Lisboa Vibra Com A Combinação De Hip Hop E R&B De Mishlawi

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Mishlawi
Mishlawi

Depois de duas noites esgotadas no Porto, Mishlawi conquistou também o público de Lisboa. Alto e esguio, entrou com alguma timidez e demorou o seu tempo a tirar os olhos do chão do palco, para fitar os do público. No final do concerto, rendido ao calor recebido ao longo da noite, agradeceu de sorriso largo e com as mãos a desenhar um coração.

É uma das revelações da música nacional e faz grande sucesso junto do público mais jovem, que marcou presença este sábado à noite, no Coliseu dos Recreios. Não, o hip hop não é a música que se ouve nos guetos ou na margem sul. São os temas de eleição de uma geração que já quer sair de casa para ouvir, ao vivo, os temas da sua própria playlist.

Assim, de telemóveis na mão, iluminaram o Coliseu de Lisboa a pedido do artista, cantaram, dançaram e saltaram também mediante solicitação, numa noite marcada pelo ritmo do hip hop.

Hex foi o primeiro a entrar, pelas 21h00, de mochila às costas, como quem acaba de chegar de viagem. Com ritmo, descontração e capacidade de captar a atenção do público, o rapper britânico mostrou, numa curta atuação, a sua música com mistura de influências entre o rap, R&B, Afrobeats.

Quarenta e cinco minutos depois, Mishlawi tomou conta do palco. Com apenas 22 anos, é já uma referência na música. Trouxe um espetáculo bem organizado e visualmente interessante, com projeção de imagens vídeo nos ecrãs, numa linguagem próxima do ambiente de gamming.

O público feminino, muito teen, preenchia as primeiras linhas de ataque, frente ao palco. De telemóvel no ar, sempre a cantar, acompanharam-no ao longo de todo o concerto. Mishlawi veio apresentar o novo trabalho, Solitaire, um conjunto de músicas que o aproximam mais do ambiente R&B. Mas não faltaram temas do início, como “Always on My Mind” em que pôs todo o Coliseu a saltar. Antes de “Uber Driver” o cantor apresentou os elementos da banda, que o acompanham e depois chamou ao palco o primeiro convidado da noite, Trace Nova que o acompanhou nos temas “Too Basic” e “Afterthought”.

Cedo se ambientou à multidão, e admitiu que era a primeira vez que estava a atuar (em nome próprio) perante tanta gente. Num discurso entre a língua portuguesa e alguns desabados em inglês, afirmou de forma categórica que se orgulha de ser português.

O anúncio da Brigetown fez eco nas colunas e quase de sentiu a casa vir abaixo com a entrada de Richie Campbell. Um caminho que marcou a entrada de Mishlawi na música e de cuja ligação mostraram o popular “Boohoo”. Da música ao ziguezaguear de dança, a cumplicidade intensificou-se com a entrada de Plutónio em palco, para juntos, interpretarem “Rain”.

A reta final, com os temas mais aguardados da noite, deixou os admiradores satisfeitos. Ouviu-se “Bad Intention”, “I Could”, “Limbo” (em ambiente especial, iluminado por telemóveis). O cantor despediu-se com “All Night” seguida de “Ignore”. Ficou tudo aos gritos no final, perante o olhar admirado e agradecido de Mishlawi.

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