Estocolmo – O Brilho De Uma Cidade Com Mais Noite Do Que Dia

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Estocolmo
Estocolmo

Nesta altura do ano, às três da tarde, a noite já ganha terreno ao dia, na cidade de Estocolmo. Mas nem por isso a cidade perde vida. As luzes de Natal iluminam as ruas, nas janelas brilham velas e decorações em forma de estrela e são muitos os cafés e restaurantes que, com ambiente aconchegante, convidam a entrar, e abrigar do frio.

Estocolmo tem, no inverno, muito poucas horas de sol, mas uma oferta cultural diversificada e espaços de lazer interessantes, que justificam uma visita.

O mercado de natal, na Stortorget, coração da ilha de Gamla Stan, é uma boa amostra dos costumes da época. O espaço é reduzido. Cinge-se à medida de uma pequena praça  medieval. Há artesanato e gastronomia local, para apreciar (ou levar para casa) com um copo de glogg na mão (o vinho tradicional da época, temperado com especiarias e servido com passas e amêndoas).

No início desta semana, a praça encontrava-se particularmente concorrida. Na lateral norte da Stortorget, fica o Museu Nobel, num edifício majestoso, onde antes funcionou a Bolsa. O espaço dedica-se à divulgação dos prestigiados prémios e à vida do seu fundador, Alfred Nobel. No dia 10 de dezembro, celebra-se o dia do prémio Nobel e tem lugar a cerimónia de entrega dos prémios (num outro espaço da cidade). Por essa razão, nesse dia, a entrada no museu é gratuita. Os grupos de estudantes misturavam-se com os turistas.

Famílias

O outro mercado de natal de Estocolmo encontra-se no parque Skansen. Ocupa aqui uma área maior e é mais vibrante. O Skansen é uma combinação de parque temático de repositório histórico do país com jardim zoológico. O programa é especialmente indicado a famílias e permite aprofundar as raízes e tradições da Suécia. É possível aqui voltar ao início do século XX e visitar, por exemplo, a casa do farmacêutico, do professor, do padeiro ou do carteiro. Cada um destes espaços tem atores que, explicam, de forma informal, como desempenham as suas funções e como decorre o dia a dia. Sem luz ou wi-fi , ensinam a viver com a “tecnologia” de 1903.

Os visitantes podem também admirar os animais no seu habitat natural ou, a horas definidas, assistir às suas rotinas, como por exemplo, a alimentação.

Nesta época, as tradições da quadra ocupam a praça central. Há feira de artigos artesanais, degustação de produtos locais e música para cantar e dançar, à volta da árvore de natal. Do Skansen, situado na ilha de Djurgården, tem uma das mais bonitas vistas panorâmicas de Estocolmo.

Crianças

Há uma geração que cresceu a ver a Pipi das Meias Altas. Não resistimos assim a uma passagem pelo Junibacken. O espaço é dedicado à literatura infantil sueca e em especial à autora Astrid Lindgren. A verdade é que nem só as crianças se divertem por aqui. A visita começa com um passeio num comboio temático pelas histórias da autora e continua na casa mais famosa do imaginário infantil: Villa Villekulla, a morada da Pipi das Meias Altas, onde se pode visitar ou brincar em todas as suas divisões.

Ainda no universo infantil, recomendamos uma visita ao Bergrummet – Tido Collection. Trata-se de um museu dedicado a brinquedos e banda desenhada. Esta coleção privada encontra-se exposta de forma bastante original, num espaço subterrâneo. É uma espécie de gruta de Aladino onde os mais pequenos podem brincar, com espaços feitos para quem tem menos de um metro de altura. Ao mesmo tempo, é apelativa aos adultos, que aqui abrem portas à nostalgia e encontram peças importantes do seu início de vida.

Mar

Se passar por Estocolmo e só tiver disponibilidade para ver só um museu, é ao Vasa que tem de ir. No interior encontra-se um navio, em parte reconstruído, do século XVII. O Vasa, nome da embarcação, afundou-se na sua viagem inaugural, em 1628, pouco depois de ter saído do porto. Permaneceu no fundo do mar durante 333 anos, ao largo de Estocolmo e agora pode ser admirado no Museu.

O museu dá também a conhecer, em salas de exposição adjacentes, informações diversas sobre a sua construção original, o processo de restauro, a decoração, descrição de alguns dos viajantes, réplicas à escala real de algumas zonas, além de muitos jogos pedagógicos e interativos que procuram aproximar os mais novos das técnicas de navegação. De acordo com a entidade, este é o museu mais visitado da Escandinávia.

