HMB No Coliseu Do Porto: E Assim Foi O Amor

Reportagem de César Castro (Texto) e Rodrigo Salazar Oliveira (Fotografia)

O Coliseu do Porto foi palco da noite “memorável” dos HMB. Uma das salas, por excelência, mais emblemáticas da cidade e do país, recebeu a banda que, este ano, celebra uma década de aniversário, e, à boa moda do Porto, só fez falta quem lá esteve. E quem não esteve, que estivesse.

É que, em dez anos, a banda portuguesa está notoriamente mais madura. E, depois de em 2010 terem estado naquele espaço a comer uma francesinha, agora era vez de tomarem um palco como o do Coliseu. “Graças a vocês”, sublinhou Héber Marques que, juntamente com Joel Silva, Joel Xavier, Frederico Martinho e Daniel Lima, compõem a banda.

Do álbum Mais, lançado em fevereiro deste ano, fizeram parte do repertório “Suspirou”, o solo que abriu o concerto, “Vai ou Racha”, que deu compasso ao público, e “Não me leves a mal” que, desde que foi lançada, parece ter caído facilmente na graça dos portugueses.

Numa noite passada em revista pelas músicas mais antigas da banda como “Dia D” ou “Não Me Deixes Partir”, também houve espaço para uma faceta mais intimista dos seus elementos com a partilha de histórias mais pessoais. “Sei que estou a ser revista cor de rosa, mas sei que vocês gostam”, disse Héber.

A introdução para o tema “Paixão” fez-se com a pergunta: “Alguém gosta de novelas?”, numa alusão ao genérico de uma telenovela portuguesa com o mesmo nome. Se a questão se perdeu pela azáfama característica que se vive entre o final de uma música e o início de outra, a reposta veio em forma de amor, que parece ser especialidade da casa da banda.

Seguiu-se, entre outras, “Essa Saudade”, em jeito de dedicatória aos 38 anos de casamento dos pais do Joel. “Frágil”, “Tanto me Faz”, “Sorri Para Mim” e “Sabes a Pouco” também ecoaram pela sala, em momentos distintos, enquadrados por uma clara assistência transgeracional.

“A Culpa de Quem Pariu” lembrou a crise que, outrora, afetou o país e foi, à data, um grito da banda para com o estado da nação.

E se havia mais amor para dar, os HMB tiraram-no da cartola, com a ajuda de quem o tornou “mágico” nos últimos anos. Foi assim quando descortinaram, da lateral do palco, os Expensive Soul que tiveram honras da banda para juntarem-se à festa de aniversário no Norte.

Não mais do que três músicas antes, tinha sido a vez de Miguel Araújo cantar “Tudo Muda” com a banda. Ainda não tocara e já ia colhendo os longos aplausos da plateia que não se conteve em repetir a dose durante, e depois, da atuação do músico da cidade, numa demonstração evidente de que é um dos músicos portugueses mais acarinhados pelo público.

Mas é já na reta final com “O Amor é Assim”, que lhes valeu um Globo de Ouro também este ano, “Peito” e “Naptel Xulima” que os HMB mostram porque são uma das bandas mais contagiantes da atualidade. Em verdadeira apoteose, lá se despediram no final, mas a festa, essa, é certa que continua em fevereiro de 2018, no Campo Pequeno, em Lisboa.

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