Guns N’Roses – Lisboa Festejou O Regresso Dos Grandes Concertos Com As Lendas Do Rock

Reportagem de Tânia Fernandes

Slash no Concerto de Guns n' Roses

O concerto de Guns N’Roses, este sábado, no Passeio Marítimo de Algés assinalou o regresso dos grandes eventos à capital. De acordo com a organização, estiveram cerca de 45 mil pessoas, a assistir ao primeiro concerto de uma digressão que teve aqui início e vai continuar pela Europa durante o verão.

Depois de mais de dois anos de cancelamentos, restrições e limitações sentiu-se no ar a celebração da liberdade de voltar a poder estar, com amigos e família num grande recinto, frente a um imponente palco, de copo na mão a dançar.
A euforia da celebração resultou em algumas manifestações de alegria exacerbadas – e já com alguma falta de coordenação – mas o bom ambiente reinou em todo o espaço.

O regresso, cinco anos de depois de um concerto no mesmo espaço, de uma das bandas icónicas do rock trouxe várias faixas etárias ao Passeio Marítimo de Algés. Muitos pais trouxeram os filhos a este concerto. Numa espécie de passagem de um legado, fizeram questão de dar a conhecer o que ouviam, quando eram adolescentes. Da formação original resistem Axl Rose, Slash e Duff McKagan, personagens que ainda conseguem montar um espetáculo convincente. Ainda que a prestação vocal de Axl Rose já esteja longe do que foi, não é absolutamente desastrosa e cumpre a missão de nos fazer viajar no tempo.
Primeiras bandas

As portas abriram com o sol ainda bem quente e, de forma ordeira, o público desfilou pelo corredor de acesso ao recinto. Paragem para selfie, na passagem pelo pórtico atestava a importância do momento.

The Last Internationale foram os primeiros a pisar o palco. Delila Paz, conduz a formação, na sua habitual atuação espontânea. ‘Wanted Man” foi um dos pontos altos numa curta apresentação que surpreendeu os presentes ao fechar com “Grândola Vila Morena”.

Seguiu-se Gary Clark Jr , o guitarrista de blues, que deu uma boa sessão de blues e soul, ao final do dia.

Guns N’Roses
Como seria de esperar, o público foi-se concentrando na direção do palco, à espera da abertura do “castelo assombrado” que animou a tela de fundo. Durante cerca de uma hora de intervalo entre os dois concertos, fomos vendo “almas do outro” mundo a espreitar. Destacava-se ainda um importante símbolo , em cima do palco: a bandeira da Ucrânia.

As 21h00, com a luz do dia a perder força, as luzes de palco acenderam-se e passaram a dominar o ambiente. Começamos por assistir a uma animação em modo Frankenstein zombie que introduziu o mood da noite.

Os Guns N’Roses iniciaram em Lisboa a digressão Europa, preparada ha algum tempo e metida em modo de stand by pela pandemia, e foi por isso uma noite emocionante. “How lovely it is to be you here all night!”. Foram três horas de concerto em que exploraram momentos de puro rock, menos conhecidos do grande público, mas a fazer soar guitarras. E guardaram, como é habitual, mais para o final do concerto, as canções mais melosas, aquelas para ouvir com uma mão no ombro , embaladas ao som do ritmo .

Axl Rose também já não é o menino mimado de quem recordamos a birra no Estádio de Alvalade em 1992, e encantou pela forma simpática como se dirigiu ao público durante toda a noite.

O extenso alinhamento, a deixar o público plenamente satisfeito com a noite, foi bem doseado e diverso. Abriram a rasgar com “It’s so Easy”, “Mr. Brownstone”, passaram por jóias da coroa “Rocket Queen”, “Double Talking Jive”, “Reckless Life”, “Live and Let Die”. Assinalaram a atualidade e marcaram posição ao dedicar “Civil War” ao que se está a passar na Ucrânia. Passaram por versões de músicas míticas como “Walk All Over You” dos AC/DC e levaram-nos a recordar Iggy Pop com uma cover dos The Stooges de “I Wanna Be Your Dog” cantada por Duff (claramente o membro do núcleo duro da banda em melhor forma!). Conquistaram com o leque de trunfos que tem sempre no baralho:
“Welcome to the jungle”, “Sweet Child of Mine”, “November Rain”, “Knocking on heaven’s door” (popular cover de Bob Dylan que quase nos esquecemos que não é de Guns n Roses).

Ainda conseguiram deixar três peças chaves para o encore, a fechar da melhor forma esta noite de festa “Patience”, “You’re Crazy” e “Paradise City”.

O rock não morreu e continua a fazer muitas cabeças abanar energia e de pura felicidade. A avaliar pela quantidade de chapéus e t-shirts que circulavam no recinto, para a venda de merchandising continua a ser uma mina!

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