Guns N’Roses Fazem Do Passeio Marítimo De Algés Paradise Rock City

Por Tânia Fernandes

25 anos depois, o que é que mudou na atuação dos Guns N’Roses? Olhando para o alinhamento de temas, verificamos que muito pouco. Voltaram a aquecer com “Mr Brownstown” e a fechar com “Paradise City”, com todos os grandes êxitos pelo meio, e (felizmente) poucos acrescentos do que editaram no novo milénio. O respeito pelo público é maior.

Birras, vedetismo e amuos não chegam agora ao palco. Há maior tento na língua também, e só ocasionalmente fazem referência “às mães dos outros”. Not In This Lifetime é uma viagem de nostalgia que tem conquistado o mundo e arrebatou Lisboa.

Axl Rose (voz), Slash (guitarra) e Duff Mackagan (baixo), três dos membros fundadores fizeram as pazes, morderam a língua e depois de um período conturbado, voltaram a tocar juntos. As consequências de uma vida de excessos são evidentes, mais em Axl Rose, do que nos restantes membros. A indumentária e a caracterização estão lá, mas torna-se difícil identificar a figura que arrebatava corações. No entanto o timbre é o de sempre, a voz rouca que cresce e ganha dimensão, carrega raiva mas consegue também ser doce e emotiva. Tem hoje uma irreverência contida. Gosta de percorrer todos os cantos do palco a correr, subir às caixas de som e fazer o público vibrar, mas acata as regras do jogo.

Não tivemos assim de esperar por um vento favorável no humor dos elementos da banda para assistir ao início do concerto. À hora marcada a festa começou, com a força de “It’s so easy”. E sim, é tão fácil assistir a um concerto composto por músicas há tanto tempo guardadas no baú.

Do primeiro álbum, Appetite for Destruction, editado em 1987, tocaram quase todos os temas. “Welcome to the jungle”, “Nighttrain”, “Out To Get Me”, “It’s So Easy”, “Mr. Brownstone”, “Sweet Child O’Mine” ou uma versão estrondosa de “Rocket Queen”, entre outros. De Use Your Illusion tivémos direito à cover “Live and Let Die” uma bela dose de riffs em “Double Talkin’ Jive” e ainda o doce piano na melosa “November Rain”.

Da segunda dose, “Civil War”, o incontornável “Knocking on Heavens Door” (para muitos, mais de Guns N’Roses do que de Bob Dylan) e um “Estranged” bem agressivo.
No meio do alinhamento houve ainda tempo para algumas homenagens: aos Pink Floyd com o brilhante solo de guitarras de Slash em “Wish You Were Here” e um tributo a Chris Cornell com uma versão de “Black Hole Sun” dos Soundgarden.

A tribo presente no Passeio Marítimo de Algés apresentou-se vestida a rigor, a maioria com t-shirts dos Guns N’Roses, muitos com o lenço vermelho na cabeça, um número considerável de camisas aos quadrados amarradas à cintura e até algumas cartolas altas. “Speak Softly Love” a versão do filme O Padrinho, interpretada por Slash fez subir muitas guitarras imaginárias no ar. Quem não tem um Slash dentro de si?

Para encore, ficou o assobio mais popular do final dos anos 80 em “Patience” e o fecho em grande com “Paradise City” com confettis e pirotecnia, a provar que os anos podem ter passado, mas há bandas que são eternas. Ultrapassadas as birras, os Guns N’Roses têm um lugar especial reservado no coração dos portugueses. E também dos muitos espanhóis que marcaram presença em Lisboa.

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