Foi isso aí: Ana Carolina trocou emoções no MEO Arena

Reportagem de Madalena Travisco (Texto) e Joice Fernandes (Fotos)

ana_carolina6A noite de chuva teimosa, com um trânsito infernal nas imediações do MEO Arena, terá sido responsável pelo atraso com que o recinto se foi preenchendo. Quando as luzes apagaram, já depois da hora marcada, ninguém mais se recordou da intempérie fora do pavilhão.

Com imagens projetadas de corpos quase despidos, o palco foi-se compondo com a chegada dos músicos com um registo mais eletrónico que caracteriza o último trabalho de Ana Carolina #AC.

A artista brasileira tocou, (en)cantou, “rockalhou”, “pandeiretou”, sambou e levantou por muitas vezes o público das cadeiras. O concerto prometia não só a apresentação dos temas do novo trabalho como também um apanhado dos 15 anos de carreira. Na quarta música reintrepretou o “Fire” de Bruce Springsteen transitando depois para temas mais conhecidos como “Eu comi a Madona” e “Pra rua me levar”.

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Seguiu-se o primeiro momento de emoção, que atrapalhava as palavras com que se dirigiu ao público: “Vocês não sabem o que é estar aqui sentindo isto. Estou super, super emocionada”. Depois de se recompor revelou o enorme prazer enorme de estar aqui [a cantar para o público português] como grande conquista dos 15 anos de carreira.

 

Sem surpresas, um momento alto foi a interpretação em dueto com Paulo Gonzo do tema “Quem de nós dois”, um original italiano dos anos 50 que faz parte do novo disco do convidado. Este tema tem a particularidade de ter sido gravado e tornado sucesso, antes dos dois artistas se conhecerem presencialmente. O dueto, gravado em estúdios dos dois lados do Atlântico revela uma cumplicidade tal que torna impressionante os milagres da tecnologia discográfica. Em palco, cantado a duas vozes e de mãos dadas, ninguém diria que era a primeira vez…. O pavilhão ficou de pé.

Ouviu-se Chico Buarque em registo audio a que Ana Carolina completou a “Resposta de Rita”, sambando e cantando “se você não tem assunto, a culpada não sou eu”. Cantou duas vezes o “Eu sei que vou te amar”, original de Jobim e Vinícius de Moraes, o último já anunciando o final, sem que ninguém parasse de aplaudir.

No arrepiante “É isso aííííí” ninguém foi capaz de parar de a olhar [e de pedir para voltar]. Teria sido o final se o público parasse de olhar. O público não foi capaz de parar de olhar e Ana Carolina regressou com o “Prá rua me levar” que fechou definitivamente o concerto.

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