Gastronomia, natureza e encanto histórico no Hotel Casa da Ínsua

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

insua_04[dropcap]O[/dropcap] quarto 101 da Casa da Ínsua é conhecido como a Suíte dos Milagres. Reza a lenda que uma das ocupantes se curou de uma doença grave depois de ter passado persistentemente algum tempo neste quarto, contemplando a Ermida da Nossa Senhora do Castelo, que fica no cimo do monte e que é possível ver da varanda desta habitação. Não será difícil acreditar que milagres destes aconteçam neste ou em qualquer outro dos 30 quartos e 5 apartamentos deste Hotel de Charme, de 5 estrelas, atualmente explorado pela Visabeira Turismo, em Penalva do Castelo. Trata-se de um nobre solar, recuperado com primor, onde reina a tranquilidade.

“É um espaço propício a momentos de relaxamento, em que é privilegiado o contacto com a natureza e onde os hóspedes podem integrar as rotinas diárias da casa, como a pastorícia ou as atividades da queijaria e doçaria. Mas é também uma Casa que tem história e que integra um Núcleo Museológico onde é possível saber mais sobre a família proprietária, todas as atividades aqui desenvolvidas ao longo dos tempos, assim como das relações entre Portugal e o Brasil que estão nos alicerces desta construção” explica-nos Andreia Rodrigues, diretora do Hotel.

Cada quarto tem um nome e uma história para contar. Nas áreas comuns é possível contemplar um pouco da história desta família através dos objetos e peças decorativas. Detalhes que por um lado, ilustram a riqueza de quem a ergueu e por outro demonstram o gosto pelo conhecimento e pela inovação.

Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres (1739-1797) foi Governador e Capitão-General de Cuibá e Mato Grosso, no Brasil. A fortuna que acumulou, com esta nomeação do Marquês de Pombal, permitiu-lhe, no final do século XVIII, erguer a Casa da Ínsua. O solar barroco, bastante avançado para a época, foi dotado de apetrechos e características progressistas. Foi autossuficiente, dotada de produção própria e preserva, ainda hoje, em dia os saberes antigos.

Núcleo Museológico

No palácio em si, é possível passear pela casa, na sua estrutura original. Mobiliário, instrumentos musicais vindos do Brasil assim como instrumentos de caça decoram as divisões. Técnicas avançadas de decoração de interiores fazem deste solar um espaço único. Há tetos de gesso pintado, a imitar na perfeição a madeira, o soalho do salão de receção aos hóspedes, integra 14 tipos de madeira diferentes, ricos azulejos cobrem as paredes, noutros casos, recorreu-se ao papel de parede pintado. Na sala chinesa, apreciam-se não só as peças trazidas de paragens longínquas como as paredes forradas a papel de arroz pintado.

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A Casa da Ínsua abriu, recentemente, novas alas museológicas onde se expõe desenhos cartográficos e arquitetónicos assim como esboços de flora e fauna do Brasil que representam autênticos testemunhos do exótico. A recuperação e classificação destes documentos contou com o envolvimento direto do Museu Nacional de Arte Antiga. As máquinas de moagem de cereais, de produção de azeite, objetos do quotidiano particular da família e os primórdios da história da eletricidade no país podem ser observados nesta área. Um outro núcleo exclusivamente dedicado à serralharia recupera o ambiente desta atividade, com maquinaria e instrumentos da época.

Jardins

Há dois jardins a rodear a casa, com características muito próprias, cobiçados pelas espécies raras que exibem, algumas trazidas das viagens pelo mundo dos Albuquerque. O Jardim Inglês apresenta uma vasta variedade de espécies arbóreas centenárias, como as monumentais sequóias. O Jardim Francês, pensado ao estilo de Versalhes, é famoso pela variedade de camélias e pela flor de lótus, espécie trazida da Índia, que dá flor somente uma vez por ano e durante não mais do que 48h.

Atividades: Pastorícia, Queijaria, Doçaria e Vindimas

De acordo com a época do ano, em que visitam a Casa da Ínsua, os hóspedes podem acompanhar de perto as atividades da quinta, mediante marcação prévia.

Entre setembro e outubro, as Vindimas permitem uma experiencia de um dia inteiro nas várias etapas do processo. Desde a apanha da uva, ao seu transporte para a adega, a pisa nos antigos lagares de granito e depois a prova têm trazido inúmeras famílias a este espaço. A produção de vinho na Casa da Ínsua é uma aposta reconhecida que já tem alcançado várias distinções.

O queijo e o requeijão aqui confecionados, desde 1908 foram, entretanto, certificados com denominação de origem Serra da Estrela. De novembro a junho é possível participar na manufatura destes queijos. Os mais entusiastas podem mesmo acompanhar o pastor nas suas rotinas diárias. Responsável pelas cerca de 100 ovelhas residentes, de raça bordaleira, começa o dia às 6 de manhã com a ordenha. Segue-se o transporte do leite para a queijaria e depois é possível segui-lo na saída para a pastagem. “Estas ovelhas não se alimentam em estábulo, como muitas de outras raças, são umas vadias, como ele diz, elas têm sempre de sair para pastar” conta-nos a diretora do Hotel.

As Maçãs Bravo Esmolfe, produto da região, fazem parte dos pomares da quinta e muitas dão origem a compotas confecionadas na casa, a par dos doces de framboesa, abóbora, morango, pera e tomate. A visita à zona de produção de doces também é possível durante dos dias de semana.

Todas as atividades inerentes à jardinagem estão abertas à participação dos hóspedes. Sachar canteiros de flores, plantar, regar, corta sebes ou aprofundar conhecimentos no jardim dos aromas são hipóteses de quem escolhe os ares da Ínsua para recuperar os sentidos.

A Casa da Ínsua é o cenário perfeito para uma estadia de luxo. No verão, uma piscina exterior aquecida com bar de apoio ajuda a suportar temperaturas mais elevadas. No inverno, é usufruir dos recantos de uma casa carregada de história. Obrigatório, em qualquer época do ano, é respeitar a chamada à mesa para degustação dos sabores e vinhos produzidos localmente.

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