Lusitânia Comedy Club – A História De Portugal Para Não Levar A Sério

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e António Silva (fotografia)

Lusitânia Comedy Club
Lusitânia Comedy Club

Rigor histórico, espírito épico ou exaltação patriótica? Não. Não vai encontrar nada disso no espetáculo Lusitânia Comedy Club. Nesta comédia, “não se aprende nada” explicou-nos Nuno Markl, depois da primeira sessão de espetáculos, repostos agora no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa. Esta é uma peça em que “as pessoas se podem rir de si mesmas enquanto povo, das nossas características e também do estado das coisas. Deste lado em que estamos todos ofendidos com qualquer coisa e estamos todos à beira de nos irritarmos uns com os outros” comentou.

É uma espécie de História de Portugal – com uma interpretação muito selvagem – cruzada com uma viagem no tempo. Escrita a oito mãos, por Nuno Markl, Francisco Martiniano Palma, Frederico Pombares e J.J. Galvão, a comédia “tenta retirar a pompa e circunstancia dos episódios históricos e olha para a História de Portugal como uma espécie de reunião de condomínio” referiu Nuno Markl.

São quase duas horas de teatro, sem intervalo. A narrativa decorre no Viriatus, ao que parece, o bar de comédia mais antigo do país. É conduzida por dois personagens, que se mantém inalteráveis durante todo o tempo: D. Sebastião, o tal que desapareceu em Alcácer-Quibir e agora navega no tempo, através do seu nevoeiro e o jovem Tomé, um dos novos talentos do humor.

Nuno Markl
Nuno Markl

É com eles que viajamos até aos mais importantes momentos históricos da nação. E descobrimos “O Porquê da Coisa”. A verdadeira razão das guerras de D. Teresa de Leão com D. Afonso Henriques, a origem da tática do quadrado de D. Nuno Álvares Pereira, a real explicação para a assinatura do Tratado de Tordesilhas ou conhecemos o autêntico Adamastor. Não vai encontrar nada disto nos compêndios de história. Até porque parte da riqueza desta peça reside na interpretação dos atores (André Pardal, Ana Freitas, Carlos Pereira, Gustavo Vargas, João A. Guimarães, Luís Oliveira e Mafalda Santos) e na forma hilariante como eles mudam de registo e de personagem. Não só interpretam como cantam e dançam, fazendo com que este registo seja um musical muito divertido.

Pelo meio, uma forte crítica à forma como hoje em dia se encontra reduzida a liberdade de se dizer uma piada. Como Nuno Markl, partilhou, no final da peça, “falamos de uma hipersensibilidade em que é muito difícil fazer uma piada sem que apareçam pessoas a dizer que estão ofendidas. E que não se devia fazer humor com aquele tema… (…) Tenho saudades dos tempos em que havia liberdade para opinar.” 

A criação da nação e a revolução dos cravos são as balizas desta produção, mas percebe-se que há margem para uma continuidade deste programa. Nuno Markl admitiu que “temos algumas ideias para haver continuidade e nem todas sobre história. Nos últimos tempos temos pensado que seria interessante fazer a verdadeira história do Génesis, de criação do mundo, Adão e Eva. Já sei que nos vamos meter em sarilhos (risos), mas… é um campo giro para explorar em termos de comédia. A ideia da criação do mundo, se Deus fosse um empreiteiro português.”

Até lá, não perca esta Lusitânia Comedy Club – O Porquê da Coisa. Para ver, no Auditório dos Oceanos, do Casino de Lisboa, entre 1 e 10 de fevereiro. Há sessões às sextas-feiras e sábados às 21h30 e domingos às 17h30. Os bilhetes custam 18 euros.

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