Luz Dos Imagine Dragons Deixou Altice Arena Em Brasa

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e António Silva (fotografia)

Imagine Dragons
Imagine Dragons

O primeiro minuto do concerto mais parecia o último. Tal foi a força e a energia com que Dan Reynolds entrou em palco. Os Imagine Dragons deram, esta terça-feira, um concerto sempre a puxar pelo público. Quase sem intervalo para respirar. Com um ritmo acelerado e uma atitude muito positiva, estes “dragões” puseram a Altice Arena em fogo.

É preciso ter arte para abrir com um dos maiores sucessos do currículo e essa prova foi superada pelos Imagine Dragons. “Radioactive” deixou o público em êxtase. E foi daí que Dan Reynolds partiu para a noite, sem nunca deixar arrefecer o ambiente.

De prestações anteriores no nosso país, ainda que as mais recentes tivessem sido integradas em festivais, já era conhecida a força da banda em atuações ao vivo. Esta noite, percebeu-se que houve uma consolidação desta performance, com promoção ao patamar das grandes bandas. Os Imagine Dragons trouxeram um espetáculo com muitos efeitos para ajudar a festa, fumos, explosões de confettis e balões gigantes. Mas nada disto faria sentido se não tivessem já uma carreira consolidada de boas músicas.

De tronco nu desde o primeiro momento, a evidenciar a boa forma física, Dan Reynolds não só cantou como tocou vários instrumentos, do piano à percussão. Irrequieto, saltitou pelas franjas do palco e não raras vezes, a elevar joelhos ao peito.

Manifestou, logo no início, o prazer de regressar a Lisboa e pediu aos presentes para deixarem de fora “a política, a religião, o stress, o trabalho” e trazerem para o recinto apenas “paz”. Um discurso que se desenvolveu na letra de “It’s Time” cantada por todos na Altice Arena.

Para grande euforia de quem assiste, Dan Reynolds recolhe as bandeiras do público e ergue-as, a cantar. Entre elas, encontra-se a de Portugal.

Segue-se “Whatever It Takes” e o calor dentro do recinto, lotado, é sufocante. Depois de “Yesterday”, tocada com novos arranjos, os Imagine Dragons tocam “a nova” que parece já não ser novidade para ninguém, uma vez que todos conhecem já a letra de “Natural”.

Continuam para “Walking the Wire”, “Next To Me” e recorrem a um solo de piano para introduzir “Shots” que chega, cheia de força. No balcão vêm-se muitas famílias. O desencontro de faixas etárias beneficia os mais velhos que vibram aos ouvir os acordes de “Everybreath you take”, a cover dos The Police que trazem. Regressam a Evolve, o álbum desta digressão, com “I’ll Make It Up to You”, “Start Over” e “Rise Up”. Em cada um destes temas, há um dos músicos da banda a ter o seu próprio momento de destaque. Wayne Sermon com a guitarra no primeiro, Ben McKee com o baixo na segunda, e a fechar “Rise Up” a bateria de Daniel Platzman.

Depois de “I Don’t Know Why” e “Mouth of the River” mudam do palco principal para um espaço no meio do público para um set acústico. A proximidade com o público aumenta com “Born to Be Yours” (tema que gravaram com Kygo), “Amesterdam” e “I Bet My Life”. Neste último, Dan Reynolds desce à plateia para cumprimentar os admiradores. Canta o refrão e desloca-se lentamente, de forma a conseguir passar a sua mão por todas as que se vão alinhando no seu caminho.

De volta ao palco principal, a despedida é estrondosa. E sim, se entraram com toda a força, saem vitoriosos. “Deamons” permite-lhe falar sobre os problemas de depressão e de se dar como exemplo para o que não deveria acontecer. “Não deixem de viver” pede. “Thunder” foi uma valente trovoada (das boas!), “On The Top Of The World” fez balões gigantes cair do teto e ”Believer” trouxe a chuva de confettis mais colorida da noite. Esta coisa de não fingirem que saem para depois voltar é que não caiu bem no público português, muito habituado a medir a simpatia dos artistas pelo número de encores. Mas o espetáculo estava ensaiado e cronometrado. No fim saíram mesmo e ficaram as assobiadelas da desfeita. De quem gostou tanto que queria continuar a ver e ouvir a luz destes Imagine Dragons.

A primeira – e curta – parte do concerto foi assegurada pelos The Vaccines. Um regresso da banda britânica, que semanas antes, havia atuado uns metros ao lado deste palco. Desta vez, os quatro rapazes apresentaram-se frente a um publico que os desconhecia por completo. Não se intimidaram e trouxeram uma amostram do que melhor sabem fazer: puro indie rock.

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