Os aficionados da História podem continuar o passeio, na ilha de Djurgården, pelo Vikingaliv. A experiência aqui permite conhecer a história dos Vikings, na Suécia, e saber mais sobre o seu modo de vida. O espaço combina uma área expositiva, bem documentada e interessante com uma viagem em carruagem, mal explorada e menos cativante. O Vikingaliv preocupa-se em desconstruir lendas e dar uma ideia mais precisa da forma como viveram estes povos, na região.

Para uma visão mais completa do arquipélago de Estocolmo, embarque num dos passeios de barco disponíveis. No inverno a oferta é reduzida, mas aos domingos, há barcos de cruzeiro a partir de Strandvagen pelas 12h00. Fizemos a viagem até Vaxholm e pudemos admirar o recorte da cidade de outro ponto de vista. A viagem tem a duração de cerca de três horas, é serena, pelas águas calmas do Báltico e é possível combinar o passeio com uma refeição a bordo (brunch).

Procura as novas tendências, espaços mais urbanos e disruptivos?

Acrescente ao roteiro o Spirit Museum. Um espaço onde o design se cruza com atitudes livres de preconceito, mas nem por isso menos conscientes. A exposição permanente é dedicada às bebidas espirituosas na Suécia. De momento encontra ainda uma instalação de David Shrigley, (Os Cisnes Gigantes Insufláveis) que não deixa ninguém indiferente. Se ficar mesmo muito entusiasmado com a ideia, na loja pode adquirir um exemplar, de tamanho mais moderado. Com a particularidade de uma nota do próprio autor “Are you sure you want to buy this rubbish?”. O espaço é também reconhecido pela sua zona de café/ bar.

Ainda no caminho da arte, recomendamos a visita ao Moderna Museet. Neste museu encontra peças de arte moderna e contemporânea internacionais, que inclui obras de Pablo Picasso, Salvador Dali, Marcel Duchamp, Louise Bourgeois, Henri Matisse ou Robert Rauschenberg. O Museu abre também espaço a outras reflexões e encontra-se interligado com o ArkDes, o Centro Sueco de Arquitetura e Design . Até 16 de janeiro, pode ser vista a exposição “Public Luxury”, sobre os conflitos e paradoxos do design em espaços públicos da Suécia.

Patente, está também outra mais popular e bastante concorrida: a Ginger Bread House é o concurso de construção com as tradicionais bolachas de gengibre. Todos podem participar neste desafio que envolve conhecimentos de construção, sustentabilidade e decoração, com a fórmula simples de bolachas. As propostas a concurso estão aqui expostas e os visitantes são convidados a votar no seu projeto preferido. Os vencedores são conhecidos no dia 16 de Dezembro.

Estocolmo é também uma cidade de moda e design. Grandes armazém como a Nordiska Kompaniet (NK) aliciam a carteira. Uma alternativa aos espaços mais tradicionais é o Mood. Marcas de prestígio, arte contemporânea e um tom mais irreverente caracterizam-no.

E por fim, uma sugestao de sítio para beber um copo? O Tak é um rooftop construído de acordo com as características da cidade. Liga vários edifícios, tem espaços fechados vidrados e aquecidos, que permite admirar o céu , ao abrigo das intempéries, mas também zonas exteriores, informais e descontraídas, onde é possível dedicar algum tempo a jogos tradicionais. Encontramos também uma galeria a céu aberto com a curadoria de uma marca de vodka.

Ainda na época de Natal, há percurso de Luzes por descobrir. O roteiro encontra-se disponível nos postos de turismo. E é possível seguir através de #stockholmsjul
O ringue de patinagem no gelo montado nos jardins do Kungstradgarden é outro dos pontos para sair a rua, por estes dias, em Estocolmo. Quem tem patins, pode rolar de forma livre, ao som da música. Há também a opção de alugar e fazer-se à pista, todos os dias, até às 20h00.

Patinagem no gelo
Patinagem no gelo – Kungstradgarden

Indicações úteis:

Estação de Metro

Há voos diretos de Lisboa para Estocolmo e a viagem tem duração prevista de 4h30 horas. Caso pretenda visitar várias atrações, vale a pena considerar a aquisição do Stockholm Pass. Este cartão dá acesso a museus, atrações ou passeios (autocarro ou barco) e pode ser adquirido por 1, 2, 3 ou 5 dias.

A cidade tem também uma boa rede de transportes público, integrada. Cada bilhete permite ao visitante fazer o percurso pretendido com recursos a diferentes meios (combinar metro, autocarro, comboio ou metro de superfície). As estações de metro são outra das visitas turísticas obrigatórias da cidade.

O C&H contou com o apoio do Turismo de Estocolmo na visita à cidade.

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