José Cid : Quatro décadas de música encheram o Campo Pequeno

jose_cid_09Reportagem de Madalena Travisco e Joice Fernandes

Ao fim de mais de três horas e ao terceiro encore com todos a desfrutar alegre e energeticamente “Múuuuuusica, eu nasci prá múuuuusica”, José Cid despediu-se do público. “Obrigado, meus queridos e minhas queridas, por me ajudarem a cantar as minhas músicas!”

Foi assim em todos os momentos deste animado concerto. Num palco iluminado com o acrónimo de José Cid, desfilaram os sucessos intemporais, ora em solo, ora com o sexteto, e também alguns temas do próximo trabalho: “Menino prodígio”, com que começou e cuja letra contém: “Foi Deus que me deu este jeito de ser musical”.

E pode afirmar-se que é tradição: Em cada mês de dezembro, José Cid volta a encher o Campo Pequeno em Lisboa para mais um concerto: meia arena repleta de dançantes e 180 graus de balcão e galerias preenchidas de entusiastas apreciadores dos êxitos do autor/compositor e intérprete mais versátil da música portuguesa. Ao todo, contando com duas atuações do Zé Perdigão – uma voz fantástica que vai ficar para a música popular portuguesa – foram 40 músicas para quatro décadas.

“O poeta, o pintor e o músico”, “Cai neve em Nova Iorque”, “20 anos”,”Um grande, grande amor”, “A cabana”, “No dia em que rei fez anos”, “A minha música”, “Todas as mulheres do mundo”,”A rosa que eu te dei”, “Tu tocas piano”, “Coração de papelão”,”O rock dos bons velhos tempos”, “A lenda d’el rei D.Sebastião”, “Ontem, hoje e amanhã”, “Favas com chouriço”, “Sonhador”, “Velho moinho”, “Romântico mas não trôpego” e “Como o macaco gosta de banana” foram os temas mais aplaudidos e incentivados à partilha. Por mais de uma vez, José Cid apelou às vozes do público:

“Só vocês. Quero ouvir-vos! Tirem os vossos telemóveis, os i-phones, os i-pads e gravem. Vamos gravar? Estão prontos? Estão prontas? Coloquem  no facebook e digam que estiveram no Campo Pequeno acompanhados pelo Tio Zé…”

Depois dos “Fados do Rock” e de uma digressão triunfal em terras americanas, Zé Perdigão, apresentou dois temas do novo trabalho “Sons Ibéricos” lançado simultaneamente em Portugal e em Espanha. Ao piano, Cid acompanha o jovem transmontano de voz espantosa no “Em Aranjuez com o teu amor” com jeitos de flamenco e num tema de sua autoria “Sou galego (até ao Mondego)”. No último encore, já de t-shirt em vez do colete sobre camisa branca, o jovem acompanha com cumplicidade José Cid na “Minha música”.

Várias mensagens de simpatia e bons momentos de música e de poesia marcaram o concerto. Uma homenagem aos bons poetas, bons pintores e bons músicos portugueses. Ao país de gente fantástica que é Portugal. À malta dos cavalos. Aos rapazes do campo e às meninas da cidade. Às mulheres mais lindas de Portugal que estavam no Campo Pequeno. Ao verde da esperança que está na bandeira de Portugal. Histórias repetidas ou adaptadas na apresentação dos temas….. Humor na adaptação das letras: Nos “20 anos” brincou: “20 anos mais tarde, encontrámo-nos por acaso, no Campo Pequeno a 6 de dezembro…” ou ainda: “Como o macaco gosta de banana, eu gostei de estar hoje aqui”.

José Cid esteve acompanhado pelo Chico Martins na guitarra, Samuel Henriques na bateria, Pepe no contrabaixo, Ricardo Mello no trombone, TóZé no trompete, Manuel Marques no saxofone, João Paulo Pereira nas teclas e Amadeu Magalhães na guitarra, na flauta e nos foles. Agradecimento final à produtora Malpevent, às promotoras Inha e Maria Luís, à equipa técnica de luzes, som e som de palco, ao Montepio, à SIC e à RFM «mas sobretudo a vocês que são incríveis: O melhor público do Campo Pequeno. Obrigado.»

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