Gavin James Cantou O Amor E O Humor Em Lisboa

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Gavin James
Gavin James

Quem trocou as celebrações do dia de São Valentim, pelo concerto de Gavin James, este sábado, no Lisboa ao Vivo, marcou pontos. Acertou em cheio no programa mais romântico do ano e ganhou em antecipação. 

O cantor e compositor irlandês fez a sua estreia, este fim de semana, em Portugal. Depois do Porto, na noite de sexta-feira, desceu ao Lisboa ao Vivo. Trouxe música a pedir abraços e mãos-dadas, mas também uma boa dose de humor e surpresas.

A noite começou com o seu amigo, o também irlandês Declann Greene. Desconhecido? Sim. Mas certamente recordado por quem assistiu ao concerto. Altamente desinibido, cheio de vontade de interagir com o púbico, com boa voz e ritmo, conseguiu envolver, no curto espaço de tempo em que esteve em palco, a plateia. Começou a cantar a capella e pediu sempre ao público para o acompanhar.  Ofereceu um mimo, com a sua versão de “Shallow”, a música do filme Assim Nasce uma Estrela.

 

Despediu-se com “Stay” e, com o seu bom humor, explicou que é a última música que gosta de tocar nos seus concertos, pois assim, fica a ouvir o publico a pedir-lhe para “ficar” (o significado de “Stay”).

Sem grande intervalo, entra em palco Gavin James. Há quem comente a semelhança de fisionomia dos dois irlandeses, mas percebe-se que o alcance da voz de Gavin James é muito superior. Em comum, temos também uma dose extra de bom humor, que parece ir colmatando algum nervosismo do músico. 

Muito amor (e também a sua falta) preenchem as letras da noite. O concerto incide sobre Only Ticket Home o seu mais recente álbum, editado em 2018 e cheio de temas que falam direto ao coração. Há admiradoras, muito jovens, nas primeiras, filas. Casais jovens, pelo meio, e algum público mais velho, na parte de trás da sala. Amor e música, aquela linguagem que abrange todas as faixas etárias. 

Começa com “Till The Sun Comes Up” do álbum anterior, Bitter Pill e passa para “Start Again” do mais recente. Entre temas, partilha com o público, que tem pena de não saber falar português, mas sabe que comeu “churrasco” ao almoço. Toca e canta, “Tired” e a sua única companhia em palco é o jovem Jeff, nas teclas. 

Antes de apresentar o quarto tema, revela que há um problema com a guitarra e pergunta: “Posso ir aí para o meio de vocês?”

Sai do palco, entra na lateral do público, abre-se uma clareira e Gavin James toca e canta, sem qualquer amplificação de som, para surpresa do público. Os telemóveis iluminam-no e vêm-se expressões de comoção por detrás da tecnologia.

Apresenta cada tema, com uma breve explicação, mesmo que algumas sejam demasiado óbvias para fundamentações mais elaboradas: “Flow”, “Coming Home” e avança depois para um dos temas mais orelhudos da seu repertório: “Nervous” também conhecida como “The Ooh Song”. O público correspondeu e Gavin James deu um brilhante espetáculo neste tema, em sincronia com Jeff.

Continua com “Faces” e “The Middle”. Sublinha uma das características que portugueses e irlandeses têm em comum que é o facto de conseguirem cantar alto. E pede por isso para abusarem!

Promove momentos mais intimistas, em que apela ao embalo, e antes de chegar ao final do concerto avisa que vai haver um momento em que eles vão fingir que saem, mas que voltam, para o público não ficar preocupado. E a gargalhada é geral. 

Continua com “Easy” e “Hearts on Fire” em que põe todos de cócoras, para depois explodirem a dançar. “Always”, o seu grande êxito, é recebido, com muitas palmas. A letra é projetada no fundo em jeito de karaoke, para que todos acompanhem sem dificuldade. Tal como prometido, faz uma breve saída e regressa para encore com um especialmente romântico “The Book of Love”. Luz, voz, acordes, ambiente, tudo concorre para um final feliz. 

“Querem uma música antes da última?” pergunta. E o público vai tentando a sua sorte. O alinhamento abre assim espaço para “Hole in my heart”, uma das mais antiga, que o parece entusiasmar. O problema, é que não estava ensaiada e Gavin James, a determinada altura admite que não se lembra do resto da letra. Pergunta se alguém pode “googlar”. Na primeira fila há dedos rápidos e o cantor não hesita em recolher o telemóvel que o vai ajudar a concluir o tema, com um grande agradecimento: “muito obrigada pela ajuda!”.

Cerca de hora e meia depois, chega mesmo o momento da despedida, com promessa de regresso e de aprendizagem de algumas palavras em português. Fecha com “Only Ticket Home”, o tema que dá o nome ao mais recente trabalho. Os corações saem quentes e bem preparados para enfrentar o vento frio, na rua, com as canções no ouvido.

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