John Legend – O Triunfo Do Amor Em Lisboa

Reportagem de Tânia Fernandes

Poderia ser dia de S.Valentim. A plateia do Meo Arena entrelaçou-se de pares. De mãos dadas ou abraçados foram receber a bênção do mestre das baladas da década: John Legend. Espalhou bons sentimentos, promoveu afetos, testemunhou promessas de amor eterno e cumpriu o que se pretendia: duas horas de música plena de emoções.

Darkness and Light, o álbum lançado no final de 2016, dominou o alinhamento, onde não faltaram os grandes êxitos anteriores e também algumas surpresas. A entrada em cena, da super estrela, deixava antever um cenário de impacto. O músico surge ao piano, numa plataforma elevatória, por detrás de uma abertura oval. Começa com “I Know Better”, a primeira faixa do álbum, que oscila entre a sombra e a luz. É também o que nos vai dando ao longo do concerto. Momentos mais sombrios e intimistas, em que deixa o público suspenso, concentrado na sua atuação e outros de plena euforia.

Do piano passa para o microfone e para o registo de festa com “Penthhouse Floor”. Temos um anfitrião muito comunicativo ao longo de toda a noite. Diz, logo de início, que vai tentar fazer tudo para que esta se torne uma noite inesquecível. E o público agradece de forma efusiva a consideração com que é tratado. Depois de um quase dueto com uma das vozes do coro em “Tonight (Best You Ever Had)” arrebata com o mais recente sucesso: “Love Me Now”. Avisa que esta noite se vai focar no amor e é esse o fio condutor. “Made to Love” é outra das canções que volta a promover a aproximação dos presentes.

O cenário é composto de painéis de vídeo que se deslocam, dando protagonismo a John Legend. O músico vai alternando entre a frente de palco, onde não se coíbe de dar uns passos de dança e ensaiar uma pose mais sensual e o piano, onde tem oportunidade de provar o seu talento.

Viaja a 2004 para recuperar o tema “Used to Love You” e faz com que a plateia o acompanhe com os braços no ar. “Like I’m Gonna Lose You”, a cover de Meghan Trainor vem depois de um pedido especial: “digam à pessoa que têm ao lado que a amam, antes que a percam…”. E nas primeiras filas, parece que há quem tenha posto em prática o conselho. Em “Slow Dance” chamou uma voluntária a subir ao palco, para com ele dançar o tema.

Ao longo da noite partilha episódios da sua vida familiar. E uma das mais comoventes foi quando contou o momento em que a filha nasceu. A família estava toda reunida em casa. Ele, para não atrapalhar, assumiu a função de dj residente e não se esquece do tema que estava a tocar no instante em que a mulher deu à luz. Decidiu assim, trazer “Superfly”, um original de Curtis Mayfield, para esta digressão.

Um dos momentos mais intimistas registou-se com “Ordinary People” em que a sua voz ecoou no Meo Arena. E depois de uma verdadeira ovação neste tema, tocou outra também recebida com muito carinho “Right by You” escrita para a filha Luna. A emoção continuou com “God Only Knows”, a canção dos Beach Boys, cantada a cappella. Em “Greenlight” volta a pedir para o público o acompanhar e acaba a dançar em cima do piano.

Na reta final do concerto, a euforia subiu de tom com “You & I” e depois, em encore, “All of Me” (momento todos-com-a-luz-do-telemovel-acesa-no-ar).

Vinte e cinco temas depois, fechou a noite com “Glory”. A noite fez-se de oportunidades para fazer vingar o amor, e concluiu-se com o amor maior: o apelo ao respeito pelo outro e a salvaguarda dos direitos humanos.

No final o balanço era positivo: música, entretenimento, boas histórias pelo meio. Criou empatia e conquistou o público com o seu talento mas também com a sua extraordinária simpatia e entrega.

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