Expresso Do Outono De Jorge Palma Foi De Lisboa Ao Faroeste

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e António Silva (fotografia)

Jorge Palma
Jorge Palma

Todos os anos, por esta época, Jorge Palma tem apresentado um espetáculo sempre diferente, original, e onde consegue incluir os seus grandes êxitos. O Expresso do Outono, a que assistimos ontem, no teatro Tivoli BBVA – casa cheia – foi mais um desses felizes momentos.

A viagem nem sempre foi fácil. Alguma turbulência técnica e percebeu-se que a constipação da época também atormentava o cantor. Mas será preciso muito mais do que isso para impedir Jorge Palma de dar um bom concerto. Mesmo com umas fintas à afinação, o timbre, as palavras e a própria personalidade descontraída continuam a encantar o público.

Ao longo de mais de duas horas, viajámos por momentos únicos da sua carreira. Começou com “Tempo dos Assassinos” e “Dormia Tão Sossegada” em formato acústico e depois de “Cara de Anjo Mau” passou para o piano, onde tocou “Disse Fêmea”, um tema que escreveu para uma peça de teatro, baseada no texto de Arnold Wesker. A noite continuou com misturas diferentes para músicas de sempre. “Dá-me Lume”, cantada por todos, “Norte”, “Boletim Meteorológico” e “Só”.

Entre músicas, foi sempre deixando umas breves palavras sobre cada tema. Como ou porque surgiram. E de “Trapézio”, explicou que se tratou de uma encomenda para uma novela sobre o Circo, a pedido de Paco Bandeira.

A noite havia começado com todos os músicos em palco, em ambiente de festa e tornou-se cada vez mais intimista. Em “Quem és Tu, de Novo” ficámos só com o músico. E a bonita sala não podia estar mais cheia de energia. Gabriel Gomes acompanhou-o depois, no acordeão em “Passos em Volta” e “Canção de Lisboa”.  Voltou depois a contar só consigo num intenso “Passeio dos Prodígios”.

Nos intervalos das músicas há quem aproveite para atirar um “Olá” ou “És o maior”, do anonimato da escuridão. E quem também tenha aproveitado para pedir um tema, ao que ele responde de forma imediata “Ó querida, essa não dá. Não podemos tocar todas”. Risos.

Uma bola de espelhos, colocada junto a Jorge Palma distribui linhas de luz pelo teatro. Mergulhámos assim, num ambiente mágico para ouvir e sentir “Estrela do Mar”, que foi muito aplaudida no final.

“O Meu Amor Existe” chegou tocada a quatro mãos, ao mesmo piano. Vicente e Jorge Palma partilharam o mesmo banco e aquela cumplicidade que o público tanto apreciou.

Depois de “Acorda Menina Lina” regressaram os músicos que o acompanham nesta pequena digressão e o ambiente vou a agitar-se com grandes êxitos. “Encosta-te a Mim” com o desabafo de que “houve uma altura em que já não podia ouvir a música”, uma versão muito groove de “Frágil”, “Deixa-me Rir” e o rock a tomar conta de “Portugal Portugal”.

A noite teve direito a dois encores. No primeiro, Jorge Palma aproveitou para apresentar um dos temas do novo trabalho “Expresso do Outono” e seguiu depois para “Bairro do Amor” e “A Gente Vai Continuar”. O último encore, trouxe um toque country – e divertido – à festa. Os músicos alinharam-se numa formação em semi círculo, junto à frente de palco, e com Jorge Palma no meio, sentiu-se o ambiente de saloon do faroeste. Tocaram o clássico “Jeremias, O Fora da Lei” e “Quero o Meu Dinheiro de Volta”. Muitos aplausos de pé, no final, para agradecer esta viagem de longo curso.

Expresso do Outono chega ao Porto, à Casa da Música, a 26 de novembro e a 7 e 8 de dezembro ao Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra.

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