Hip Hop Foi A Linha De Música Do Segundo Dia De Festival Super Bock Super Rock

Reportagem de António Silva, Marina Costa e Tânia Fernandes

Anderson .Paak

A aposta num cartaz de hip hop, para o segundo dia de festival Super Bock Super Bock, revelou-se certeira. A faixa etária baixou e o público chegou em maior número. Desde cedo, que se contavam grupos de amigos prontos para entrar nas rodas de mosh que se formaram em Anderson .Paak & The Free Nationals e mais tarde Travis Scott.

Passo a passo Slow J conquistou este festival. Foi a primeira confirmação desta edição, depois de um tremendo sucesso, o ano passado, no palco EDP e preparou, desta vez, um alinhamento repleto de convidadados.

Arrancou com “Arte”, “Casa” e “Sonhei para dentro”. A Altice Arena foi enchendo e quem entrava, juntava-se ao coro de vozes. A pimeira, mais evidente, foi com “Às Vezes”, em que Slow J, cedeu muitas vezes o tempo de microfone ao público, para completar os versos. O tema contou com a entrada do primeiro convidado: o rapper Nerve, que participa no tema. Deixa os primeiros agradecimentos, com ar de quem está a saborear um bom sonho e continua para “Comida”. Os temas são relativamente recentes, mas estão na ponta da língua de quem o acompanha nas primeiras filas.

Pede para a produção ligar as luzes, quer ver as caras de quem tem à frente e continua para o gigante “Water” com um dos mais conhecidos nomes nacionais: Richie Campbell. Todos cantam e no final, Slow J dá um profundo suspiro. Uma espécie de preparação para apresentar o convidado seguinte, sobre o qual diz que “é um artista português que eu vi no primeiro festival a que fui”: Carlão. Os dois juntaram-se recentemente, em estúdio e estão a preparar um dos temas do seu novo trabalho. Slow J deixa escapar, no final do tema, que é o dia de aniversário de Carlão e na plateia canta-se os “parabéns”.
Slow J continua para “Fome”.
Ainda estamos a recuperar da avalanche de convidados, quando Slow J traz mais dois nomes de peso: Papillon e Plutónio. Os dois rappers puseram o público aos saltos, a dançar, com “Iminente”, o tema de Papillon, produzido por Slow J.
A música seguinte é já um dos hinos do músico “Vida Boa”. No final, conclui com um “Muito obrigada por fazerem parte desta vida boa.

A fechar, e já em encore, Slow J apresentou “Não Pares”. Este é o mais recente single, lançado a 13 de junho, produzido por Slow J e Stereossauro, numa colaboração que junta ainda Papillon e Plutónio. Os dois músicos voltaram para fazer a festa com ele. O tema é uma história de amor e auto-superação que mostra a jornada de um casal de aventureiros apaixonados. O público teria ficado, mas acabou por desmobilizar ao som de “Mun’Dança”.

Seguiu-se um dos nomes esperados da noite: Anderson .Paak & The Free Nationals. Com uma energia inesgotável o rapper mostrou o seu talento em palco. Primeiro, só ao microfone  e num movimento de corpo que chegou a todos os cantos do palco, dando provas de uma agilidade de pernas invejável. Sempre muito comunicativo, pediu para o acompanharem, com as luzes dos telemóveis acesas e mais tarde com os braços no ar. Depois, sentou-se à bateria e acumulou as duas tarefas: voz e ritmo com a maior das facilidades. Na plateia, o público muito jovem libertava energias a criar clareiras de moshe. “Am I Wrong” e “Room in Here” foram alguns dos temas apresentados, muito aplaudidos. “Do you still love each other?” perguntava no final do concerto? Espalhou o amor, num hip hop psicadélico, que por vezes tocou no reggae.

Num cenário muito interessante, cruzando um futurismo e uns toques de old school, há que elogiar as imagens de cenário destes artistas. A presença em palco e a sincronia nas músicas e coreografias provocava o delírio de um público, também ele bem sincronizado nas movimentações, e ovações a este rapaz que canta a sorrir. Anderson Paak foi a loucura de energia, movimento, e foi o performer usando a sua música para o sentido que ela tem – expressar emoções. Sempre desafiando o público, mesmo atrás da bateria este não o deixava sem resposta, puxando, pulando, de braços no ar, foi um concerto de reconhecimento ao que este rapaz californiano compõe.

