Funk Dos Expensive Soul Em Noite Quente De O Sol Da Caparica

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Expensive Soul
Expensive Soul no festival O Sol da Caparica

Houve espaço para o fado, no meio do concerto dos Expensive Soul, que receberam Jorge Fernando como convidado. A casa esteve, mais uma vez cheia, neste terceiro dia de festival O Sol da Caparica. Uma noite quente em que também se homenageou Cesária Évora. O espetáculo juntou um conjunto de vozes de Cabo Verde.

Os Expensive Soul já passaram o patamar de simples banda com sucessos ligeiros. Ao vivo, recriam os temas e ampliam a sua força. São muitos em palco, entre coros, bailarinos e músicos. Uma orquestra de funk que, sob orientação de New Max e Demo deixou ontem todo o público do festival O Sol da Caparica aos saltos. 

Prestes a celebrar 20 anos de carreira, os Expensive Soul estão também a preparar um novo trabalho, do qual já deram a conhecer “Limbo”. A O Sol da Caparica trouxeram muitos dos êxitos que todos conhecem e dançaram, de braços no ar. Que Saudade”, “Eu Não Sei”, O Amor é Mágico” e “Hoje é o Dia mais Feliz da Minha Vida”. 

Pelo meio, fizeram uma espécie de parentesis para receber, de braços abertos, Jorge Fernando. “Chuva” foi um dos temas que cantaram em conjunto. 

A verdade é que o publico já vinha bem quente do concerto anterior, com os Amor Electro. Com uma sonoridade mais rock, a banda apresentou não só o nosso novo disco #4 mas também revisitou os álbuns anteriores. Aproveitaram para fazer uma vénia à música portuguesa com uma homenagem a Zeca Afonso. Não faltou o tema “Canção de Embalar”, que faz parte do mais recente trabalho da banda. 

Dos antigos, o público vibrou com “Só É Fogo se Queimar”, “A Máquina”, “Rosa Sangue” e a fechar, “Juntos Somos Mais Fortes”. Deixaram ainda, para a despedida, uns acordes de “Killing in the Name” dos Rage Against The Machine.

Carolina Deslandes, a mamã mais acarinhada do país, trouxe ao Sol da Caparica o seu universo de amor e familia cantado. O concerto contou ainda com um momento inesquecível: um pedido de casamento em direto. Foi o mote para o seu grande êxito “A Vida Toda”. Depois, a cantora partilhou com o público memórias do primeiro concerto a que assistiu, na companhia do pai, dos Xutos & Pontapés. Em jeito de homenagem a Zé Pedro, fechou com “Homem do Leme”

No outro lado do recinto, foram muitos os que ficaram para ver João Gil. O músico recordou grandes sucessos que compôs, entre outros, para os Trovante e Ala dos Namorados. A festa fez-se de braços no ar a dançar. Trouxe um leque de convidados para o acompanhar. O primeiro foi Pedro Tatanka, dos The Black Mamba, para “Deixa-te Ficar na Minha Casa” e “Ao Fim do mundo”. Depois, o sorriso gigante de Celina da Piedade embalou com “Passarinho na Gaiola”. Admitiu depois “A grande alegria de estar aqui” e levou-nos a viajar ao Alentejo com “Postal dos Correios”. Seguiu-se Ana Bacalhau, que com uma interpretação muito própria, cheia de irreverência, ajudou-nos a recordar “Xácara Das Bruxas Dançando”. Depois, brindou-nos com uma versão bem mais dura de “Solta-se um Beijo”. Dois bancos altos foram, de seguida, colocados no palco. Ana Bacalhau e João Gil, mostraram um “Perdidamente” único e muito especial.

Nova despedida e nova entrada. Desta vez é Carlão que chega, muito feliz, por pisar o palco da sua terra. Traz uma novidade “Natália”, um tema que está a ser apresentado pela primeira vez. O tom solene muda radicalmente para “125 azul”. O público delira com a batida e o ritmo que este tema ganhou, ajudado também pela voz de Tânia. 

Celina regressa ao palco para interpretar um tema que tem letra de João Monge: “Timor”. João Gil aproveita para dedicar algumas palavras, a Kofi Annan ex-secretário geral das Naçães Unidas, falecido no dia. Com todos os convidados em palco, João Gil encerra o seu concerto ao som de “Loucos de Lisboa”.

Antes, neste palco, uma Homenagem a Cesária Verde contou com a participação de nomes da atual cena musical cabo-verdiana:  Lura, Nancy Vieira, Elida Almeida,  Lucibela e Teófilo Chantre. A recordação da diva dos pés descalços a prolongar a “Sôdade”.

Num cenário mais intimista, Rodrigo Leão celebrou 25 anos de carreira. O concerto passou pelas diferentes fases da carreira do músico, incluindo temas que fez para os Madredeus. 

O palco principal abriu com Ana Bacalhau, em nome próprio. Livre do registo de canção tradicional portuguesa, a cantora assume os seus próprios (e diferentes) personagens que atribui a cada uma das suas canções. Camaleónica, consegue mostrar um ar dócil para de seguida revelar grande agressividade. Um concerto carregado de versatilidade que foi bastante aplaudido.

A tarde começou com as revelações Via e depois April Ivy. Esta última, artista pop portuguesa, canta muitos dos seus temas em inglês. Os mais jovens conhecem-na bem e de telemóvel no ar, para registar o momento, acompanharam-na nos mais conhecidos “Shut Up” e Be OK”, assim como no mais recente “Frida”.

Tiago Nacarato juntou-se à Orquestra Bamba Social, no festival O Sol da Caparica. Este projeto junta músicos luso-brasileiros, residentes no Porto, e presta tributo a vários clássicos da música brasileira. Em palco, recriam clássicos e acrescentam novas sonoridades. O resultado foi um grande baile em cima da relva, neste início de tarde.

O Sol da Caparica encerrou este domingo com a programação dedicada as crianças. De acordo com a organização, o festival regressa em 2019.

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