de maior sucesso “Flashlight”.

Os temas, carregados de mensagens de poder, aliados à presença de Jessie J e somados aos momentos caricatos e inesperados tornaram o concerto inesquecível, a fechar com chave de ouro, com os temas “Bang Bang” e “Price Tag”.

Diogo Piçarra, o Exímio Anfitrião

Que bem esteve representado o Algarve no Marés Vivas! Depois da atuação brilhante de Dino d’Santiago na noite anterior, Diogo Piçarra tomou conta do público, ao som dos temas que todos sabem de cor, coadjuvado pelos SouthSide, em coreografias poderosas e enérgicas.

No line-up inicial, “Coração”, “Já Não Falamos” e “Até ao Fim”, com o cantor a “puxar” pelo público, entre cada tema, com perguntas divertidas e avisar «mandem um beijo lá p’ra casa, para quem nosestá ver na RTP».

Diogo percorre o palco, com uma “boa vibe” contagiante, ao som de “Vem Dançar Comigo” e “Verdadeiro”. Num tom mais sério, fala sobre depressão e deixa o recado «não estão sozinhos», para introduzir o tema “Escuro”.

Da sombra, aos temas mais leves, com  “Paraíso” e “Trevo”, Diogo avisa «tenho muitas surpresas para vocês».

É difícil definir ou apontar um momento particularmente especial, já que todo o concerto foi notável, com o público a entoar e a dançar todos os temas e o Diogo o perfeito anfitrião do Marés.

Haveria de voltar, ao som de “Tu e Eu”, do álbum Espelho (2015). Bispo, convidado especial do espetáculo, sobe então ao palco para o dueto «Monarquia», grande parte do tema cantado com os dois artistas “pendurados” nas grades do pit e a despedida com “Dialeto”.

As atuações da noite começaram com Maro, a jovem representante de Portugal em Turim, no Festival Eurovisão da Canção 2022, com alguns temas do seu repertório, com ovação (sem surpresas) para a canção final “Saudade, Saudade”.

O Bloco Moche acolheu a jovem Beatriz Rosário, como primeira atuação da noite. No final dos espetáculos do Palco Principal, subiram ao Bloco, Lon3R Johny e Dj Perez. Já o Palco RTP Comédia contou com as presenças de Guilherme Duarte, Vitor Sá, João Bot Moreira e Zé Pedro Rodrigues.

A Orquestra Bamba Social – Roda de Samba continuou, pelo terceiro dia, a encantar com o samba no pé, a cerveja na mesa e o sorriso no rosto, ao som de grandes temas brasileiros.

Finito! O Meo Marés Vivas é O Festival! Um cartaz de luxo, um recinto espetacular, os dias de calor e as noites quentes, os melhores festivaleiros e uma saudade (já) imensa de mais dias felizes.

Regressa no próximo ano, nos dias 14, 15 e 16 de julho, no mesmo local, anunciou a organização.

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