Fundação Gulbenkian Apresenta Novas Exposições De Arte Contemporânea

Neste verão, a Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa propõe um olhar sobre si mesma, sobre a sua coleção, sobre Lisboa e sobre passado e modernidade, com a inauguração de três exposições a inaugurar entre junho e julho. São elas Terceira Fábrica – De Caxemira a Lisboa Via Caldas do artista indiano Praneet Soi; 13 Shots da artista holandesa Aimée Zito Lema e uma do cineasta português Joaquim Sapinho.

Terceira Fábrica – De Caxemira a Lisboa Via Caldas  de Praneet Soi, estará patente até ao dia 1 de outubro e cruza o fabrico de azulejos na Fábrica Bordallo Pinheiro e as artes tradicionais de Caxemira com as coleções do Museu Calouste Gulbenkian.

Ao explorar as ligações entre o trabalho dos artesãos de Caxemira, a cidade global que é Lisboa, a fábrica das Caldas da Rainha e as coleções do Museu Calouste Gulbenkian, Praneet Soi não propõe uma narrativa, mas um vaivém de imagens que sugerem múltiplas influências culturais e as suas inevitáveis reinterpretações, que envolvem o visitante numa sedutora viagem no espaço e no tempo, pelas obras e pelo trabalho que as faz nascer.
Uma instalação sonora original, criada por David Maranha, desenvolve-se a partir do projeto artístico proposto por Soi e acrescenta-lhe múltiplas ressonâncias.

13 Shots, de Aimé Zito Lema, com curadoria de Luísa Santos, Ana Cachola e Daniela Agostinho, patente até ao dia 24 de setembro, apresenta formas de passar do conflito à convivialidade.

A partir de exercícios performativos realizados em conjunto, tendo como base a transmissão as memórias do 25 de Abril entre as diferentes gerações e o arquivo fotográfico do serviço ACARTE, a artista questiona o modo como a memória se transmite por via de histórias, imagens, lacunas e silêncios que se reproduzem, preenchem e se re-imaginam coletivamente.
Mais do que uma busca pela decifração do passado ou uma resolução do presente, o objetivo do trabalho de Aimée Zito Lema é tornar visível a complexidade dos processos de transmissão da memória, que se materializam em diversos suportes, imagens, camadas e gestos, ora de conflito, ora de convivialidade.

A terceira exposição abre a 20 de julho, no Dia Calouste Gulbenkian, e estará patente até ao dia 24 de setembro e constitui o olhar de Joaquim Sapinho sobre a coleção do Museu Gulbenkian, através de um surpreendente itinerário na nave do Edifício da Coleção Moderna, a partir de alguns momentos marcantes da biografia de Calouste Sarkis Gulbenkian.

No percurso que se inicia na entrada do Museu, que continua no Hall e se prolonga por toda a grande nave da Coleção Moderna, Joaquim Sapinho pontua a sua sequência narrativa com momentos significativos da migração e projeto cultural de Calouste Gulbenkian. A Diáspora é sinalizada pela escultura Eneias e pelas caixas de transporte de obras e objetos; a A Identidade por um conjunto de documentos que incluem passaportes e fotografias ou um filme sobre a inauguração da igreja arménia em Londres; a Anatólia, pela indexação de livros e moedas oriundos das diferentes culturas que ali convergiam: Pérsia, Rússia, mundo eslavo, Turquia… A Chegada à Europa por uma vista de Constantinopla, um tapete otomano, por objetos Lalique ou lacas japonesas; as Novas Identidades por pratas provenientes do Hermitage e por outras referências ao século XVIII; o Ouro, por objetos luxuosos como um medalheiro e uma casaca persa, ou por simples placas de identificação da sua atividade negocial. Os Sonhos Perdidos referem-se à fantasia não realizada de Calouste Gulbenkian de ser cientista e de ter um jardim “à sua maneira”, numa articulação pretendida com os animais e a natureza a que as grandes janelas da nave dão acesso. Finalmente o Tempo sinaliza a ruína, a perda, os estragos causados pelo próprio tempo, mas também aquilo que fica, sobrevive e continua a falar connosco.

As exposições podem ser visitadas de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 18h00, e os bilhetes para cada uma custam 3 euros. O bilhete para visitar as coleções e as exposições temporárias custa 14 euros.

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