Fado É Amor – Silêncios E Aplausos A Carlos Do Carmo

Reportagem de Madalena Travisco (texto) e Tânia Fernandes (fotografia)

Fado é Amor - Espetáculo de Homenagem a Carlos do Carmo

Consegue-se apreciar os silêncios de quem espera e os aplausos de quem o recorda. O concerto de tributo a Carlos do Carmo Fado é Amor juntou nomes de diferentes gerações e estilos musicais, na grande sala da Altice Arena, na data em que Carlos do Carmo faria 82 anos: 21 de dezembro de 2021. E na mais que justa homenagem não faltou o “trio do costume”, composto por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola de fado e Marino de Freitas no baixo.

António Serrano, gaitista clássico espanhol, teve a honra e o privilégio (palavras do próprio) de abrir a gala com melodias que quase trouxeram voz aos sons das guitarras. Marco Rodrigues deu a sua voz ao “Por Morrer uma Andorinha” e desvendou que voltaria para outra interpretação. Tito Paris, não sabendo cantar fado, trouxe “Lua nha Testemunha” – uma morna dedicada a Carlos do Carmo.

Ricardo Ribeiro melodiou ainda mais a “Estrela da Tarde”. Mariza deu corpo e voz à “Júlia Florista”. Camané reinterpretou o “Vim para o Fado e Fiquei” e Carminho deu alma ao “O que Sobrou de um Queixume” (que contém “Fado é amor/Que sobrou d’algum queixume”). Seguiu-se Agir, o primeiro artista com dois temas seguidos: “Olhos Garotos” com piano e “O homem das Castanhas” incitando a completar “quem quer quentes e boas […quentinhas]”. Pedro Abrunhosa foi o senhor seguinte, homem do Porto, careca e disléxico a celebrar o homem de Lisboa, cheio de cabelo e com voz de deus, com uma versão do “Fado do Campo Grande” ao piano, depois de a “Manhã” – uma canção que escreveu para Carlos do Carmo em 1995.

António Serrano regressou para outro momento instrumental, tocando quase ao desafio com os exímios músicos que acompanhavam Carlos do Carmo: José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença e Marino de Freitas, não é de menos repetir os seus nomes nesta peça. Foram cumprimentados, um a um, por Jorge Palma que expôs a “Canção de Vida”, a canção que demorou muitos anos a entregar a Carlos do Carmo, seguindo para o “Homem na Cidade”.

Dino D’Santiago, com instrumental em playback, protagonizou uma versão moderna de “Os Putos” antes do regresso de Tito Paris, desta vez com “Bejo de Sodade”. De volta ao palco, Marco Rodrigues levou-nos ao “Bairro Alto”, Ricardo Ribeiro celebrou as “Canoas do Tejo”, Carminho solenizou a ”Gaivota”, Camané memorou as “Duas Lágrimas de Orvalho” e Mariza homenageou “Loucura”.

Esta (grande) ideia de juntar estes nomes a celebrar a noite de Carlos do Carmo só estaria completa com o “Lisboa Menina e Moça” em coletivo.

Ao fim de quase 60 anos, Carlos do Carmo decidiu abandonar os grandes palcos e fê-lo com toda a elegância num espetáculo sublime a 9 de novembro de 2019. Obrigado Carlos do Carmo. Faria 82 anos hoje. Muitos parabéns, Carlos do Carmo.

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