A Essência De Joaquín Cortés No Cascais Groove

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Joaquín Cortes trouxe ontem o flamenco ao Cascais Groove. Esencia é um espetáculo autobiográfico sobre a criança que luta pelos seus sonhos, combate adversidades e faz frente às críticas até se tornar uma estrela internacional na sua arte. Cruza o ritmo tradicional da Andaluzia com bailado contemporâneo e é atravessado por um amor intenso, sofrido e desesperado. Reúne, em palco, um elenco de trinta artistas entre vozes, bailarinos, percussão, sopro e cordas.

A noite não terá corrido da melhor forma para o artista, que se lesionou, não tendo conseguido comparecer nos agradecimentos finais. Ainda assim conseguiu conduzir um espetáculo intenso, pleno de alegria e sentimento, com cerca de duas horas.

O espetáculo inicia com uma encenação teatral. O foco de luz incide sobre Joaquín Cortés, sentado à beira do palco, em pose contemplativa. Uma voz conta os seus pensamentos. Uma ambivalência entre o sonho de dançar e os medos de ser julgado pelo que pretende mostrar ao mundo. Faz uns movimentos de aquecimento de articulações, o palco volta a mergulhar na penumbra para depois nos voltar a iluminar o homem, já em pé, de cartola na cabeça, decidido a demonstrar a sua arte. O branco intenso do tablao faz ainda brilhar mais esta estrela, cujos pés se mexem de forma frenética. A entrega do bailarino andaluz é imediata e envolve o público num espetáculo intenso de emoções. Põe a nú a sua alma e a sua arte, uma viagem que começou em Córdoba e o levou a brilhar Nova Iorque. As vozes que o acompanham rasgam o ambiente e trazem a sonoridade do berço cigano.

O espetáculo de flamenco cruza-se com a dança contemporânea e segue-se um momento interessante em que Joaquín Cortez divide o palco com o bailarino Nicolás Rambaud. Duas diferentes vertentes em palco, numa experiência interessante.

O palco é depois entregue às três vozes femininas que acompanham o espetáculo. Cantam o amor, que adjetivam de “louco” e marcam o ritmo com as palmas. Na cena seguinte o palco enche-se de ninfas, o grupo de dez bailarinas que surpreende, de tronco nu, a ondular ao som das ondas do mar.

Na segunda parte do espetáculo, o flamenco é apresentado na sua forma mais tradicional, com os músicos a reunir mais próximo do público e Joaquín Cortés no centro das atenções. Sempre com um sorriso rasgado na cara, cativa com a sua atitude e maravilha com o seu talento. A cada volta, um piscar de olhos a uma plateia atenta, que não se coíbe de aplaudir compulsivamente. É certo que os anos passam e a figura ganha novos contornos. Já não seduz de troco nu e prefere as roupas escuras, ainda assim a energia matem-se- A determinada altura percebe-se que se magoou e sai de palco a coxear. Regressa no entanto e conduz o espetáculo até ao fim, sem mais sobressaltos. O público pede um encore, mas já só comparecem músicos, cantores e bailarinas.

O Cascais Groove está a decorrer no Parque Marechal Gomes da Costa, em Cascais. Arrancou na noite de sexta-feira com uma dupla atuação carregada de humor: As Baladas do Dr. Paixão, protagonizadas por Nuno Markl e João Só e Deixem o Pimba em Paz, com o duo Bruno Nogueira e Manuela Azevedo.

Esta noite atuam os Thievery Corporation, às 22h00 e os bilhetes, à venda nos locais habituais, custam 20 euros.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.