Exposição A Água no Azulejo Português do Século XVIII no Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras

A água no azulejo português do século XVIIIReportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Até ao dia 27 de junho de 2015 pode apreciar, no espaço único que é Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, um conjunto de 19 painéis de azulejo, maioritariamente do século XVIII, que pertencem ao Museu Nacional do Azulejo. A parceria entre estas duas entidades resultou na exposição temporária A água no azulejo português do século XVIII. A presença da água na azulejaria portuguesa sempre foi uma constante, no entanto, é no século XVII quando a cor se restringe ao azul e branco que essa relação atinge uma relação mais harmoniosa.

“O Baptismo”, painel enquadrado no Ciclo dos Mestres (1700-1725/30), encarado como momento de apogeu da azulejaria figurativa portuguesa em azul e branco abre esta exposição. A religião, o quotidiano, a história e a relação entre a cidade e o rio são outros dos temas que encontramos. As cenas mitológicas permitem representar a nudez feminina, pois só esta temática permitia tal ousadia da parte do artista. A maioria dos motivos é enquadrada por uma decoração similar à moldura em talha de uma pintura.

A água no azulejo português do século XVIIIEm exposição encontra-se também uma paisagem marítima do Convento de Xabregas. Este painel integra o conjunto conhecido como “A Grande Vista de Lisboa”, obra icónica da azulejaria portuguesa e peça fundamental para o conhecimento da cidade antes do terramoto de 1755. Foi concebido em forma de panorama, julga-se que para exposição em 360º de uma sala, permite a observação da cidade, numa extensão de quase 14 kms de costa, representada em 123 metros de comprimento.

Outra dos painéis que se destaca pela inovação funcional é o “Cavalheiro”, figura de convite (1725-1756). Trata-se de um tipo de painel que era colocado em entradas e patamares, precursor do uso da sinalética, que tão bem representa o quotidiano de uma época marcada pela etiqueta e teatralidade de gestos e atitudes.

O reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras está classificado, desde 1910, como Monumento Nacional, e integra o património associado do Museu da Água da EPAL. O edifício foi projetado em 1746 para receber e distribuir as águas transportadas pelo Aqueduto das Águas Livres. Vale a pena subir ao terraço e admirar a bonita paisagem de Lisboa.

A exposição A água no azulejo português do século XVIII pode ser vista até ao dia 27 de junho no Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, às terças-feiras e sábados das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h30. A entrada custa 5 euros. Descontos para estudantes, maiores de 65 e famílias, entre outros.

 

 

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