Galerias Romanas De Lisboa Estão Abertas Este Fim De Semana

Reportagem de Tânia Fernandes

Galerias Romanas de Lisboa

Quase três mil pessoas vão poder visitar as galerias romanas de Lisboa – datáveis dos inícios do século I d.C., entre esta sexta-feira e domingo. Os bilhetes disponibilizados na plataforma on-line “esgotaram em horas” disseram-nos as técnicas do Museu de Lisboa.

As Galerias Romanas abrem ao público duas vezes por ano. Desta vez, estão previstos percursos pedonais temáticos com início nas Galerias Romanas e término nos núcleos do Museu de Lisboa: Santo António, Teatro Romano e Casa dos Bicos (núcleo arqueológico).

Além do público geral, que adquiriu previamente os bilhetes, durante esta sexta feira, são, pela primeira vez, realizadas visitas com escolas. Estão também previstas, durante estes dias, visitas em Língua Gestual Portuguesa para públicos Surdos e com deficiência auditiva.

A visita às galerias, habitualmente inundadas, é possível pela conjugação de esforços de várias entidades locais. “Há uma operação complexa, de bombear água que começa cinco dias antes das visitas. Os bombeiros vem depois limpar o espaço e de seguida é feita a instalação do sistema elétrico que nos permite ter luz cá em baixo” explicou-nos Joana Sousa Monteiro, diretora do Museu de Lisboa. A linha de água, com mais de um metro, é visível nas paredes e essa é a razão apontada para que as visitas só sejam feitas em momentos pontuais. “Desconhecemos o impacto real de uma descida permanente do nível de água, não sabemos como é que a pedra se iria comportar e quais as suas consequências na estabilidade dos edifícios”.

Não são assim poupados elogios a uma estrutura construída no século I d.C. e que mantém a sua função original, de alicerce a edifícios que foram construídos na parte superior. “É uma obra de valor ímpar”, acrescenta Lídia Fernandes, Coordenadora do Museu de Lisboa – Teatro Romano “trata-se de uma estrutura completamente antissísmica”. Aponta uma equivalência na qualidade de construção desta obra com a do Teatro Romano e avança que “terão sido, certamente obras governamentais, mandadas construir pelo próprio imperador, ou por alguém do seu círculo”.

Esta estrutura romana, descoberta no subsolo da Baixa de Lisboa, em 1771, na sequência do Terramoto de 1755 e posterior reconstrução da cidade, tem sido objeto, ao longo do tempo, de múltiplas interpretações quanto à sua função original. Atualmente, os estudos apontam para uma solução arquitetónica. A construção de uma plataforma horizontal, de suporte à construção de edifícios de grande dimensão, em zona de declive e pouca estabilidade geológica, terá permitido a expansão da cidade até á linha de rio.

Se não conseguiu bilhete para entrar no alçapão da Rua da Conceição, mantenha-se atento ao site do Museu de Lisboa. Está prevista nova abertura em Setembro.

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