FITEI Traz Teatro Ao Porto Até 22 De Maio

A 45ª edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica decorre de 10 a 22 de maio, sob o tema “Imaginar o Futuro”, com 16 espetáculos pelas salas do Porto, Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo.

«Um conjunto de espetáculos de teatro, dança, performance e música, residências artísticas, masterclasses, workshops, lançamentos de livros e exposições, que prometem interpelar os portuenses, com a grande cena contemporânea nacional e da ibero-américa»

Depois de Boom!, de Tennessee Williams, com encenação de Miguel Loureiro, no Teatro Nacional São João (TNSJ), sobe ao palco do Teatro Carlos Alberto (TeCA), nos dias 11 e 12 de maio, pelas 19h00, a peça Distante, de Caryl Churchill, numa encenação de Teresa Coutinho.

A 45ª edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica propõe-nos “imaginar o futuro”.

É esse o desafio que a dramaturga britânica Caryl Churchill instiga em Distante (Far Away, 2000), numa encenação de Teresa Coutinho. Num palco-arena, três personagens transitam entre três cenas e três tempos. Pelas costuras de um ambiente doméstico entrevê-se um sistema totalitário que institucionaliza o medo. O espetáculo joga-se na atualidade das parábolas que a peça suscita, perguntando: de que lado estamos nós, espectadores?

O preço do bilhete é de 7 euros.

Nos dias 14 e 15 de maio, às 19h00, sobe ao palco do TNSJ, o espetáculo Dragón, com texto e encenação de Guillermo Calderón.

Dragón, do dramaturgo chileno Guillermo Calderón, inspira-se na crise artística subsequente a Mateluna, a sua peça anterior. Um coletivo teatral denominado Dragón reúne-se para planear o próximo projeto, mas um conflito interno abre-se em dilema. A violência sobre os imigrantes no Chile é o ponto de partida de um espetáculo que Calderón define como um recomeço: “Procurei um novo sentido de humor, uma renovada ideia de comédia.”

O espetáculo em língua castelhana, legendado em português, tem um custo de 10 euros.

O Mosteiro de São Bento da Vitória acolhe nos dias 19 e 20 de maio, também pelas 19h00, a peça Fecundação e Alívio neste Chão Irredutível Onde com Gozo me Insurjo, com direcção, coreografia e dramaturgia de Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade.

Fecundação e Alívio neste Chão Irredutível Onde com Gozo me Insurjo prossegue a pesquisa coreográfica de Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade. A dupla parte da interrogação do conceito filosófico de “irredução” de Bruno Latour, confrontando-o com o experimentalismo da obra de Ana Hatherly. O palco é o chão onde se ensaia uma dança-insurreição que “torce os materiais, os refaz e recombina”, libertando o prazer.

O espetáculo é para maiores de 16 anos e os bilhetes estão à venda por 5 euros.

Em estreia no TeCA, Assim se Fazem as Coisas: Monumental Revista Antipopularuxos, com texto e encenação de Ricardo Alves, numa coprodução Palmilha Dentada e TNSJ, a peça integra o FITEI, de 20 a 22 de maio e mantém-se em cena até ao dia 5 de junho.

A Palmilha Dentada sabe do valor redentor do humor. Podemos nós rir “desse carrossel de emoções e acontecimentos” que marcam os anos-covid? “Mais do que nunca, precisamos de rir”, diz-nos a companhia. Assim se Fazem as Coisas: Monumental Revista Antipopularuxos é o veículo que Ricardo Alves nos propõe para ganharmos distância e acedermos ao riso. O dramaturgo/encenador inspira-se no teatro de revista, no qual o ano vivido era passado em revista com um olhar satírico, género popular e kitsch surgido em França, personalizado entre nós na revista à portuguesa. Assim se Fazem as Coisas é então “a revista do ano passado”, esse “ano que foram dois”, cujo olhar analisa a nossa vivência da pandemia. Sendo da Palmilha, esta revista só poderia ser “monumental” e “antipopularuxos”, ou seja, oferecida em libertadora contracorrente.

De quarta a sábado, às 19h00 e aos domingos, às 16h00, sendo a sessão de 22 de maio com Língua Gestual Portuguesa + Conversa com o Mestre. O preço do bilhete é de 10 euros.

O TNSJ é o palco escolhido para Othello, de William Shakespeare, com encenação de Marta Pazos, nos dias 21 de maio, às 19h00 e 22 de maio, às 16h00

A encenadora Marta Pazos pergunta-nos o que podemos fazer, a partir do nosso presente, para deter aquele momento (“Agora não há pausas, demasiado tarde.”) em que o mouro de Veneza assassina Desdémona. Como deter esse inferno (hell) que existe em Othello? Um inferno com quatrocentos anos de atualidade, a tragédia de Shakespeare coloca em cena questões que continuamos a debater hoje, como o racismo, a xenofobia, a violência exercida sobre as mulheres, a construção de género, a manipulação ou a pós-verdade (sim, Iago é o profeta das fake news). Nesta releitura cénica e dramatúrgica da companhia galega Voadora, Desdémona não morre (“Apenas sustive a respiração o tempo necessário para passar despercebida.”), nem esquece. O espetáculo acerca-se deste núcleo de dor e de raiva adotando a comédia – muito musical e coreográfica – como dispositivo. “Teatro necessário, urgente. Belo e corajoso”, alguém escreveu no diário El Confidencial.

O espetáculo é em língua castelhana com legendagem em português. O preço dos bilhetes varia entre os 10 e os 15 euros.

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