Kátia Guerreiro Surpreendeu o CCB Até ao Fim

Katia GuerreiroReportagem de Madalena Travisco e Joice Fernandes

A fila muito comprida mas ordeira à porta do CCB antecipava sala cheia. O Grande Auditório do CCB ficou mesmo repleto para o concerto de apresentação do trabalho mais recente de Kátia Guerreiro na noite de 18 de abril.

“Intensamente o fado enche a casa. É a voz dela (…)”
Pedro Castro, Nuno Guerreiro, Fernando Júdice,  André Ramos e João Veiga conduziram os gemidos das guitarras nesta viagem “Até ao fim” – um disco carregado de emoções, memórias e novidades, nas palavras da própria.

Emocionada, contando as memórias das histórias dos poemas, dos seus autores e compositores, Kátia Guerreiro apresentou todas as novidades: “9 amores” de Paulo de Carvalho; “À janela do meu peito” de Alberto Janes; “Nesta noite” de Paulo Valentim; “Eu disse ao mar que te amava” de  José Fialho Gouveia (fado de quadras). Fez-se “À noite que nos fez”  sentada no palco e, num embaraço com a letra, foi aplaudida incessantemente.  Depois confessou: “Há muito tempo que eu tinha vontade de interpretar este fado tradicional de Alfredo Marceneiro com as palavras certas. Tão certas que se tornaram hoje duras para mim”. Choveram aplausos, também com a referência de que as palavras para este tema vieram do Samuel Úria.

Para o “Fado dos contrários” de Rui Machado, Kátia chamou ao palco Joel Pina – amigo e histórico  do baixo de fado, com quem cantou há uns tempos, e que depois acompanhou de volta à plateia. Daí entoou à capela o princípio do seu “Eu gosto tanto de ti” que, entre outras, diz “(…) Abre os teus braços à vida/Aceita o que ela oferecer (…)”.  Com a Lua no cenário, veio um tema que tem letra de Amália Rodrigues “Quero cantar para a lua”.

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Do inédito “As quatro operações” de Vasco Graça Moura, passou para as “Asas” de Maria Luísa Batista – tema do trabalho “Fado Maior” –  fazendo suspender as respirações nas interpretações de “(… ) sobe comigo a encosta/que quando a gente gosta/ninguém cala o coração”.

“Mentiras” marca a estreia de Rita Ferro no mundo das poesias musicais e é um fado alegre e divertido – fado alegoria – que voltou como segunda música do segundo encore a fechar o concerto. Disse Kátia:

“Este disco Até ao fim é, na verdade, uma história maravilhosa de cumplicidade e de entrega, e até foi muito fácil que tudo acontecesse porque eu quis ter ao meu lado alguém que me percebesse – o meu amigo e produtor musical deste disco: Tiago Bettencourt.” Foi Tiago Bettencourt que deu ao poema de Vasco Graça Moura a melodia perfeita: “Chama-se Até ao fim e é aqui que nós estamos – intensamente”.

Acompanhada de Tiago Bettencout no tema que dá nome ao álbum, a noite intensa não abrandaria aqui. Katia Guerreiro regressou com dois poderosíssimos encores, aplaudidos de pé, “Até ao fim”.

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