Jardins Reabrem Ao Público

Com o início do desconfinamento os Jardins Botânicos de Lisboa, o Parque de Serralves no Porto e o Jardim da Quinta das Lágrimas reabrem ao público.

Em Lisboa o destaque vai para a reabertura do Jardim Botânico de Lisboa (JBL), ao Princípe Real, e do Jardim Botânico Tropical (JBT) em Belém, tutelados pela Universidade de Lisboa, e que esta semana já estão abertos ao público e com um conjunto de regras para a realização das visitas em segurança.

O Jardim Botânico de Lisboa (JBL) está classificado como monumento nacional, fazendo parte do centro histórico da capital portuguesa. Ao longo de 4 hectares é possível encontrar espécimes vegetais oriundos de diversas partes do mundo, entre as quais sobressaem Cicadácias, Gimnospérmicas, palmeiras e figueiras tropicais. Em termos de património o JBL possui coleções de objetos naturais, xiloteca, um herbário com mais de 220 000 folhas, integrando ainda um banco de sementes com mais de 1200 espécies, e um banco de DNA com 1 a 5 amostras de cada espécie da flora portuguesa ameaçada. No JBL também é possível visitar o Borboletário (a primeira estufa de criação de borboletas da fauna Ibérica aberta ao público).

Jardim Botânico Tropical (JBT) é um espaço verde de interesse científico e de recreio com cerca de 7 hectares, sendo constituído, essencialmente, por espécies exóticas cuja plantação se destinou a desenvolver o estudo da flora das colónias portuguesas. Plantado em terreno com suave declive, o jardim integra alamedas, lagos, estufas, campos experimentais, jardim oriental e canteiros onde se dispersam várias espécies exóticas, para além de um  herbário. No topo Norte do jardim, situa-se o Palácio Calheta, mandado construir como casa de veraneio, em meados do séc. XVII por D. João Gonçalves da Câmara, 4.º Conde da Calheta. Este palácio e os terrenos adjacentes, onde se desenvolve atualmente o JBT, foram adquiridos em 1726 por D. João V que os reformulou profundamente. Nas proximidades do Palácio Calheta, verifica-se em 1758 o atentado contra D. José I, que culmina no processo dos Távoras, tendo alguns dos interrogatórios decorrido no palácio. Em 1940, o JBT acolheu a Secção Colonial da Exposição do Mundo Português, sendo ainda visíveis alguns dos pavilhões que a constituíam.

As regras de acesso aos Jardins são:

  • Alteração do horário dos jardins: 10h00 às 17h00
  • Suspensão dos períodos de gratuitidade: domingo, no JBL e 2ª feira, no JBT
  • Temperatura corporal inferior a 38ºC – medição da temperatura corporal de todos os colaboradores e visitantes
  • Grupos até 5 pessoas
  • Distância social mínima de 2m
  • Uso obrigatório de máscara no acesso à bilheteira do JBL e WC’s dos dois jardins
  • Número máximo de visitantes, em simultâneo: 80 JBL e 120 JBT

A entrada e permanência no jardim só serão possíveis se estas condições se verificarem, informa ainda a direcção.

No Porto, destaque para a reabertura do Parque de Serralves, que volta a abrir as suas portas ao público, das 10h00 às 19h00.

Assim, os visitantes poderão, de novo, «usufruir de passeios livres pelo Parque, com diferentes percursos e durações, em contacto com a natureza e apreciando a riqueza do seu património arbóreo e arbustivo».

O Treetop Walk, passadiço elevado ao nível da copa das árvores, as várias esculturas, de alguns dos mais relevantes artistas portugueses e estrangeiros, obras da Coleção de Serralves instaladas em permanência no Parque de Serralves, são algumas das “boas” razões para (re)visitar o Parque de Serralves.

Em Coimbra, o destaque vai para a reabertura ao público dos Jardins da Quinta das Lágrimas.

“As cores, os cheiros e a beleza da natureza viva que aqui se encontra unem-se à História de mais de sete séculos da Quinta das Lágrimas para proporcionar momentos de fruição e paz, depois do último, longo e pesado período de confinamento e de Inverno que está prestes a terminar”.

Os jardins da Quinta das Lágrimas existem desde o século XIV, altura em que a Rainha Santa Isabel mandou construir, na Quinta das Lágrimas, um canal para levar a água de duas nascentes para o Convento de Santa Clara. Este sítio ficou conhecido como “Fonte dos Amores”, também por ser aqui que ficou gravada para sempre a história da paixão de Dom Pedro, neto da Rainha Santa, por Dona Inês de Castro. A outra fonte da Quinta foi baptizada de “Fonte das Lágrimas”, por ser mencionada por Luís de Camões como tendo nascido das lágrimas que as jovens de Coimbra (“as ninfas do Mondego”) choraram pela morte de Inês. O sangue de Inês terá ficado preso às rochas do leito, ainda vermelhas depois de 650 anos… “Lágrimas são a água e o nome amores”, escreveu Camões em “Os Lusíadas”.

Os jardins foram sendo modificados ao longo dos séculos. A sua actual configuração remonta ao século XIX, quando foi construído um jardim romântico, com lagos serpenteantes e árvores exóticas e raras. Muitas árvores para completar coleções foram plantadas nos anos 60 do século passado. A partir da primeira década do nosso século, a arquitecta paisagista Cristina Castel-Branco restaurou e recuperou ao longo dos anos os jardins, entretanto na posse da Fundação Inês de Castro, projeto que incluiu a construção do anfiteatro Colina de Camões, que nos últimos 12 anos tem sido o palco principal dos espectáculos inesquecíveis do Festival das Artes.

Os Jardins podem ser visitados diariamente das 10h00 às 19h00. E os bilhetes  podem ser adquiridos na entrada Norte do jardim e custam o Bilhete Simples 2,50 euros, o Bilhete Especial (< 15 e > 65 anos) 1 euro e o Bilhete de Família (2 adultos + 2 crianças) –  5 euros. As visitas guiadas requerem marcação prévia e reserva obrigatória.

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