Marco Paulo: Um Gentleman De Fato Escuro, Um Louco No Palco

Marco PauloReportagem de Daniel Carvalho (Texto) e Ana Filipa Correia (Fotos)

[dropcap]A[/dropcap] banda começa sem o artista, toca um pequeno medley de alguns temas, enquanto fotografias, das diversas fases dos 50 anos de carreira, são projectadas ao fundo do palco. Marco Paulo entra alguns minutos depois, para gaúdio sobretudo das primeiras 4/5 filas, isoladas do resto da plateia, repletas de senhoras de meia-idade, fãs devotas. Trazem rosas para depositar no palco, letras feitas de balões insufláveis para erguer o nome do seu ídolo. Algumas têm coroas na cabeça em homenagem ao rei. Outras exibem cachecóis alusivos ao concerto, que se podiam comprar à entrada, qual jogo de futebol.

A primeira música remete-nos de imediato para a longevidade da carreira, “Como Passaram os Anos”, logo após a qual se dirige pela primeira vez ao público: “tantos amigos, tantas amigas”.

“Vou Tentar ser o Mais Feliz Possível”, naquilo que diz ser uma comemoração nossa, do público. E pede-nos para dedicar este espectáculo “à dona Isabel, ao senhor Silva e à minha irmã Fátima”, sentados algures na plateia. E logo a seguir passa para o segundo tema, “Morena Morenita”, para de imediato arrancar algumas pessoas da cadeira, que se levantam a dançar e a bater palmas, enquanto entoam as letras sabidas de cor.

E este é o mote para as próximas duas horas, dado pelo próprio. Quando ele começa ninguém mais o segura. Marco Paulo mexe. Marco Paulo remexe. Abre-se e mostra-se para nós, não tem um pingo de vergonha. Com a maior safadeza, diz que nos ama. Tudo enquanto vai passando pelos grandes êxitos, uns atrás dos outros – “Eu Tenho Dois Amores”, “Taras e Manias”, “Joana”, “Nossa Senhora”, que traz lenços brancos ao Coliseu (outra vez futebol?).

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“Sempre Que brilha o Sol” chega não sem antes o cantor nos dizer que é a hora de terminar, que tudo tem um fim.

O rei sai do palco, mas volta passado pouco tempo, para nos dar um encore memorável, com “Ninguém, Ninguém” seguido de um “Maravilhoso Coração” que põe o Coliseu de pé.

A pedido dos (das?) mais persistentes, ainda deu oportunidade de escolha para repetir um dos temas do espectáculo, e foi assim que se ouviu “Amor Sem Limite” pela segunda vez.

“Espero ver-vos de novo daqui a mais cinquenta anos” – disse Marco Paulo para um Coliseu de Lisboa esgotado ontem à noite.

Marco Paulo tem dois amores mas o público tem só um: o próprio Marco Paulo. E não restam dúvidas sobre o que o público quer: “Não mude, que eu quero você sempre assim”.

A Tour 50 Anos segue agora para o Portimão Arena, onde Marco Paulo atua no dia 24 de abril.

 

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