Homem de Leis perdido nos trópicos procura senhora honesta assinala a estreia de José Magalhães no Romance

José MagalhãesHomem de Leis perdido nos trópicos procura senhora honesta é o título que marca a estreia do deputado José Magalhães no campo do Romance.

Conhecido na Praça Pública pelo seu papel na política nacional e por ter sido dos primeiros políticos e figuras conhecidas portuguesas a falar e a defender a Internet, José Magalhães volta agora a surpreender, ao apresentar um novo livro, desta vez no campo do Romance. Homem de Leis perdido nos trópicos procura senhora honesta é o nome da obra que marca esta incursão já considerada de “ousada”.

O romance-revelação de José Magalhães é uma incursão ousada no universo misterioso da Bahia de Todos os Santos vista através dos olhos de Rodrigo de Menezes, um sexagenário homem de leis formado em Coimbra, influente e rico que partiu para o Brasil para casar. Perdido na Costa do Cacau do século XXI, persegue em Ilhéus um sonho brasileiro difícil de concretizar.
Apesar da lua-de-mel paradisíaca, cedo percebe que a sua nova mulher pode não ser de confiança. A trama adensa-se quando de súbito adoece e tem de regressar com urgência a Portugal para tratamento. Dissipadas ilusões e um casamento terminal, vai ter de enfrentar o malandro baiano que lhe coube em sorte, cruzando a vida com Hildinha, Maria Rita, a dupla de detectives Aloísio & Ulianov, e outros baianos de gema. Engenhosamente irónica e crua, a saga do sexagenário forçado a emigrar oferece um retrato actualizado da terra de Gabriela Cravo e Canela que Jorge Amado tornou património universal, o autor promete um desfecho inesperado dos clássicos, em versão tropical.

This slideshow requires JavaScript.

 

A propósito deste seu novo livro, o C&H falou com o autor e tentou saber um pouco mais o que está por detrás da estória e dos personagens de Homem de Leis perdido nos trópicos procura senhora honesta.

[one_half last=”no”]

Em que se inspirou e o que motivou este seu ingresso no campo do Romance?
Fui viver para Ilhéus quando cessei funções no XVIII Governo. Conheci na Bahia muito boa gente, cidadãos brasileiros ou estrangeiros residentes,alguns deles portugueses. Quando pensei escrever sobre essa experiência de vida, havia múltiplas formas de expressão possíveis: autobiografia, caderno de viagens,crónicas sobre o viver baiano…Nenhum deles me apeteceu. Atrevi-me a optar pelo figurino “romance” porque me pareceu território de liberdade. Permite reflectir a realidade sem ter de a respeitar fielmente, autoriza tramas nunca ocorridas e personagens inexistentes ou feitas de estilhaços de gente viva. Foi uma experiência nova e muito desafiante.

O que leva um homem da Cultura e da Política portuguesa a localizar a trama da sua obra no Brasil, mais concretamente na Bahia e na Bahia de Jorge Amado?
Foi lá que vivi bom número de meses. Nos trópicos, onde nasci (em Luanda). Conheci de perto gente óptima e também o malandro baiano. A Mata Atlântica continua linda,como no tempo dos coronéis do amado Amado. As regras velhas sobreviveram.

[/one_half]

O facto de a personagem principal partir para o Brasil quer transmitir alguma mensagem especial?
O Brasil fascina por boas razões. No caso do Homem de Leis que retratei, o fascínio junta-se à necessidade.Ficou sem o cargo que exercia como presidente de uma ONG financiada por uma grande empresa de construção civil falida entre fumos de escândalo. Tinha um casarão numa praia de Ilhéus, pensou que seria um abrigo oportuno para um expatriado à força. Enganava-se! Mas não encontrou só dissabores.
Tinha vivido pouco. Cresceu à força e descobriu o seu Ser Oculto e muitas outras novidades.

Projectos para um novo Romance?
Acho que sim. Os detectives que surgem numa curva da minha narrativa conhecem muito mundo e viveram aventuras de arregalar olho. Talvez venham a contar-me alguma.
Ou talvez acompanhe a vida de um opaco contabilista que,por sua iniciativa e sem mais ninguém saber, conseguiu destruir o universo BES com três passes de mágica. Ascensão e queda do dono disto tudo.

 

 

José Magalhães nasceu em 1952, é licenciado em Direito e mestre em Ciências JurídicoPolíticas, é deputado pelo PS, integrando a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Desempenhou, entre outras, as funções de Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e de Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna. Já anteriormente tinha publicado algumas obras relacionadas com a internet, nomeadamente Homo S@piens – Cenas da Vida no Ciberespaço (Quetzal, 2000), e estreia-se agora no Romance com este livro.

Lançado recentemente no Grémio Literário, em Lisboa, Homem de Leis perdido nos trópicos procura senhora honesta, é uma edição IDEIA-FIXA – Aletheia, tem 204 páginas e um preço de venda ao público recomendado de 15 euros.

Por Elsa Furtado, Madalena Travisco e Joice Fernandes (Fotos)

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.