Se, à primeira vista, ao entrar no recinto durante a atuação de Anderson.Paak & The Free Nationals tínhamos a sensação de estar perante uma plateia ao rubro, a loucura duplicou quando chegou Travis Scott. Da bancada, percebia-se a azáfama entre os seguranças, a retirar pessoas aflitas da plateia. Atitude inevitável, face ao acumular de jovens na frente de palco e a vontade individual de cada um de explodir em modo de dança descontrolada. Travis Scott é o primeiro a incitar a isso. O som não é claro, torna-se difícil entender o que diz, mas a mensagem chega a quem o idolatra. O ambiente é exaltado com rajadas de fumo, fogo e luzes hipnóticas. O músico de Houston é uma das principais figuras do hip hop mais recente e, claramente, um padre nesta paróquia. No centro do palco há uma torre, a que acede através de um escadote, que aberga outro músico. Um púlpito, a partir de onde, nas alturas, governa o caos a que se assiste na plateia.

No palco EDP o hip hop destacou-se em português, com ProfJam. O público aderiu em força para ouvir um dos mais recentes talentos nacionais. O músico encontra-se a preparar o seu álbum de estreia, previsto ara o final do ano e tem já uma boa legião de admiradores que conhecem as suas músicas. Problemas técnicos deixaram-no sem som, durante a atuação, mas nem o músico, nem o público se atrapalharam, dispostos a continuar a festa, mesmo sem amplificação.

A abrir a tarde, Olivier St.Louis conseguiu captar a atenção, até pela sua abordagem descontraída e divertida. Natural de Washington DC, trouxe uma música funk, onde se percebem influências de rock e blues. Um final de tarde descontraído, ao som de uma boa voz e de melodias apaziguadoras.

O músico voltou ao palco mais, tarde, na qualidade de músico dos Good Compny, a banda que tocou com Oddisee. Este rapper norte-americano tem uma longa carreira discográfica. Também é produtor e deu um concerto onde viajou pelo seu portfólio de letras, sempre fiel à batida de hip hop.

A explosão de energia, neste palco, deu-se com a entrada da rapper Princess Nokia. Ainda à espera, o público estava deveras entusiasta para o arranque de um concerto de descarregar baterias com a presença acelerada, enérgica e feroz desta rapariga de nome Destiny. A americana, dançou, mexeu, provocou, com a sua postura em palco e as letras que refletem vivências duras (também na primeira pessoa) e realidades que gosta de confrontar. Num palco bem composto que cantou ao som deste hip-hop feito na América, e que cruza uma geração que trata as realidades através da música como uma forma de estar.

Encerrava o Palco EDP, Tom Misch. Recebido e acompanhado por um grupo respeitável de admiradores que à medida que o concerto iniciava se foram aproximando em passo acelerado para ouvir este rapaz; de presença serena e cenário desnudo, mas a encher o ar de um som harmonioso entre teclas, voz e guitarra, a que se sobrepuseram um convidado especial e saxofone e um violino que desconstruía a necessidade de catalogar a tipologia do que este rapaz compõe. Com influências desde o hip-hop, passando por ritmos r&b, batida soul, e rasgos de jazz, não limitemos a música e deixemos crescer Tom Misch assim como cresceu até ao final do concerto a plateia neste palco EDP… Muitos adoram, outros tantos conheciam e quem se cruzou com ele neste segundo dia de festival vai voltar a ouvir.

A destacar no placo LG o cantautor Luís Severo. Com um público que cantava e embalava ao som da voz deste rapaz tão bem nosso conhecido. Agora em nome próprio a obra de arte lírica é de admirar e assim foi num concerto que contrastou com os ritmos acelerados dos outros palcos. Aqui Luís obrigava-nos a absorver cada verso e cada compasso, como se ligados emocionalmente a este nosso artista.

O Festival Super Bock Super Rock continua hoje com as atuações de Benjamin Clementine, Julian Casablancas & The Voidz, Stormzy e La Fura dels Baus, entre outros.
Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais e custam 60 euros.

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