Festival Andanças E O Desafio De Renascer Das Cinzas

Reportagem de Ana Rodrigues

Muita tem sido a informação divulgada nos meios de comunicação social nos últimos dias relativamente ao Festival Andanças, que teve lugar na Barragem de Póvoas e Meadas, em Castelo de Vide, entre os dias 1 e 7 de agosto.

Um incêndio de grandes proporções consumiu 422 viaturas num dos parques de estacionamento do Festival, destruindo por completo tudo o que encontrava no caminho e colocando em risco a segurança dos festivaleiros que se encontravam no recinto.

Em 20 edições realizadas nunca tal havia acontecido. Um incêndio já há alguns anos havia causado também algumas preocupações, mas uma situação desta gravidade é inédita, não só para este Festival que já conta com 20 anos de existência, mas também na história dos Festivais a nível nacional.

A magnitude dos danos causados por esta fatalidade está ainda por apurar, muitas questões logísticas e burocráticas se atravessam no caminho das pessoas lesadas, sendo o sentimento geral de algum desalento pelas dúvidas que vão surgindo na cobertura dos prejuízos pelas seguradoras. Há já um abaixo assinado a circular, lançado pelo movimento de cidadãos que se organizou logo após o acontecido, com o objectivo de pressionar mais apoio a esta situação, que poderá ler integralmente na página oficial do Andanças.

Contudo, nem de momentos menos bons se fez a 20° edição do Andanças, e embora o ambiente tenha ficado um pouco pesado, particularmente entre alguns voluntários e artistas, que após terem perdido as suas viaturas abandonaram o festival, a felicidade calçou de novo os sapatos e pintou sorrisos nas caras de todos os presentes. E até muitos dos atingidos pelas perdas materiais se deixaram de novo embalar, provando numa grande demonstração de resiliência que é possível a aceitação e desapego, até nas situações mais difíceis.

Renascido, literalmente, das cinzas o Festival Andanças e a Associação Pé de Xumbo mostraram a todos os seus visitantes com quantos passos se constrói uma dança e pela sua bravura, sensibilidade e disponibilidade estão de parabéns. De uma organização invejável, a forma rápida como prontamente accionaram os meios de socorro, como evacuaram sem alarmismos o recinto e como evitaram uma desgraça humana é realmente de louvar.

A palavra amizade é que mais nos faz sentido utilizar para descrever toda a conduta das centenas de pessoas que estão por detrás da organização. Amizade genuína pelo público andanças, que continua a alimentar a força do trabalho voluntário, amizade enquanto capacidade de se colocar no lugar do outro que sofre a perda e por isso sofremos porque somos iguais. É um festival onde as diferenças são bonitas de se ver porque não ficam à porta, nem se empolam vaidosamente demais, mas sim se fundem numa dança alegre, numa palavra fácil, num abraço espontâneo.

Foi assim que se viveu esta edição do Andanças que, curiosamente, tinha este ano como mote o Desafio. E que desafio, ou desafios, se viveram ao longo de 7 dias. Uma edição onde a variedade, a riqueza, a tradição, os ritmos assumiram as  mais diversas formas.

Um festival familiar, que mesmo na imensidão do recinto gera um ambiente acolhedor, descontraído. Em todos os cantos se faz uma festa, se expandem horizontes, se fazem amigos novos. Oficinas, workshops, concertos, bailes, aulas de dança, teatro, terapias, comércio multicultural, comidas e bebidas para todos os gostos, uma paisagem natural envolvente fantástica onde a Barragem de Póvoas e Meadas ajuda a refrescar dos 40° de calor alentejanos.

Por tudo isto e muito mais, que só presencialmente poderá testemunhar, este é sem dúvida um dos Festivais que vale mesmo a pena conhecer. Sozinho ou acompanhado atreva-se no próximo ano e vá conhecer a maior pista de dança de Portugal!

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