Lisboa Ganha Novo Museu Com A Abertura Do Berardo – Museu Arte Deco

Reportagem de Elsa Furtado

Quem passa na zona do Calvário, em Lisboa, há muito que se habituou de ver a informação que o número 28 da Rua 1º de Maio iria ser um museu, mais concretamente o B-MAD – Berardo – Museu Arte Deco, que finalmente abre as suas portas ao público no sábado 24 de abril, com entrada gratuita até ao final do mês de Maio.

O B-MAD é uma iniciativa privada da Associação de Colecções e ocupa a antiga residência de veraneio do então Marquês de Abrantes, mandada construir na primeira metade do século XVIII, e que no século XX foi adquirido pela família do médico e investigador António José Pereira Flores, que convidou o arquiteto Raúl Lino para fazer a ampliação e remodelação do edifício, e é esse conjunto que agora vamos encontrar totalmente remodelado e adaptado a museu, com os seus três pisos repletos de peças originais e de grande importância dos períodos artísticos denominados de Arte Nova e Art Déco.

O percurso, propriamente dito, começa no primeiro andar, dedicado à Arte Nova, aqui podemos encontrar peças de vários designers, pintores e artistas internacionais, mas também de portugueses como Bordallo Pinheiro, José Malhoa, azulejos da Fábrica de Loiça de Sacavém, ou ainda desenhos da autoria de António Alves dos Reis da ourivesaria Reis & Filhos do Porto.

Neste primeiro piso, as estatuetas, as criselefantinas, as jarras de vidro, os motivos vegetalistas nos móveis, nos candeeiros, nos adornos, nos azulejos, dominam por toda a parte. As cores alegres, o vidro, as madeiras tropicais dominam as preferências dos artistas, a par do seu trabalho minucioso e rico. René Lalique, Émile Gallé, entre tantos outros são alguns dos nomes em destaque, e que se repetem ao longo das salas deste piso.

No segundo piso, o estilo é outro e os materiais também, na eminência de uma nova Guerra, os artistas mudam as suas preferências, os materiais, e surgem novas tendências, o industrialismo, as linhas direitas imperam e do detalhe passa-se à produção em massa, do manual à produção em máquina e fábrica. Trocam-se as cores alegres por outras mais escuras e os motivos vegetalistas dão lugar às linhas direitas e aos traços.

Peças da Fábrica de Sacavém repetem-se aqui em várias salas, culminando na cozinha da casa, apresentada o mais inalterada possível, desde o chão às terrinas, travessas, pratos e jarros em exposição.

Para inaugurar o Museu foram convidados Márcio Alves Roiter fundador e presidente do Instituto Art Déco Brasil (Rio de Janeiro), e Emmanuel Bréon, especialista dos anos 20 e 30, e antigo diretor do Musée des Années 30 (Paris), como curadores da exposição que escolheram as peças que integram esta primeira mostra, onde se mostra o que de melhor se fazia nas Artes Decorativas nos anos 20, 30 e até 40 na Europa, desde a exposição de peças decorativas, utilitárias, quadros, estatuetas, à recriação de ambientes, como quartos, salas de jantar e estar, e até mobiliário de consultório.

Algumas das peças já tinham estado em exposição na Fundação de Serralves, no Porto; no Sintra Museu de Arte Moderna – Coleção Berardo; no Museu Berardo, em Belém; no Centro das Artes Casa das Mudas, na ilha da Madeira; no Bacalhôa Adega Museu, em Azeitão e em diversas instituições museológicas de âmbito internacional, mas é a primeira vez que a Coleção de Arte Déco e a Coleção de Arte Nova estão reunidas num mesmo espaço.

Jacques-Émile Ruhlmann, Alfred Porteneuve, Jean-Michel Frank Jacques Adnet, Leleu, Sornay, Dufrêne, Follot, Jallot, Majorelle, Kiss, Lalique, Gallé, Brant, Puiforcat, Perzel, August Herborth, Bordallo Pinheiro, José Malhoa, entre outros, são alguns dos artistas presentes com peças em ferro, candeeiros, vidro, cerâmica, prata, madeira, quadros, azulejos, desenhos, posters, e até um piano.

As peças de joalheria e ourivesaria da colecção não estão presentes nesta mostra, estando apenas presentes objetos ligados às Artes Decorativas.

Todas estas características fazem desta exposição uma mostra muito particular e única, não tendo igual no nosso país, e já sendo caracterizada como uma das melhores do mundo. Isto leva a que os responsáveis do Museu tenham optado pela ausência de legendas, e pela realização de vistas apenas acompanhadas e guiadas, de forma a proporcionar uma experência mais rica e interessante aos visitantes.

O B-MAD fica na Rua 1º de Maio, nº 28 no Calvário, em Alcântara, Lisboa, e pode ser visitado todos os dias, das 10h00 às 19h00 (excepto 25 de dezembro e 1 de janeiro).
Só são realizadas visitas guiadas, às 10h00, 11h00, 14h30, 15h30, 16h30, e 17h00, mediante marcação (atualmente as visitas estão limitadas a 10 pessoas). As vistas podem ser marcadas por telefone: 212198071 ou por email: lojabmad@bacalhoa.pt.

As visitas são gratuitas até ao final de maio.

Integra ainda o edifício uma loja de vinhos do Universo Bacalhôa e Aliança e ainda um terraço, onde se pode beber vinho a copo e realizar provas.

Um Museu que vale mesmo a pena visitar!

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