A Magia De Encantar Do Principezinho Para Ver E Sentir No Teatro Da Trindade Em Lisboa

Por Elsa Furtado

Há livros e estórias que atravessam gerações, são intemporais, pela sua beleza, pela sua estória, pela sua mensagem, o Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry é uma dessas obras, raras e marcantes da Literatura Universal, que sensibiliza o mundo inteiro desde 1943, seja em que língua for, e que mais uma vez se prepara para enternecer os corações dos pequenos espectadores portugueses.

Depois do sucesso em Espanha, chega ao Teatro da Trindade, em Lisboa, uma nova versão da estória, da autoria de Àngel Llàcer e Manu Guix, e cuja versão portuguesa é encenada por Pedro Penim.

Combinando atores, elementos 3D e efeitos visuais de vídeo mapping em palco, esta nova versão encanta miúdos e graúdos pela sua qualidade, beleza e harmonia.

A peça começa, tal como o livro, com o Aviador (magnificamente interpretado por Paulo Vintém) a contar uma história, a história de quando caíu no deserto e conheceu um menino muito especial – o Principezinho, aqui interpretado por Joana de Brito Silva, uma jovem atriz de 23 anos e que dá aqui provas indiscutíveis do seu valor.

Entre canções e de cena para cena, vamos avançando na estória e entrando no universo do Principezinho. A primeira viagem é até ao asteróide B 612, de onde é o menino, lá, a sua única amiga e companheira é uma Rosa, tão bonita quanto vaidosa, e até um pouco egoísta, aqui brilhantemente interpretada pela atriz Mariana Pacheco, que surpreende pela maneira de cantar e encantar, num dos momentos mais bonitos e emotivos de toda a peça.

Quem não me toca com medo dos espinhos,
sabe bem que estas cores deixam dedos feridos.
Coitados, não podem evitar: se o que querem
é a flor, ai!, vão-se picar
Olha, sou tão bonita, quando me avistam se
hipnotizam. E toca-me. Sou tão bonita, tão
presunçosa, que sinto de longe que amam
a Rosa.
Lá se aproximam, sempre decididos. Tenho um ar
tão delicado, o que querem de mim? Coitados,
se tentam me arrancar, acabam tão magoados
por me atormentar.

A estória continua com a viagem do Principezinho pelos diversos planetas e figuras caricatas que conheceu como o Rei, o Vaidoso, o Bêbado, o Homem de Negócios, o Bêbado, o Acendedor de Candeeiros, os Palhaços e o Geógrafo, divertida e versatilmente interpretados por José Lobo e Diogo Bach.

E eis que o menino finalmente chega à Terra, e é aqui, depois de um fugaz contacto com uma jibóia, que faz o primeiro amigo verdadeiro – A Raposa, e é com ela que o Pequeno Príncipe vai aprender duas verdades muito importantes: A primeira é que se queremos fazer um amigo, primeiro temos que o cativar (“independentemente se um é menino e o outro animal”); e a segunda é que “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

Com esta nova amizade e o passar do tempo na Terra, o menino começa a sentir saudades de casa e a dar valor ao que deixou para trás, decidindo regressar ao seu planeta,para tal vai recorrer à ajuda da jibóia, que o iludiu com palavras melosas e enganadoras. Para trás deixa dois novos amigos, a Raposa e o Aviador, mas regressar ao seu Planeta, à sua casa, à sua Rosa única, torna-se mais importante.

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